Crítica | Moone Boy – 1ª Temporada

estrelas 4,5

Moone Boy (2012) é uma série anglo-irlandesa criada Chris O’Dowd e exibida pelo canal Sky1. Ao lado de Nick Vincent Murphy, o criador e também ator do show escreveu um dos mais criativos roteiros das novas séries de 2012, tropeçando apenas no finale da temporada, e mesmo assim, estando à frente – e com folga – da maior parte das comédias que apareceram nesta safra.

Ao acompanhar a vida de Martin Moone, um garoto de 12 anos de idade, a série resgata algo que há muito vemos se esvaindo das novas gerações, que com a acesso à internet e todos os muitos meios de comunicação, perdem muito cedo a inocência e comportam-se cada vez mais como adolescentes egoístas e sabe-tudo. Egoístas porque acreditam que todo o mundo deve atender aos seus pedidos e desejos, e comportam-se de maneira extremamente espantosa quando não são atendidos – falo isso como professor, tio, padrinho e primo de crianças, adolescentes e jovens.

Moone Boy está no limiar dessa geração Geração Z impessoal, mecanizada, plugada. A série é ambientada no final dos anos 1980 e traz um tipo de criança cada vez mais difícil de se encontrar. Martin Moone é um garoto impopular em sua escola. Apanha dos garotos e se comporta de maneira estranha porque tem um amigo imaginário (que é um adulto, e foi batizado de Sean Murphy). Para quem está de fora, Martin Moone fala sozinho, sorri para o nada, gesticula e aponta para coisas que aparentemente só ele vê. Junto a essas particularidades, temos uma inocência genuína do garoto em relação a alguns assuntos, algo que é explorado de maneira sutil e com muita graça pelos roteiristas.

O recurso para a aparição e desaparecimento de Sean Murphy, o amigo imaginário, é a montagem, mas longe de isso parecer demasiadamente artificial, devo dizer que funciona perfeitamente na série. Sob direção de Declan Lowney, essa primeira temporada, que tem apenas seis episódios, consegue conquistar o espectador facilmente e sem uso de recursos milionários. O forte da série é realmente o texto e a interpretação do ator David Rawle, o jovem Martin Moone. Destacam-se também no elenco o seu melhor amigo, Ian O’Reilly, um gordinho com algumas atitudes femininas que é simplesmente hilário.

Dos seis episódios dessa temporada, apenas um é fraco, o último, The Bell-End of an Era. Ao trabalhar o final do ano letivo de Martin Moone e o fim do que seria na Irlanda o Ensino Fundamental I, percebemos uma queda na abordagem da história que era tão rica e engraçada nos episódios anteriores. Das preciosidades, podemos citar Dark Side of the Moone, episódio que narra os acontecimentos em torno do primeiro “sonho molhado” do garoto. Os roteiristas conseguiram capturar muitíssimo bem o pensamento de uma criança para o acontecimento, e o resultado é simplesmente genial. E ao contrário do que se pensa, o amigo imaginário, apesar de adulto, tem o comportamento e o modo de pensar de uma criança, ou seja, não há sequer um erro de discrepância narrativa quando às personagens da série.

Outro episódio que merece destaque é o icônico Goodfellas. Tanto pela indicação ao filme de Martin Scorsese quanto pelo tema, este é certamente um dos capítulos mais criativos de uma sitcom que eu pude ver este ano. O interessante é que temos aqui indicações do aprendizado de Martin. A série não se fixa apenas na exposição dos acontecimentos diários da vida do garoto, mas também nos mostra a sua evolução.

Moone Boy – 1ª Temporada (Reino Unido, Irlanda, 2012)
Criador: Chris O’Dowd
Direção: Declan Lowney
Roteiro: Chris O’Dowd, Nick Vincent Murphy
Elenco: Chris O’Dowd, David Rawle, Deirdre O’Kane, Clare Monnelly, Sarah White, Peter McDonald, Aoife Duffin, Ian O’Reilly, Norma Sheahan, Ronan Raftery
Duração: 23 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.