Crítica | Glee – 5X06: Movin’ Out

estrelas 2,5“Este tem sido o ano mais longo no McKinley em muito tempo”. Pois é, se até nosso queridinho Ryan Murphy já está sacando a extensão sacrificante que Glee está fazendo nesta temporada, é porque a coisa realmente está critica. De fato, assistindo aos últimos episódios, nota-se que o cenário de Ohio não irá conseguir se sustentar por muito tempo, uma vez que NY sempre surge com plots melhores e que raras vezes se repetem. E uma das melhores coisas deste Movin’ Out é a quase confirmação de que uma boa parte dos personagens formandos irá para a grande cidade, o que apenas nos anima ainda mais para os boatos de que a próxima temporada irá se passar somente em NY. Prometeu, tem que cumprir, titio Murphy.

Mas sobre o episódio em si, apenas uma palavra: meio termo. Ops, foram duas, não é? De qualquer forma, o episódio em homenagem a Billy Joel (para muitos um “who?”) nos traz belos momentos, músicas bem encaixadas, mas lá no fundo, fica a impressão de que faltou a energia que Glee teve em episódios tributos como os de Whitney Houston e Stevie Wonder.

Começo pelo melhor seguimento do episódio, onde Artie tenta ajudar Becky a seguir em frente e ir para a faculdade, uma vez que a garota ainda tem medo do mundo lá fora devido ao preconceito daqueles que não entendem sua condição. Obviamente, Sue, praticamente uma mãe para Becky, intervém (com tiradas nada menos que geniais) nas atitudes de Artie, uma vez que seu desejo é não se separar de Becky. O tratamento dos roteiristas a este plot é extremamente adequado, demonstrado que eles não esqueceram das repercussões deixadas por Shooting Star. E se você não se emocionou com Honesty, saiba que, definitivamente, você possui uma pedra no lugar do coração.

Sei que muitos aqui adoram a dupla Blam, e não tiro a razão, Sam e Blaine funcionam muito bem como amigos, e os dois atores sabem como transmitir uma boa química e construir uma interação agradável. Mas o que foram os plots dados aos personagens? Blaine veio com uma história de talvez não quisesse prestar a audição em NYADA, já que também tinha o desejo de ser médico ou coisa parecida. Obviamente, tudo uma desculpa pra dar mais um solo ao garoto, mas Piano Man passou batida, já que a performance não traz nada de especial. Não surpreendentemente, tal história não chega nem a avançar, já que Blaine presta sua audição pra NYADA (que nem aparece, muito obrigado) e… bem, agora é esperar o resultado.

A ideia de Sam em querer ser modelo até foi adequada ao personagem, sempre tão obcecado com a modelagem do seu corpo, o que serviu também como uma crítica a obsessão pela perfeição física ambicionada por quem atua neste ramo. Mas meu único desejo era poder ficar frente a frente com os roteiristas e perguntar: de quem foi a ideia pra aquela troca de olhares entre Sam e Rachel? E eu pensando que Quinntana já havia sido suficiente pra deixar claro que nem todas as bizarrices conseguem funcionar.

Quase tomei um susto quando Ryder surgiu, do nada, pra novamente tentar investir em Marley após seu término com Jake, que tem demonstrado ser um personagem realmente nojento e odiável por natureza. Todos sabem que Ryder é meu rosto favorito dentre os novatos, mas ficou aquela impressão de “forcação de barra” com este plot, e digo isto não apenas por causa do clima Malhação que persiste em rondar esta parte do elenco. Mesmo An Innocent Man, uma das melhores músicas do episódio, pareceu inserida de forma um tanto abrupta.

Sobre a homenagem em questão, o nome de Billy Joel é apenas citado no início do episódio, o que é sempre um acerto, uma vez que o episódio pode focar-se nas histórias, sem precisar batendo na mesma tecla de “olhem, não esqueçam, este é um episódio pra aquele cantor, ouviram?”, algo que aconteceu nos episódios tributos de Madonna, Britney e Michael Jackson.

O problema é que mesmo com seus bons momentos, as partes mais bizarras ainda permanecem na memória, e a impressão de que a coisa parece estar andando a passos de tartaruga permanece. Parece que a única solução é irmos nos contentando com esta temporada até chegarmos, definitivamente, em NY.

PS1: Becky querendo ver o “cogumelo roxo” foi tipo, WHOW!

PS2: como é que esses personagens conseguem ter fôlego pra começar uma música em Lima é só terminar em NY?

PS3: a ideia da feira de profissões de Sue foi genial. Afinal, esculturas feitas de cocô também é arte.

Glee – 5X06: Movin’ Out

Showrunner: Ryan Murphy

Roteiro: Michael Hitchcock

Direção: Wendey Stanzler

Elenco: Lea Michele, Darren Criss, Chris Colfer, Jenna Ushkowitz, Kevin McHale, Matthew Morrison, Jane Lynch, Chord Overstreet, Alex Newell, Melissa Benoist, Jacob Artist, Blake Jenner, Becca Tobin

Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.