Crítica | Glee – 5X03: The Quarteback

estrelas 4

Adeus. Ao final de The Quarterback, esta é a primeira palavra que nos vem à mente após toda a emoção e tristeza que brotam do episódio em seus poucos mais de 40 minutos. Não, não é um episódio agradável, mas infelizmente, é necessário para honrar um dos principais rostos do seriado, Cory Monteith, falecido em 13 de julho devido a uma suposta overdose, um acontecido que causou um enorme impacto aos fãs do seriado e, principalmente, aqueles que admiravam o personagem Finn.

Obviamente, vieram as más línguas afirmando que Ryan Murphy, o criador do seriado, estaria se aproveitando da morte prematura do ator e chamando mais atenção para o seu projeto, cuja audiência tem sofrido certas quedas desde sua temporada anterior. Ao assistir o episódio, fica a certeza de que Ryan passa bem longe deste objetivo: o que temos é uma homenagem digna, sincera, visivelmente sofrida, porém simples e direta. E talvez este seja o principal problema de The Quarterback.

Quando o episódio é iniciado, ao som da bela Seasons of Love, que reúne tanto os antigos quanto os atuais membros do New Directions, nos encontramos situados já algumas semanas após o funeral de Finn, cuja causa da morte (acertadamente, diga-se) jamais é explicada. Os membros do New Directions, então, resolvem se reunir e prestar suas próprias homenagens para Finn a fim de honrar sua importância no que o New Directions representa: a liberdade de você ser o que quiser. Neste caso, nunca a ausência de Quinn fez tanta falta.

O porém é que, ao pular todo o processo de luto, os roteiristas Ryan Murphy, Brad Falchuk e Ian Brennan impedem que alguma emoção possa ser sentida nos primeiros minutos, já que a visível pressa em prestar o tributo parece obriga-los a serem o mais direto possível. Como consequência, algumas canções como I’ll Stand By You e Fire and Rain não chegam a causar o impacto necessário.

A verdadeira força de The Quarterback, no entanto, reside na forma com que o roteiro trabalha no sentimento de perda dos personagens, em especial daqueles que conviveram com Finn desde o início do seriado (adequadamente, personagens como Blaine, Jake, Marley, Kitty, Ryder e Unique permanecem calados durante todo o episódio). Cenas emocionantes são geradas a partir daí: Sue se lamentando por não ter sido tão altruísta com Finn enquanto em vida; a família Hudson-Hummel a difícil realidade da perda; Puck desesperado por não ter mais seu melhor amigo ao seu lado; e Santana tentando manter sua máscara de bitch para não exibir sua dor, mas sem sucesso (a reação da personagem na performance de If I Die Young é tão surpreendente quanto assustadora). Todos ali possuem seus momentos para expressarem a importância que Finn tinha para cada um.

Já o rosto que todos ansiavam por ver, Rachel, surge apenas nos minutos finais do episódio, onde a eterna amada de Finn presta sua última homenagem com a belíssima Make You Feel My Love, e é neste momento que podemos sentir, de fato, a verdadeira dor do elenco diante deste trágico acontecido, a sensação de que nada será como antes, a certeza de que agora todos precisarão seguir em frente sem a presença de um de seus principais líderes. Desta forma, o simbolismo da jaqueta de Finn (e o roubo da mesma) se mostra um artifício interessante para representar a falta que o personagem, num todo, irá fazer para a série.

E a cena final, com o choro descontrolado de um determinado personagem, representa muito bem o sentimento que nós, os fãs, iremos carregar por um tempo indeterminado. Mas a mensagem final é clara: inevitavelmente, todos nós precisamos seguir em frente.

RIP Cory.

“The show must go… all over the place… or something.”

Glee – 5×03: The Quarterback

Showruuner: Ryan Murphy

Roteiro: Ryan Murphy, Ian Brennan e Brad Falchuk

Direção: Brad Falchuk

Elenco: Lea Michele, Darren Criss, Naya Rivera, Chris Colfer, Harry Shum Jr., Amber Riley, Mark Salling, Jenna Ushkowitz, Kevin McHale, Matthew Morrison, Jane Lynch, Jayma Mays, Chord Overstreet, Alex Newell, Melissa Benoist, Jacob Artist, Blake Jenner, Becca Tobin, Iqbal Theba, Mike O’Malley, Romy Rosemont, Dot-Marie Jones, Pamela Chan

Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.