Crítica | Mike & Molly – 1ª Temporada

estrelas 3

Mark Roberts esteve envolvido em vários setores da produção de Two and a Half Man entre 2003 e 2010, assumindo os cargos de coprodutor, supervisor de produção, produtor, coprodutor executivo e produtor executivo da série. Em 2010, o empresário assumiu os riscos de uma nova e gigantesca mudança, ao criar e produzir sua própria série, a sitcom Mike & Molly, um show da CBS que usa como protagonistas um casal e obesos. A iniciativa da produção é interessante, especialmente por tratar a questão da obesidade de maneira não ofensiva ou satírica, apresentando de maneira divertida e verdadeira a luta do policial Mike Briggs e da professora Molly Flynn para manterem uma dieta e lutarem contra a balança.

A intenção da produção é louvável, e apenas por isso me chamou a atenção, apesar das críticas severas que recebeu de muitos jornais e revistas especializadas, pelo menos até a metade da primeira temporada. O fato é que a série começa tão fraca, que à primeira vista, é improvável que consiga se segurar por muito tempo. O interessante nesse aspecto é que toda a temporada conta com apenas um diretor, o californiano James Burrows, experiente profissional da televisão, que já assinou episódios de Friends, Two and a Half Man, Will & Grace, The Class e Big Bang Theory. Em Mike & Molly, seu trabalho inicial é, assim como o roteiro, pouco satisfatório, mas depois de mais ou menos 10 episódios, é impossível não admirar a evolução da temporada e se divertir com o tipo de humor urbano que a série apresenta.

Embora Mike & Molly tenha dois gordinhos apaixonados como protagonistas, sem serem demonizados ou ridicularizados, os estereótipos étnicos e sociais aparecem na construção dos coadjuvantes, especialmente em dois deles, o senegalês Samuel, e Carl, o policial parceiro e melhor amigo de Mike. Seja pelas piadas sobre sotaque, posição social e condição cultural, o tratamento dado às duas personagens chega a incomodar bastante em alguns episódios. Espectadores que não conseguem ver esse tipo de afirmação ideológica por muito tempo acabam por desistir da série, acusando-a, não sem motivos, das piores inversões possíveis. Mas é importante pensarmos que, como cultura de massa, a televisão acaba, invariavelmente, fixando e batendo ideologias em seus produtos, de modo que é mais proveitoso usarmos o bom senso, criticarmos esse uso patético da personagem negra e imigrante e seguir aproveitando aquilo de bom que o programa tem para oferecer.

O grupo de roteiristas da série apostam em um tipo de humor considerado “pesado” para esse tipo de programa, sem muito filtro social. As colocações sexuais e problemas de relacionamentos, características e condições anatômicas de algumas personagens podem até constranger espectadores mais certinhos. A construção do elenco principal tenta equilibrar um tipo de grupo do qual possa sair o máximo de situações possíveis, sem ter que apelar para um sem-número de participações especiais. As mudanças que acontecem nessa primeira temporada são muitas, e ao fim do 24º episódio, nos perguntamos como será a vida do futuro casal, já temendo pelo possível marasmo que seria acompanhar a vida de um casal cercado de parentes loucos e engraçados.

A produção da série é simples, e destaca-se mais a direção de arte, com caracterizações maravilhosas dos ambientes internos. O cuidado com a identidade das casas dos protagonistas é visível, seja no uso das cores, decoração, mudanças sutis no decorrer da série, e a relação entre eles. A técnica de James Burrows é típica de uma sitcom, às vezes cômoda demais, com a câmera sempre afastada, registrando acontecimentos de maneira indiferente e sem brilhantismo nenhum. Mas no que concerne aos atores, o diretor tem uma ótima mão.

O destaque do elenco vai, é claro, para a maravilhosa Melissa McCarthy, atriz que chamou a atenção da Academia pelo seu papel em Missão Madrinha de Casamento, e acabou levando uma indicação ao Oscar. Independente de ter “tirado a vaga de outra atriz” ou não, eu fiquei muito feliz com a menção do nome dela entre as indicadas. O seu trabalho em produções cômicas é muito bom, e lhe deu uma série de indicações a prêmios de TV, e a vitória no Emmy 2010, como Melhor Atriz em Série de Comédia. Seu papel é de importância vital para a série, e podemos considerá-la o grande motor de todas as situações nessa temporada.

Billy Gardell é um ótimo par para Melissa McCarthy. A química entre os dois é maravilhosa, e eles formam um casal adorável e engraçado, sem apelações ou caracterizações absurdamente miméticas. Reno Wilson veste um pouco a característica já manjada da personagem negra estadunidense, o que faz do seu Carl uma personagem um tanto enjoativa. A mesma coisa, mas com maior intensidade, acontece com Nyambi Nyambi, o garçom senegalês. Não pelo sotaque, mas pela afirmação do estereótipo do estrangeiro em uma terra promissora e maravilhosa que às vezes nem é tão boa assim, mas acaba sendo, no fim das contas.

Uma série de comédia um pouco malandra e com resultados mais altos do que baixos: esse é o cômputo geral de Mike & Molly. A primeira temporada sai do limbo dos episódios ruins no início, para o paraísos dos bons episódios do meio da temporada para frente. Os assuntos tratados são os mais diversos: maconha, educação, sexualidade, obesidade, relações familiares e amorosas, amizade, religião e trabalho. Não é o que podemos dizer de uma “série familiar”, mas com certeza reflete a realidade de muitas famílias pelo mundo a fora, e faz valer número relativamente pequeno, porém fiel, de admiradores que conquistou até o momento.

Mike & Molly – 1ª Temporada (EUA, 2010)
Showrunner: Mark Roberts
Direção: James Burrows
Roteiro: Diversos
Elenco: Melissa McCarthy, Billy Gardell, Reno Wilson, Nyambi Nyambi, Swoosie Kurtz, Katy Mixon, Louis Mustillo, Rondi Reed, Cleo King
Duração: 30 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.