Crítica | Prison Break: The Final Break / O Resgate Final

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Obs: Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas das temporadas anteriores.

Hoje em dia, o telefilme Prison Break: The Final Break (ou O Resgate Final, como foi batizado em português) é considerado como parte da quarta temporada da série, seus dois últimos episódios, por assim dizer. No entanto, ele foi lançado posteriormente, como telefilme mesmo, fazendo a ponte entre os eventos que encerraram a trama da série em si e o pulo temporal de quatro anos que vemos no epílogo de Killing Your Number, com Michael Scofield morto.

A decisão de fazer uma crítica separada para o telefilme se deu, então, por duas razões. A primeira delas foi obedecer a forma como The Final Break foi exibido originalmente e, a segunda e principal, foi evitar que a completa falta de qualidade do material contaminasse a análise da quarta temporada. Porque sim, em pouco menos de 90 minutos, o roteiro de Nick Santora, Seth Hoffman, Zack Estrin e Karyn Usher consegue a façanha de ser pior do que tudo o que foi apresentado antes na série, sendo a primeira gigantesca bola fora do improvável sucesso que foi a criação de Paul Scheuring.

E o mais engraçado – ou triste – é que, ao longo de quatro temporadas, a suspensão da descrença exigida de seus espectadores pelo showrunner foi esgarçada ao máximo possível, com situações absurdas, despropositadas e carregadas de conveniências e clichês capazes de dar câimbra nas pálpebras de tanto revirar os olhos. Mas, por uma combinação astral rara, as aventuras de Michael Scofield e sua gangue de fugitivos seguia incólume em termos de aceitação pelo público em geral, que absorvia bem qualquer coisa arremessada em sua direção, seja um plano surreal para fugir de uma prisão de segurança máxima, seja uma fuga/road trip pelos EUA, seja a volta à prisão, só que no Panamá, seja a trama extra-complicada já nos EUA para desbaratar os planos da nefasta Companhia.

Por mais incrível que possa parecer, a temporada que deveria ter sido a final acabou redondinha, sem deixar furos ou mistérios a serem possivelmente desvendados no futuro. Sim, a morte de Scofield foi algo um tanto quanto jogado ali nos proverbiais 45 minutos do segundo tempo, mas, mesmo assim, ela tem seu mérito e colocou uma pá de cal na história toda. Mas, como tudo que faz sucesso em Hollywood, seus produtores resolveram mexer no defunto e arrumaram uma desculpa  muito da vagabunda para fazer um filme lançado direto na TV para “encerrar” a série.

Apesar de a quarta temporada ter renovado a série, trazendo situações realmente interessantes, o telefilme volta à fórmula anterior e desencava uma ridícula trama em que Sara Tancredi (Sarah Wayne Callies), a esposa de Michael Scofield (Wentworth Miller) é presa por um “crime” (assim mesmo, entre aspas) que ela comete ao final da última temporada. Ela é mandada para uma prisão de mulheres e, claro, Scofield e toda sua trupe se juntam para executar um mirabolante plano de fuga que, surpresa, surpresa, não funciona da forma como inicialmente imaginado e depende de uma conjugação de fatores internos e externos para dar certo.

Acontece que toda a genialidade e tensão dos planos anteriores, que tinham capítulos e mais capítulos para se desenrolar, são apressadamente costurados em um trama confusa e idiota, que em momento algum consegue criar tensão. As invencionices de Scofield nem de longe lembram os detalhados planos das duas primeiras temporadas ou os “planos à jato” da quarta temporada. Quase que sofrendo de um branco coletivo, os roteiristas conseguiram ficar em um irritante meio termo que nem ousa e nem volta ao básico. E, no processo, eles conseguem quebrar algo que estava funcionando tão bem e não precisava de conserto.

Mas o pior de tudo é que esse filme não ajuda ou avança em nada as quatro temporadas que o originaram. Ele é uma obra completamente descartável, sem importância, sem empolgação e sem graça, que só serve para tirar mais leite da premissa da série e solucionar o pulo temporal que vimos na quarta temporada sem que isso nem de longe seja necessário.

Em outras palavras, The Final Break é um desserviço à série ao ponto de ser melhor se ele fosse retirado do cânone. Um dos poucos filmes que desejamos “desver” com todas as forças…

Prison Break: O Resgate Final (Prison Break: The Final Break, EUA – 2009)
Direção: Kevin Hooks, Brad Turner
Roteiro: Nick Santora, Seth Hoffman, Zack Estrin, Karyn Usher
Elenco: Wentworth Miller, Dominic Purcell, Amaury Nolasco, Robert Knepper, Jodi Lyn O’Keefe, Sarah Wayne Callies, William Fichtner, Leon Russom, Kim Coates, Barbara Eve Harris
Duração: 89 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.