Crítica | The Wire – 4ª Temporada

Como já tive a oportunidade de comentar aqui, The Wire é a melhor série de TV que já vi, junto, talvez, com Battestar Galactica. Acabei há pouco a quarta e penúltima temporada e posso dizer que, mais uma vez, os produtores acertaram na mosca.
.
O mais impressionante é que, apesar do ditado “em time que está ganhando não se mexe”, os produtores partiram para sacudir a série. São 13 episódios com íntima relação com o que aconteceu nas três primeiras temporadas mas que quase podem ser vistos independentemente.
.
Uma das grandes modificações: Jimmy McNulty (Dominic West), o personagem central nas outras temporadas, quase não aparece na quarta. Só dá as caras aqui e ali, apenas para lembrarmos que ele existe. No entanto, ele não interfere em nada na estória.
.
Escolha sábia.
.
Sem estragar nenhuma estória, vale lembrar que McNulty basicamente era a mola propulsora dos outros casos e repetir a situação novamente não combina com essa série, que lida com a realidade nua e crua. Assim, os produtores arriscaram e retiraram McNulty de cena.
.
Mas não pararam só por aí.
.
Com os “vilões” das primeiras temporadas fora do baralho, os responsáveis pela série resolveram nos brindar com um novo curso, ou seja, o trabalho policial – que é simplesmente o coração da série – foi meio que deixado de lado para todas as atenções se centrarem na disputa à prefeitura da cidade de Baltimore e no sistema de escolas públicas da cidade. Assim, vêm para os holofotes um personagem bacana mas secundário (senão terciário) das outras temporadas, Prez (Jim True-Frost), como professor e o vereador da cidade e candidato a prefeito, Tommy Carcetti (Aidan Gillan), introduzido na temporada anterior.
.
Muita atenção também é dada a Bunk Moreland (Wendell Pierce) o policial da divisão de homicídios, amigo de McNulty e a Bubbles (Andre Royo), drogado e informante da polícia. O mesmo acontece com os jovens negros da cidade, que anda literalmente na corda bamba, com grande possibilidade de sucumbirem ao crime, tendo em vista que, em casa, pouco apoio têm dos pais e, nas escolas, não passam de estatísticas. Mas todas as demais peças foram trocadas de lugar e o que se vê ao longo de 13 episódios é, na verdade, uma grande preparação para o que está para acontecer na quinta e última temporada. Nesse ponto, é impressionante a coragem dos produtores em usarem uma temporada inteira para preparar o terreno para a temporada seguinte.
.
No entanto, isso na verdade não surpreende completamente pois a segunda temporada foi, também, preparação para a terceira. Os produtores sabiam da qualidade do material que tinham na mão e deviam ter certeza de seu público alvo pois trabalharam com calma, tornando-nos quase que cúmplices de todas as manobras políticas dos candidatos a prefeito, toda a podridão do sistema escolar e as consequências disso para as vidas dos personagens de sua série.
.
É raro ver uma série de televisão com essa qualidade, com esse grau de imersão nos assuntos que discute. O que vemos hoje são séries que lidam com um caso por capítulo, algumas com casos resolvidos em arcos mais longos, mas quase nunca vemos os produtores gastarem uma temporada toda em um caso só (Dexter me vêm à mente no momento como exemplo disso, como vocês pode ver aqui). No entanto, The Wire é uma estória só, dividida em 5 temporadas. O que começou na primeira só vai acabar mesmo (assim espero!) na quinta temporada. E isso sem desperdiçar um só episódio: tudo é relevante.
.
É uma pena que só falte mais uma temporada mas, tudo que é bom, com dizem, chega ao fim, não?
RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.