Crítica | Glee – 5X07: Puppet Master

estrelas 1Quando se olha para o resultado que esta temporada tem nos apresentado até agora, impossível não dizer: “saudades de quando Glee prestava”. E tal afirmação já foi tão repetida nestes últimos tempos que já se tornou até redundante. Muitos dizem que a fragilidade dos episódios atuais da série é devido ao falecimento de Cory Monteith, o que acabou obrigando os roteiristas a reescreverem tudo o que tinham em mente, mas basta relembrar da temporada anterior para perceber que não é de hoje que a coisa andava mal das pernas.

Sobre Puppet Master, nos vemos novamente diante daquela questão: é divertido, é engraçadinho, mas não acrescentada nada de relevante a série e aos personagens (é Glee para baixinhos, como ouvi alguém dizer). Mais do que isso, este é um episódio carrega um daqueles scripts que não fazem nenhum esforço para ter algum sentido e apenas criam situações mirabolantes para… inserir músicas e permitir que Darren Criss cante quase todas as canções que surgem pela frente. Indo mais além, Puppet Master também é um autêntico teste de paciência, afinal os roteiristas decidem pegar um personagem já chato por natureza e transformá-lo numa figura que faz questão de ser chata. Ou seja, chatice ao cubo.

E para quem ainda não sabe, cá estou eu novamente reclamando sobre o personagem Blaine, que como todos sabem, está bem longe de ser do meu agrado. Darren Criss tem uma boa voz? Sim. Mas há alguma necessidade do personagem abrir a boca tantas vezes enquanto outros permanecem calados? Não. Parece que titia esqueceu de que Glee é uma série com uma gigantesca variedade de personagens a serem explorados, e não um show de favoritismo. E a coisa mais difícil de compreender é esse favoritismo em cima de um personagem sem humildade, sem história e sem utilidade nenhuma que não seja abrir a boca pra cantar e cantar. Talvez tenha sido uma tentativa de metalinguagem com o costume de Blaine roubar os holofotes dos membros do New Directions, mas o tiro acabou saindo pela culatra.

Indo pra NY (daqui a pouco voltamos pra Ohio, não se preocupe), começo a sentir que a banda formada por Kurt não terá muito futuro pela frente, ainda mais se depender da criatividade dos roteiristas em estabelecer rumos realmente empolgantes para o sucesso da banda. Gostei da performance de Into the Groove, fazia tempo que Glee não reproduzia músicas da época do meu pai, mas algo não permitiu que a empolgação em cima da banda fluísse, ainda mais quando temos uma Demi Lovato totalmente ignorada e apagada durante a performance.

De volta ao McKinley High (não avisei?), fiquei boquiaberto com a repetição descarada daquela velha história onde uma cheerleader fica grávida de um Puckerman, por mais que desta vez tenha sido apenas um alarme falso, ainda estou me perguntando o motivo de inserir tal história apenas para descartá-la no segundo seguinte. Mas gostei do mash-up de Nasty – Rhythm Nation, além da ótima junção das músicas, a performance foi muito bem produzida, apesar de Jake estar se tornando um personagem digno de decapitação.

O plot de Sue também rendeu menos do que poderia. Essa história da mulher masculinizada querendo demonstrar seu lado mais feminino e delicado já havia sido explorado na personagem Beiste, e até poderia ter rendido algo a mais com Sue, mas tudo ficou no feijão-com-arroz de sempre, ou seja, sem nenhuma novidade, apesar das ótimas tiradas cômicas. Ao menos a performance de Cheek to Cheek foi agradável.

Fazendo questão de exibir sua completa falta de sentido ao inserir The Fox no número final (música que além de bizarra, não encontra eco nenhum dentro das tramas apresentadas, e como bem disse uma amiga, mais parece um galinheiro), Puppet Master é apenas mais um daqueles episódios redundantes e clichês, sem nada de relevante a ser introduzido, onde a única coisa que se salva acabam sendo as performances. E mais uma vez, fica aquele pensamento de que Glee precisa reencontrar seu caminho se não quiser que sua audiência, que já não estava tão bem, continue caindo.

Glee – 5X07: Puppet Master
Showrunner: Ryan Murphy
Roteiro: Matthew Hogdson
Direção: Paul McCrane
Elenco: Lea Michele, Naya Rivera, Chris Colfer, Jenna Ushjowitz, Kevin McHale, Matthew Morrison, Jane Lynch, Chord Overstreet, Darren Criss, Alex Newell, Melissa Benoist, Jacob Artist, Blake Jenner, Becca Tobin, Iqbal Theba
Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.