Crítica | The Walking Dead – 2ª Temporada

estrelas 3

O final da segunda temporada de The Walking Dead recebeu um grande número de elogios dos espectadores. Apostando na linha da mutação moral de alguns personagens e apresentando com sucesso a primeira horda zumbis numa espécie de migração, o episódio final ganhou, com alguma justiça, o apelido de “épico”.

A temporada teria sido perfeita se o ritmo e a intensidade de todos os episódios tivessem sido iguais ao finale Beside the Dying Fire. Iniciada em 16/10/2011, a temporada sofreu uma avalanche de mudanças em seu desenvolvimento, tendo passado por todas as etapas de má direção e roteiro, para voltar aos trilhos na reta final. Os primeiros episódios foram desperdiçadas com a busca da garota Sophia e todas as consequências de médio e pequeno impacto que essa ação patética poderia gerar. Raramente um episódio dessa fase se salvou por inteiro, mesmo com o início da mudança comportamental de Shane, algo tão mal trabalhado pelos roteiristas, que a maioria dos espectadores deram graças a Deus quando Rick e Carl acabaram de vez com aquela personagem intragável que ele havia se tornado.

É quase impossível compreender a intenção dos roteiristas nessa temporada. Olhando friamente para o encadeamento das coisas, percebemos que as personagens foram tão mal trabalhadas e a linha narrativa foi tão dispersa e desprovida de força que não é de se espantar o louvor da maioria dos espectadores para os episódios 12 e 13. No afã de abrir possibilidades para mudanças sensíveis na HQ, os roteiristas permitiram que Carl se tornasse um garoto mais presente e com poder de interferência, o que só o fez ser odiado por muita gente; alimentaram mal e porcamente o aflorar da psicopatia de Shane; aumentaram os pontos românticos e melodramáticos da pior maneira possível, o que fez com que as personagens Lori e Carol se tornassem chatas e antipáticas; perderam a oportunidade de transformar Dale em uma personagem de real importância, empurrando-o para um moralismo desnecessário com ações desconexas da trama geral, e por fim, incluíram a história do jovem Randall apenas para passar o tempo e dar o gancho para a decadência de Shane e sugerir uma possível e falsa desunião do grupo.

Apesar de todo esse horror narrativo e pecados capitais no desenvolvimento das personagens, The Walking Dead, que poderia ter explodido em qualidade nessa temporada, manteve em média mesmo nível da primeira. Embora tenha caído em alguns setores técnicos, especialmente na produção, a série não deixou de encantar e fazer novos fãs. Enquanto na temporada anterior tivemos uma pluralidade de cenários, caracterizações e muitos zumbis, essa segunda temporada contentou-se com uma exposição quase novelística, centrada na fazenda de Hershel e com uma diminuição quase milagrosa do número de errantes – mais uma vez temos a justificativa do por quê a horda de zumbis no episódio final impressionou tanto.

O que dá à série o seu prestígio meio linear, até agora, junto ao público, é o seu apelo cataclísmico em um tempo histórico também cataclísmico, guardadas as devidas proporções. O reflexo simbólico de realidades, somados ao poder que esse tipo de história tem sobre nós, estabeleceu um escudo quase natural para a série, o que fez muitos abismos passarem despercebidos e a remissão ao final da temporada justificar o desvio dos meios.

O elenco não manteve a mesma qualidade de interpretação, até porque o roteiro não ajudou em nada a construção de algo mais substancial por parte dos atores. Quem merece destaque pela atuação no decorrer da temporada é o ator Andrew Lincoln (Rick), que sofreu uma verdadeira mudança de comportamento, ultrapassando os limites morais e se estabelecendo, enfim, como líder assumido do grupo.

A grande e boa diferença em relação à temporada anterior é a criação de uma aura de desesperança sobre o mundo zumbi e sobre eles mesmos. Além disso, as discussões morais e éticas se tornaram mais fortes e pertinentes, algo que pode gerar uma boa discussão sobre desvio e a ressignificação de valores sociais e humanos em situações extremas (vide o filme Cartas de Um Homem Morto).

Embora alguns setores técnicos tenham caído em qualidade e o roteiro de mais da metade dos episódios dessa temporada tenha sido vergonhoso, The Walking Dead mantém-se como fenômeno e referência dessa temporada televisiva. Ao passo que vemos erros em alguns pontos, a boa execução de outros ajuda a equilibrar o produto final e não há quem não tenha gostado, ao menos um pouco, da reta final da temporada, especialmente do último episódio, e que não tenha suspirado, após o fade out final: “que venha o governador”.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.