Crítica | The Job Lot – 1ª Temporada

estrelas 4O trabalho valorizado como conhecemos hoje não é algo tão antigo como se pensa. Qualquer pessoa que tem o mínimo conhecimento de História sabe que, tirando o modo de trabalho-sobreviência da Pré-história, não tivemos, até o fim da Idade Média Central, o glamour e o status dado pelo trabalho em nossa Era. Na Antiguidade ele era, em essência, ocupação de escravos. Na Idade Média, coisa de servo. Mas, pouco antes do Mercantilismo e das Grandes Navegações, um novo valor passou a ser dado a quem trabalhava e ao próprio termo “trabalho”.

Mas mesmo com todo esse novo valor, não significa que o trabalho seja algo assim tão prazeroso. Mesmo para pessoas que amam sua profissão existe o impasse das agendas, datas de entrega de projetos, reuniões, metas, horários de entrada e saída, ocasiões especiais em finais de semana… Num cômputo geral e na maioria das vezes, o trabalho causa mais incômodo do que prazer.

Foi basicamente em cima desse conceito introdutório de “trabalho-incômodo-prazer” que os produtores Claire Downes, Ian Jarvis e Stuart Lane criaram a sitcom britânica The Job Lot (2013). A série se passa em uma agência de empregos com um grupo pequeno de funcionários cujo funcionamento pode ser aplicado a absolutamente qualquer grande empresa. Em cada capítulo vemos um dia de trabalho na agência, uma espécie de linha narrativa em “tema e variação“, só que com um modo bastante inteligente de exposição e tiradas cômicas impagáveis.

Trish (Sarah Hadland) é a gerente da agência e, desde o início do Piloto, temos o seu embate com a funcionária mais casca grossa do grupo, Angela (Jo Enright). Angela é o tipo de pessoa chata da empresa, a burocrática invejosa que vive citando leis trabalhistas e se baseia em cada cláusula dos sindicatos para guiar seu dia de trabalho. Ela é o tipo de funcionária-protocolo que adora marcar hora para falar alguma coisa, preencher formulários, e claro, matar o tempo na empresa, um paradoxo muito comum encontrado nesse tipo de trabalhador.

Karl (Russell Tovey) é o garoto simpático do local. Ele é um bom trabalhador, conhece bem suas funções, mas odeia o que faz, principalmente por ser formado em Artes e não conseguir emprego em sua área. Ele é o tipo de empregado “o que eu to fazendo aqui?”.

O grupo é completado por uma jovem mãe-solteira, uma “tia da limpeza”, o segurança que tem um negócio paralelo e usa a empresa para se promover, o metido a técnico e sabe-tudo, o que não faz nada e outros personagens menores. Talvez seja por todos esses perfis tão verdadeiros e tão aplicáveis a praticamente todos os trabalhos que essa primeira temporada da série agrade tanto.

Os episódios são curtinhos e, como é de praxe em séries britânicas (com poucas exceções), a temporada também é curta, o que dá para aproveitar tranquilamente sem ter que fazer dias e dias de maratona.

O cenário é basicamente a agência de empregos, mas há cenas em bares, casas e ruas. O elenco é extremamente simpático e consegue trazer para a comédia uma grande simplicidade, o que gera alta identificação do espectador.

Eu vi os seis episódios dessa primeira temporada de The Job Lot em uma chatíssima tarde de domingo, e devo dizer que a série fez o meu dia. Uma comédia leve e com piadas e situações engraçadíssimas, tendo como objeto de crítica/sátira aquilo que permite o nosso suado pão de cada dia. E só para constar: não existe relação entre modelo de comédia aplicado em The Job Lot e a série The Office, como já ouvi algumas pessoas comentarem. É verdade que se trata de uma série com o mesmo motivo cômico, mas com outro olhar para as situações relacionadas a ele. Vejam e constatem.

The Job Lot (Reino Unido, 2013)
Criadores: Claire Downes, Stuart Lane, Ian Jarvis
Direção: Richard Laxton, Martin Dennis
Roteiro: Claire Downes, Stuart Lane, Ian Jarvis
Elenco: Sarah Hadland, Russell Tovey, Angela Curran, Jo Enright, Martin Marquez, Tony Maudsley, Adeel Akhtar, Sophie McShera
Duração: 23 min. (cada episódio)

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.