Crítica | The Blacklist – 1X01: Piloto

estrelas 2

The Blacklist tem James Spader no papel de Raymond “Red” Reddington, um ex-agente do FBI que se tornou um criminoso negociante de informações que, aparentemente do nada, se entrega à agência americana e exige conversar unicamente com a agente novata Elizabeth Keen (Megan Boone) sobre a chegada de um terrorista nos Estados Unidos. Os propósitos verdadeiros de Reddington são escusos, mas ele aparentemente sabe tudo sobre Keen, que entra de gaiata no navio.

Em um primeiro momento, The Blacklist poderia ser visto como uma versão light de O Silêncio dos Inocentes. Temos o criminoso sofisticado e genial de um lado do vidro da sala de interrogatório e, do outro lado, a agente que acabou de começar sua vida como tal.

Em um segundo momento, porém, as semelhanças acabam por aí e The Blacklist poderia ser facilmente chamada de “O Silêncio dos Inocentes para Idiotas”.

O roteiro é dolorosamente óbvio e previsível (não teve uma cena sequer – por mais simples que fosse – cuja pedra não cantei segundos ou minutos antes), cheio de buracos (faria um queijo suíço se achar um bloco compacto de cimento) e repleto de frases de efeito primárias e bobas. Os personagens, por causa disso tudo, são rasos como o proverbial pires. Os atores escolhidos – com exceção de Spader, mas falarei mais sobre isso nos próximos parágrafos – são insossos, incolores e inodoros. Não dá para lembrar de um nome, de um rosto que não seja genérico e desinteressante.

Mas eu me diverti pacas com a série.

E querem saber porque? Duas palavras: James Spader.

Meio que repetindo sua adorável atuação em Boston Legal, Spader mastiga com facilidade o cenário, dominando cada segundo de cena em que aparece. É um grande prazer ver o ator bailando de um lado para o outro, soltando chavões aqui e ali e manipulando todo mundo com seu personagem cheio de segredos e cheio de sabedoria.

E há outros elementos que potencialmente transformarão essa série em meu mais novo guilty pleasure. O primeiro deles é exatamente a previsibilidade. Nada como se achar o dono do mundo ao dizer o que vai acontecer e pimba, o negócio acontece. Nada como descobrir a trama nos primeiros 15 minutos e voilà, é aquilo mesmo, por mais absurdo que seja. O segundo deles é justamente os buracos na narrativa: achá-los e apontá-los é muito divertido. E eu já falei de James Spader?

Receio que essa série, porém, não tenha muito futuro, pelo que, se alguém quiser acompanhar, o faça sob sua conta e risco. E há uma boa chance dela virar uma série do tipo “vilão da semana” se o showrunner John Eisendrath não tiver feito seu dever de casa. É ver para crer. Da minha parte, sei que verei.

The Blacklist – 1X01: Piloto (EUA, 2013)

Showrunner: John Eisendrath

Roteiro: Jon Bokenkamp, Brandon Margolis, Brandon Sonnier

Direção: Joe Carnahan

Elenco: James Spader, Megan Boone, Diego Klattenhoff, Ryan Eggold, Ilfenesh Hadera, Harry Lennix, Chance Kelly

Duração: 42 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.