Crítica | Glee – 5X08: Previously Unaired Christmas

estrelas 3,5Que os roteiristas de Glee são os caras mais insanos do mundo, isso todo mundo sabe. E como essa insanidade tem aflorado mais do que nunca desde o início da 4° temporada, é óbvio que hoje tudo pode acontecer nessa série. O episódio em questão, como bem explica Jane Lynch na hilária abertura do episódio (hilária mesmo, com direito a piadas tão sutis que poucos devem ter percebido), é na verdade o episódio de natal da temporada passada, que foi vetado pela Fox por ter sido considerado “ofensivo”. Como a audiência de Glee já não anda lá essas coisas, os produtores resolveram despertar a curiosidade do público e, enfim, liberaram o episódio engavetado, obviamente, com algumas edições para suprir as inevitáveis ausências de Brittany e Finn. Ao fim do episódio, fica claro que não apenas a polêmica em torno do episódio foi desnecessária, como também seu engavetamento jamais deveria ter acontecido: é um dos melhores episódios de natal da série. E quem conhece a costumeira qualidade dos episódios de natal sabe que isso significa bastante coisa.

O mais curioso é ver a formação prévia de alguns acontecimentos da temporada anterior, como a proposta de Santana ir viver em NY com Rachel e Kurt. O trio, aliás, segue protagonizando os melhores momentos atuais da série, não apenas devido a química excelente entre Naya Rivera, Chris Colfer e Lea Michele. Os plots deste cenário sempre se sobressaíram aos de Ohio (que ultimamente, andam bem repetitivos), e desta vez não tem como não se divertir com as tentativas do trio em animar um grupo gigantesco de crianças ávidas pela aparição do Papai Noel, que no fim das contas, parecia ter tomado umas e outras enquanto viajava com suas renas. As soluções encontradas foram nada menos que geniais: Santana bancando a mamãe Noel e disparando frases impagáveis à torto e a direito para as crianças e a presença de Cody, o Papai Noel sexy, e as expressões impagáveis de Kurt diante de seu corpo escultural. As performances de Here Comes Santa Claus e The Chipmunk Song foram divertidíssimas.

O melhor de tudo é que Ohio também não fica atrás, e nos traz um plot divertido e que gera momentos igualmente divertidos, alguns surreais. O New Directions busca vencer a competição anual (mas que nunca aconteceu nos anos anteriores) de vencer um concurso da melhor árvore de natal, e acabam sendo requisitados a criar um presépio de natal vivo (Marley gritando pra Deus e pro mundo ouvir que ainda era virgem foi realmente assustador). Apesar de alguns detalhes desnecessários, como aquela calça de Unique em Mary’s Little Boy Child ou o draminha de Kitty sobre ser/não ser a Virgem Maria, o desenrolar da situação foi bem humorado e sem muitas embromações, o que garantiu um clima mais leve e agradável, digno de um episódio de natal.

Merecidamente, o episódio foi bem aceito pelos fãs (apesar de algumas confusões cronológicas) e finaliza esta parte do seriado muito bem. Glee retorna apenas no fim de fevereiro, e esperemos que Ryan Murphy tome esse episódio como inspiração e descubra novamente como fazer de Glee uma série divertida e bem humorada.

PS1: é sexy beijar Chris Colfer pelo fato do garoto aparentar não possuir dentes? Hum, sei não…

PS2: expressões de Kitty na performance de Love Child: um dos grandes pontos altos da noite.

PS3: Unique parindo: momento do século.

PS4: New Directions calando a boca de Blaine: momento da minha vida.

Glee – 5X08: Previously Unaired Christmas
Showrunner
: Ryan Murphy
Roteiro: Ross Maxwell
Direção: Wendey Stanzler
Elenco: Lea Michele, Naya Rivera, Chris Colfer, Jenna Ushkowitz, Kevin McHale, Matthew Morrison, Jane Lynch, Chord Overstreet, Darren Criss, Alex Newell, Blake Jenner, Melissa Benoist, Jacob Artist, Becca Tobin, Lauren Potter, Dot-Marie Jones
Duração: 43 min.

RAFAEL OLIVEIRA. . . .Cinéfilo ainda em construção, mas que já enxerga na Sétima Arte algo além de apenas imagens e som. Amante de Kubrick e Hitchcock e viciado em música indie, cético e teimoso, mas sempre aberto para novas experiências e estranhas amizades.