Crítica | Glee – 5X01: Love, Love, Love

A quarta temporada de Glee foi um tremendo divisor de águas: enquanto que para muitos a série havia se tornado ainda mais afiada, divertida e musicalmente atraente, para uma outra parcela (grande, por sinal) o seriado adolescente antes tão cheio de frescor parecia estar perdendo sua vitalidade, e a fonte de boas ideias parecia, enfim, estar se esgotando. Some isso a adição de personagens que ainda não conseguiram cativar como deveriam, e você terá o resultado do que foi esta temporada para esta parcela em particular.

Dessa forma, restou para Ryan Murphy (titia, para os mais íntimos) ir atrás de suas próprias apelações e trazer novos atrativos para a série – atrativos que finalmente pudessem despertar o interesse do público que deixou a série lá atrás. A confirmação da presença de cantores conhecidos dentre o meio jovem como Demi Lovato e Adam Lambert causou um furor suficientemente grande para atrair novamente a atenção deste público, assim como – e este fato é de se lamentar – a recente morte do ator Cory Monteith e a promessa de um episódio dedicado inteiramente ao ator e personagem.

Mas sem querer perder aquela parcela que adora as músicas mais, digamos, “velhas” que a série reproduz, titia prometeu nos entregar dois episódios inteiros cultuando os lendários The Beatles, que definiram (e ainda definem) gerações e até hoje são cultuados por milhões de aficionados ao redor do mundo (e convenhamos, se Britney Spears teve dois episódios para si, os Beatles deveria ter, no mínimo, o dobro).

E como episódio tributo, Love Love Love não decepciona, entregando ótimas performances e regravações deliciosas das mais clássicas canções da banda, mas peca no mesmo quesito em que toda a temporada anterior pecou: a presença de storylines decentes. De fato, Rachel, Santana e NY são o que de melhor o episódio possui a oferecer, com Rachel em dúvidas sobre suas reais chances em conseguir o papel de Fanny Brice no musical Funny Girl. E logo de início, a personagem com uma performance ao seu estilo mais clássico: uma balada melancólica enquanto Rachel caminha pensativa pelas ruas agitadas e ensolaradas de NY. Não tem como não se emocionar.

Já em Lima, as coisas acabam ficando no meio termo: temos a criação do casal mais fofo a surgir no seriado em muito tempo, enquanto que o casal mais chato começa a ganhar mais atenção. Sobre o primeiro casal citado, acredito que não tem como não se apaixonar por Kitty e Artie (vulgo Kartie). Desde o episódio dedicado a Stevie Wonder que titia deixou uma certa promessa no ar sobre a união dos dois, e apesar do casal ter surgido um tanto que repentinamente (de repente temos Artie convidando Kitty para dar uma volta em sua cadeira de rodas, como assim?!), ambos apresentaram uma química irresistível em tela, ao tempo em que titia soube como juntar os dois inserindo pequenos conflitos sobre o status de um e o azar no amor de outro. Drive My Car e You’ve Got To Hide Your Love Away foram ótimas performances.

Quanto ao segundo casal citado, o que temos é o mesmo de sempre: Blaine irritando, cantando quase todas as músicas e sendo tão perfeito que acaba enjoando. Confesso que me diverti com Got To Get You Into My Life (Kurt roubando o solo de Blaine e transfomando num dueto foi algo impagável), mas ainda fica difícil acreditar que titia irá investir nesta história absurda de casamento Klaine – está quase esfregado na nossa cara que algo irá dar errado lá na frente. Minha reação quando titia deixou claro que irá investir nisso foi a mesma do New Directions, aquela expressão de: “ele não sabe o que está fazendo”.

Aliás, o episódio acaba gastando tanto tempo na tal preparação do pedido de casamento, que certas coisas acabam sendo apenas pinceladas e resolvidas de forma abrupta, como o retorno de Sue Sylvester para o McKinley High, mas desta vez como diretora (SOS!). Ora, se a punição de Becky seria apenas uma detenção, por que todo aquele drama na temporada anterior sobre a saída de Sue Sylvester? Fica a impressão de que titia prometeu demais, mas pouco cumpriu.

Entre altos e baixos, e inclusive com o bônus extra que é a aparição de Burt (porque hoje em dias as participações do personagem são isso, bônus), Love Love Love se mostra um pontapé um tanto desequilibrado para a temporada, que necessita urgentemente de uma pincelada melhor em seus temas e no desenvolvimento dos mesmos. É torcer pra que titia aprenda com seus erros.

PS1: só eu acho estranho que Tina tenha se tornado tão fofoqueira e intrometida?

PS2: alguém diga pros produtores que Darren Criss fica muito melhor com aquele penteado despojado, e não com a cabeça cheia de gel que deixa seu cabelo parecendo um capacete.

PS3: apenas morri com Marley na performance de I Saw Her Standing There.

PS4: fui ao céu e volte quando Peter Facinelli e Ioan Gruffud surgiram em cena.

Glee – 5×01: Love, Love, Love

Showruuner: Ryan Murphy

Roteiro: Brad Falchuk

Direção: Bradley Buecker

Elenco: Lea Michele, Darren Criss, Naya Rivera, Chris Colfer, Amber Riley, Jenna Ushkowitz, Kevin McHale, Matthew Morrison, Jane Lynch, Chord Overstreet, Alex Newell, Melissa Benoist, Jacob Artist, Blake Jenner, Becca Tobin, Iqbal Thelba, Mike O’Malley, Grant Gustin

Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.