Crítica | The Wire – 1ª e 2ª Temporadas

O título desse post é descritivo e eu poderia parar por aí. The Wire é, sem dúvida, a melhor série dramática feita para a televisão que já tive o prazer de ver em minha vida. Sopranos é brilhante, Battlestar Galactica (antes que me encham a paciência, essa série é dramática, não de ficção científica) é sensacional mas The Wire está dois patamares acima, hors concours.
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Essa série é da HBO e já havia lido críticas muito positivas há algum tempo sobre ela. Recentemente, um amigo me emprestou as 5 temporadas (a série acabou esse ano) e assisti a duas. Não preciso nem assistir as demais para ter a mais genuína certeza do que escrevi no título.
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Cada temporada tem uns 12 episódios e conta um caso apenas, de seu começo ao seu fim. Na primeira temporada, Jimmy McNulty, um policial da divisão de homícidios de Baltimore, fica irado com a absolvição de um suspeito e parte para fazer mais do que seu trabalho normal e construir um caso que pode chegar até aos mais altos escalões.
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Mas o caso não importa. O que vale mesmo é a forma absolutamente realista que os criadores da série optaram por utilizar. Nada de explicações detalhadas do que está acontecendo. Nada de detetives brilhantes. Nada de tecnologica de ponta. Nada de ações policiais sensacionais. A série toda é construída em detalhes, mostrando a ineficiência da polícia, a corrupção até das melhores pessoas, a podridão da politicagem apenas para subir na carreira. McNulty é um rebelde e, como tal, é odiado pelos altos escalões da polícia, que só querem saber de resolver casos da maneira mais prática possível, seja chegando ao culpado sem se preocupar se ele tem um mandante, seja dando um jeito para que o crime investigado seja empurrado para outro distrito.
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Mas a série não se perde nesses meandros políticos apenas. Ela é baseada na obra de um jornalista investigativo e, por isso, mesmo, tem muitos detalhes policialescos interessantes, como a criação de unidades apartadas para a resolução de um caso apenas e a hierarquia dentro da polícia e suas várias divisões. No outro lado da moeda, a primeira temporada de The Wire mostra a hierarquia de um grupo de traficantes de drogas e seus esquemas altamente sofisticados para impedir a detecção pela polícia.
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No entanto, para ver essa série, o espectador tem que ter perseverança. Seu estilo quase que de documentário pode afastar algumas pessoas menos pacientes. O mesmo se pode dizer dos episódios um pouco mais longos que o normal, uma hora no lugar de 42 ou 45 minutos. Mas, depois de uns 3 episódios, eu duvido que qualquer pessoa normal não esteja completamente fisgada pela série.
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Há um episódio em particular, que, para mim, foi o episódio que me fez parar e pensar: “Uau, essa série põe qualquer outra no chinelo”. Nesse capítulo, McNulty e seu parceiro Bunk chegam à cena de um crime e, sem trocar uma palavra que não seja “fuck”, a reconstróem no melhor estilo CSI mas sem a tecnologia e o palavreado irritante que explica ao espectador, tintin por tintin, o que está acontecendo, como se todos fôssemos completos iditotas. Depois desse episódio, não vou conseguir assistir a mais nenhum segundo de CSI sem rir dos palermas que ficam dizendo para a câmera o que está se passando, com a ajuda dosflashbacks, claro, como se falar não fosse o suficiente.
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A segunda temporada de The Wire conta outra estória diferente, envolvendo o sindicato dos estivadores do porto de Baltimore. Tudo começa quando uma policial acha 13 corpos de mulheres do leste europeu em um container. Na verdade, tudo começa da forma mais frívola possível: uma picuinha ridícula entre o chefão de polícia e o secretário-tesoureiro do sindicato em torno de um vitral de igreja. Aliás, essa jogada do vitral deve ser, na verdade, a norma para se iniciar casos e não a exceção. Isso mostra policiais que agem apenas guiados pelo seu ego, sem a menor vontade de efetivamente cumprir um dever.
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O caso, porém, é complicado e começa a tomar um vulto enorme, com várias ramificações. Não se preocupem pois a segunda temporada não é completamente diferente da primeira. Voltam os mesmos personagens, tanto do lado dos policiais quanto dos traficantes,  mas não da mesma forma. É brilhante. Só vendo para acreditar.
RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.