Crítica | Mad Men – 1ª Temporada

estrelas 4,5

Mad Men, para quem não sabe, é uma série de TV da AMC que conta a história de uma agência de publicidade em plena Nova York dos anos 60 pelos olhos principalmente de um brilhante mas misterioso publicitário e diretor de criação da agência, chamado Don Draper (Jon Hamm, excelente). A série, já com sua terceira temporada em andamento, foi laureada com diversos prêmios Emmy, o Oscar da TV. Em 2008, ganhou 6 Emmys, inclusive o de melhor série dramática e concorreu a mais 10.

Toda essa atenção aguçou minha curiosidade e parti para comprar Mad Men. Definitivamente, a série é tudo isso que dizem sim e mais um pouco. Para começar, não há como deixar seu queixo cair pela inacreditável reconstituição de época. Não vivi os anos 60 mas já li e vi filmes sobre a época e parece-me que os produtores foram no alvo. O cuidado com a Nova Iorque e com o figurino dos personagens é suficiente para encher os olhos. O mesmo se dá com o tratamento de questões hoje polêmicas: o fumo, o feminismo, o comunismo, o consumismo e outras.

Sobre o fumo, cabe um parênteses. Para nós que, hoje, estamos acostumados a ver filmes assépticos, em que as pessoas nem reconhecem a existência de um objeto de consumo – e vício – chamado cigarro, assistir aos primeiros capítulos de Mad Men é uma experiência até, eu diria, estranhamente incômoda. Todos os personagens (ok, quase todos) fumam e fumam em qualquer lugar e em muita quantidade. Nada de sair de sua sala para ir ao fumódromo. Acende-se cigarros e mais cigarros em casa, no hall de elevadores, na sala de reunião e isso sem nem perguntar se a pessoa ao lado se incomoda. É tanto cigarro que a série parece feder a cigarro.

Mas o que chama atenção mesmo em Mad Men (uma brilhante brincadeira, aparentemente usada na época, com sua tradução literal – homens loucos – com Madison Avenue, onde ficavam as grandes agências de publicidade e com a expressão “ad men”, publicitário) é a bem costurada história que entrelaça a vida profissional e particular de seus personagens. Temos Don Draper, o brilhante publicitário com sua vida tipicamente americana. Trabalha na cidade grande mas mora na casinha de subúrbio com sua linda esposa (Betty Draper vivida pela bela mas comum January Jones) e dois filhos, ao mesmo tempo que tem uma amante com quem libera seus instintos, digamos, mais selvagens. Há seu chefe, Roger Sterling (vivido pelo excelente John Slattery) que odeia ficar com a esposa e arruma qualquer desculpa para farrear. Há, ainda, Pete Campbell (interpretado à irritante perfeição por Vincent Kartheiser), um riquinho que só conseguiu emprego por ser filho de quem é e que quer por que quer subir na vida, mesmo que para isso tenha que atropelar seus superiores com todas as jogadas sujas que puder esconder em suas mangas.

Mas o filme não é um “clube do bolinha” ainda que o ponto de vista seja majoritariamente masculino. Há a interessante personagem da esposa de Don Draper que vive com o dilema entre de um lado ser a modelo perfeita de esposa e, de outro, literalmente, ser modelo. Há, também, Joan Holloway (a também bela – e essa nada comum – Christina Hendricks), a fogosa chefe das secretárias que sabe tudo sobre todos no escritório. Por último e principalmente no elenco feminino, temos Peggy Olson (Elisabeth Moss, excelente) no papel da nova secretária de Don Draper que, completamente sem querer, vai rapidamente subindo na vida, para o espanto e inveja de todos ao redor, especialmente Joan Holloway.

Toda essa riqueza de detalhes vem emoldurando um passado negro para Don Draper e as excelentes campanhas publicitárias (e reuniões com clientes) que sua equipe vai criando ao longo dos episódios. Logo na abertura vemos Don e seu grupo matutando para criar a campanha nova do Lucky Strike (o cigarro, lembram?). Mais para frente, em ótimo e comovente episódio, vemos Don criar, quase que de instinto, a campanha do aparelho de slides da Kodak (slides, para quem é da era da informática, são aqueles positivos de fotos dentro de um quadrado branco de papel ou de plástico que eram usados em projetores para se mostrar fotos em uma tela ou na parede e não aquilo que o PowerPoint nos permite criar).

Enfim, é mais uma série brilhante da televisão americana que, na última década, assim como os publicitários de Mad Men, tem tido idéias sensacionais atrás de idéias sensacionais. Se há um defeito nessa 1ª temporada é um acontecimento bem inesperado no último capítulo que meio que me “derrubou da cadeira”. Não vou contar para não estragar mas fiquei assim meio zonzo, e ainda estou para dizer a verdade… Mas nada que não seja facilmente apagado quando lembro do que veio antes.

*Crítica originalmente escrita em 09 de setembro de 2009.

Mad Men – 1ª Temporada (Estados Unidos, 2007)
Criador: 
Matthew Weiner
Direção: vários
Roteiro: vários
Elenco: Jon Hamm, Elisabeth Moss, Vincent Kartheiser, January Jones, Christina Hendricks, Aaron Staton, Rich Sommer, John Slattery, Kiernan Shipka, Robert Morse, Michael Gladis, Alison Brie, Christopher Stanley, Jessica Paré, Peyton List
Duração: 611 min. (13 episódios)

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.