Crítica | The Big Bang Theory – 1ª Temporada

Já em sua quarta temporada, The Big Bang Theory foi um grande sucesso de 2007. Trata-se de uma sitcom sobre nerds para nerds que sabe o que é e o que pretende ser e, por isso, acaba saindo como uma despretensiosa diversão que consegue agradar até mesmo aqueles que não são muito chegados à enormidade de citações da cultura pop/nerd/geek que permeia o programa.

A premissa é muito simples: a vida de dois cientistas nerds gênios que moram juntos muda quando ganham uma nova vizinha. Para dizer a verdade, trata-se apenas de um cientista nerd gênio, Leonard Hosftadter (Johnny Galecki) pois seu amigo é, na verdade, muito mais do que isso. Sheldon Cooper (Jim Parsons) é um super-nerd e super-gênio, alguém que os nerds consideram nerd demais. Um verdadeiro anti-social beirando à patologia. Em um mundo normal, esse cara estaria de camisa de força em um quarto acolchoado…

A nova vizinha, claro, é linda e gostosa (Kaley Cuoco vivendo Penny) e é isso que mexe a vida dos dois. Leonard fica imediatamente apaixonado e, apesar de Sheldon nem mesmo reconhecer que aquele ser do outro lado do hall do elevador ser uma mulher, fica extremamente chateado com a mudança dos hábitos de Leonard, que acaba afetando em seu dia-a-dia meticulosamente programado. Para se ter uma idéia, Sheldon, logo em uma das primeiras cenas doentias da série, revela que tem um lugar específico para sentar em sua sala, resultado de longas experimentações sobre o melhor lugar possível em termos de corrente de ar, iluminação, ângulo para ver TV e outras coisinhas mais. Quando Penny se senta em seu lugar, ele fica totalmente sem saber o que fazer, em uma cena inesquecível.

Há ainda dois outros importantes personagens. Raj Koothrappali (Kunal Nayyar), outro nerd gênio amigo da dupla. Ele é indiano e fala com aquele sotaque carregado. No entanto, não consegue falar com mulheres. Muito ao contrário, Howard Wolowitz (Simon Helberg) é um nerd gênio falastrão, que se acha um conquistador de mulheres. Veste-se como se tivesse saído de um concurso internacional de breguice e fala as maiores barbaridades para Penny e todas as demais mulheres que encontra.

Os quatro nerds juntos têm perfeita química, com evidente destaque para a atuação de Jim Parsons como Sheldon. É impressionante ver sua impassividade perante as situações mais estapafúrdias e sua doentia compulsão com tudo, desde videogames (que ele leva muito a sério) até doenças. Tudo para ele tem que ter uma explicação lógica e científica e, quando não tem, ele trava completamente. Sua brilhante atuação fez Parsons ganhar, esse ano, o prêmio Emmy de melhor ator de comédia. Merecido.

Mas Kaley Cuoco como Penny também está muito bem. Escolheram uma atriz bonita mas que não é uma super modelo, para as coisas não ficarem distante demais da realidade dos nerds. Ela faz o estereótipo da loira burra mas sem exageros e com muita competência.

No entanto, o que merece mesmo louvor nessa série é seu roteiro. Os roteiristas conseguem inserir equações matemáticas (e suas explicações) junto com citações a dezenas de símbolos da cultura pop/nerd, como os óbvios Star Trek e Star Wars (mas sem exageros), The Flash e vários outros, incluindo filmes famosos. Em determinado episódio, por exemplo, Leonard acaba comprando, no Ebay, por impulso, um prop tamanho real da máquina do tempo usada no famoso filme A Máquina do Tempo de 1960. Eles não sabem o que fazer com o tamanho do aparelho e acabam fazendo time share da máquina. É de se contorcer de rir.

Não sei, porém, se os roteiristas conseguirão manter o frescor da série por muito tempo pois as piadas tendem a se repetir. Vamos ver. Espero que criem novas situações suficientes para manter essa série atraente e divertida.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.