Crítica | Glee – 5X05: The End of Twerk

estrelas 3,5Mesmo diante da situação lamentável em que Glee se encontra (lamentável mesmo, ainda mais após o episódio anterior), vez ou outra temos algum episódio que nos traz à tona ao verdadeiro espírito do seriado e nos mostram a real essência da série e sua importância social em meio ao seu público alvo. Não que o episódio em si tenha sido alguma maravilha, pelo contrário, fica aquela impressão de que os roteiristas estão fazendo de tudo pra se superar em termos de plots bizarros, mas ao menos The End of Twerk possui algo que a maioria dos episódios recentes não teve: algo sobre o que falar.

Depois do “É o Tchan na selva” visto em A Katy or a Gaga, a abordagem da dança chamada Twerk, popularizada pela cantora Miley Cyrus e suas polêmicas, não chegou a ser algo surpreendente, afinal, “vergonha alheia” veio se tornar quase que um segundo nome para o seriado (o rebolado de Blaine que o diga). Mas a série consegue, de forma inteligente e bem humorada, trazer um sentido, se não profundo, ao menos coerente para a dança. Confesso que até mesmo concordei que a suposta vulgarização de Miley nos palcos com esta dança me pareceu nada menos que apenas mais uma forma de exibicionismo, mas no final das contas, tudo não passa de mais uma forma de expressão, seja ela agradável ou não. A sequência em que Will explica a história da dança e suas modernizações com o passar do tempo comprovam isso, afinal de contas, não é apenas de formas de expressões serenas que o mundo é feito. Por mais que seja um tanto incômodo Will encorajar os alunos a rebolar pelos corredores, a teoria sobre a dança e seu significado consegue fazer sentido, o que gera uma performance divertidíssima e deliciosa de Blurred Lines pelos corredores do McKinley High.

“Você sabe que ‘Blurred Lines é uma música sobre estupro, não é?” – Sylvester, Sue

E se o episódio consegue fazer da vergonha alheia algo ao seu favor, o mesmo pode ser dito do drama de Unique e sua insatisfação por ter que fazer pipi com um pipi. Muitos reclamam que Glee tem batido eternamente na mesma tecla sobre a questão da homofobia, o que é verdade. Mas na sociedade em que vivemos, revisitar temas como este acabam sendo mais uma necessidade do que um capricho. O fato é que temos um certo diferencial sobre a análise do tema, uma vez que mais do que um homossexual, Unique é um transexual, alguém que não consegue se ver da forma como o mundo lhe vê, e sofre as injustas consequências por isso. E no que lhe falta em talento dramático, Alex Newell consegue ter de sobra em talento musical, o que já garante ao menos alguns olhares molhados na performance de If I Were a Boy.

Em NY, Rachel e Kurt resolvem seguir a cartilha do “living la vida loca” ao decidirem fazer tatuagens em seus corpos. Não foi um dos melhores plots para se trazer ao cenário de NY (e por isso não haverá comentários estendidos sobre o mesmo aqui), mas valeu pelo emocionante momento em vemos o nome Finn tatuado em Rachel (o que mostra que o finado personagem, definitivamente, não será esquecido), além daquele piercing na língua de Kurt que, surpreendentemente, conseguiu deixar a dicção do personagem bem mais agradável.

“E Hannah Montana, pode voltar à sua bola de demolição que a fizeram comprar na Home Depot, assim como o quarto que teve que demolir com uma parede faltando” – Sylvester, Sue

Voltando a Ohio (sim, nós sempre temos que voltar para lá), acredito que desde o término de Klaine na temporada passada que eu não ficava tão contente com o rompimento de um casal. E não é pra menos, uma vez que Boba Marley e Jacó… quer dizer, Jake formavam um casal sem a mínima química e insuportavelmente melosos. Querendo dar uma de Rachel Berry, Marley sai cantando Wrecking Ball pelos corredores ao descobrir sobre a traição de Jake com Bree, e tudo teria sido melhor se não tivessem insistido em reproduzir Marley destruindo paredes e quebrando tijolos, sendo que o mais apropriado seria quebrar todos os tijolos na cabeça de Jake. Então, fica a dica: não perde tempo, Ryder!

Entre bizarrices e delícias, The End f Twerk se firma como um bom episódio, que apesar de não acrescentar quase nada, consegue divertir e também emocionar. Se Glee seguir nesta mesma vibe pelo resto da temporada, a expectativa pelo término do ano letivo será bem maior.

PS1: um banheiro químico cheio de interrogações grudado no meio da sala do coral? Sue Sylvester, como sempre, sendo genial. #TinaAprova

PS2: cadê Santana?

PS3: Rachel com aquela peruca mais falsa do que uma nota de 3 reais ficou uma graça.

PS4: concordo com Sue, Will precisa de tratamento, porque ficar rebolando com um bando de adolescentes não pode ser considerado algo normal.

Glee – 5X05: The End of Twerk

Showrunner: Ryan Murphy

Roteiro: Michael Hitchcock

Direção: Wendey Stanzler

Elenco: Lea Michele, Darren Criss, Chris Colfer, Jenna Ushkowitz, Kevin McHale, Matthew Morrison, Jane Lynch, Chord Overstreet, Alex Newell, Melissa Benoist, Jacob Artist, Blake Jenner, Becca Tobin, Peter Facinelli, Ioan Gruffud

Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.