Crítica | The Sarah Jane Adventures – 1ª Temporada

estrelas 3

Sarah Jane Smith, vivida pela saudosa Elisabeth Sladen, foi a mais longeva companion do Doutor, na série Doctor Who. Tendo estreado, ainda jovem, em 1974, em The Time Warrior, parte da 11ª Temporada da série e como companheira do 3º Doutor (e, depois, do também), ela ficaria por 18 arcos, até 1976, mais do que qualquer outra companheira em 50 anos de Doctor Who. E ela ainda voltaria no piloto da série de TV K-9 and Company, que acabou não indo para frente e, ainda, em The Five Doctors, de 1983, no 30º Aniversário da série, Dimensions in Time, de 1993 e, apenas com a voz, em audiolivros.

Na Nova Série, Sarah Jane Smith apareceu pela primeira vez em 2006, juntamente com K-9 (versão Mark III), em School Reunion, episódio da Segunda Temporada, já com o 10º Doutor e a então companheira Rose Tyler. A boa aceitação desse episódio pelo público, desejoso em ver de volta sua companion favorita, além do bom momento que Doctor Who passava – e ainda passa, talvez mais do que nunca – em termos de ratings e o desejo da Children’s BBC em criar um spin-off de Doctor Who para um público mais jovem, com um Doutor adolescente, acabou levando Russell T. Davies, showrunner da série principal de um lado a misericordiosamente vetar a ideia de um jovem Doutor e, do outro, a pensar em algo para Sarah Jane Smith.

O resultado disso foi a produção de um Especial de Ano Novo, de 60 minutos de duração, que foi ao ar no dia 1º de janeiro de 2007, chamado Invasion of the Bane. Não exatamente um piloto, mas funcionando como um piloto, o especial introduz a premissa básica: Sarah Jane Smith, depois do encontro com o 10º Doutor em School Reunion, decide dar um jeito em sua vida e lidar com a vinda de extraterrestres para a Terra do seu jeito. Agindo solitariamente a partir de sua mansão em Bannerman Road (sua situação de riqueza já havia sido levantada na Série Clássica), Sarah Jane acaba tendo que enfrentar a ameaça de E.T.s conhecidos como Bane, que desejam controlar o mundo a partir de um refrigerante chamado Bubble Shock, uma verdadeira febre entre crianças e adolescentes.

Com o especial trabalhado sob o ponto de vista de Maria Jackson (Yasmin Paige), uma adolescente que se muda junto com o recém-divorciado pai, Alan (Joseph Millson) para uma casa em frente da de Sarah Jane, vamos descobrindo aos poucos detalhes sobre a ex-companion do Doutor. Ela é reclusa, não gosta de crianças e tem constantes encontros com extraterrestres. Além disso, usa um batom sônico e um supercomputador estranhamente chamado de Mr. Smith que sai da parede de seu sótão com toda a pompa e circunstância sempre que chamado.

O plano mirabolante dos Bane também envolve a criação de um arquétipo humano, em forma de criança, em uma daquelas situações que nós simplesmente temos que aceitar e não discutir muito. O resultado é um super-gênio chamado Luke (Tommy Knight) que, claro, acaba sendo adotado por Sarah Jane. O especial funciona se entendermos que ele foi feito para crianças.

Aliás, a série inteira é assim. Desenvolvida a partir do sucesso do especial e contendo 10 episódios duplos, de 25 minutos cada um, a primeira temporada de The Sarah Jane Adventures é uma sucessão de simpáticas e frenéticas histórias para crianças (e jovens adolescentes) que, de maneira geral, funcionam bem se não esperarmos soluções muito inventivas ou diferentes de um “apertar de botão”, “uso do batom sônico” ou de algum deus ex machina qualquer. E a estrutura é de “monstro da semana”, sem planos maiores unindo os episódios, ainda que os dois de fechamento façam referência direta aos dois de abertura.

Na primeira dupla de episódios – Revenge of the Slitheen – Sarah Jane, Maria e Luke têm que enfrentar os insuportáveis inimigos do Doutor, surgidos na Primeira Temporada da Série Nova. A premissa básica da história é reintroduzir Sarah Jane e Maria (afinal, a temporada só começou a ir ao ar em setembro de 2007, nove meses depois do Especial) e de apresentar um novo adolescente para fazer parte do grupo, Clyde Langer (Daniel Anthony).

Em Eye of the Gorgon, temos uma interessante mistura entre ficção científica e mitologia grega, com freiras em um convento protegendo uma misteriosa figura que pode ser a própria Medusa, com direito a cabelo de cobra e a olhar que transforma as pessoas em estátuas. A qualidade dos efeitos é bastante irregular, lembrando muito a Primeira Temporada da Série Nova de Doctor Who.

Em seguida, Warriors of Kudlak apresenta uma situação que imediatamente me lembrou do filme O Último Guerreiro das Estrelas e me deixou nostálgico. Na dupla de episódios, Luke e Clyde, participando de um campeonato de laser tag, acabam sendo teletransportados para uma nave em órbita da Terra para servirem de soldados em uma guerra milenar. A mensagem antibelicista e o interessante uso do general Kudlak, que “recruta” as crianças, fazem desses dois dos melhores episódios da temporada.

Whatever Happened to Sarah Jane, a dupla seguinte de episódios, é puro Doctor Who, com viagens no tempo, efeito borboleta e tudo mais quando Sarah Jane é apagada da continuidade por um estranho ser e somente Maria Jackson lembra dela. Divertido, ágil e perfeitamente lógico, essa história agradará a todos os adultos que “sem querer” estiverem ao lado de seus filhos vendo a série.

E, finalmente, temos The Lost Boy que revela que Luke, na verdade, é uma criança que havia desaparecido de seu lar há meses. O episódio duplo fecha muito bem a temporada, com mais do que referências a Revenge of the Slitheen, além de introduzir, do nada e de forma completamente inesperada, um inimigo novo que farão muitos torcer o nariz, mas que, no final das contas, acaba dando razoavelmente certo em termos narrativos.

The Sarah Jane Adventures é uma série obrigatória para qualquer whovian. Fora desse universo de pessoas, apenas os adolescentes e crianças gostarão de verdade da série, ainda que ela seja, sob qualquer ótica, uma ótima diversão para uma tarde descompromissada de sábado.

The Sarah Jane Adventures – Piloto e 1ª Temporada (Reino Unido, 2007)
Showrunner: Russell T. Davies
Direção: Colin Teague (Especial de Ano Novo), Alice Troughton (eps. 1 a 4), Charles Martin (eps. 5, 6, 9 e 10), Graeme Harper (eps. 7 e 8)
Roteiro: Russell T. Davies (Especial de Ano Novo), Gareth Roberts (Especial de Ano Novo, eps. 1, 2, 7 e 8), Phil Ford (eps. 3, 4, 9 e 10), Phil Gladwin (eps. 5 e 6)
Elenco: Elisabeth Sladen, Yasmin Paige, Tommy Knight, Alexander Armstrong, John Leeson, Porsha Lawrence Mavour, Joseph Millson, Juliet Cowan, Daniel Anthony
Duração: Especial de Ano Novo – 60 min.; cada um dos 10 episódios – 25 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.