Crítica | Welcome to the Family – 1X01: Piloto

estrelas 2

Pegue o estereótipo A, passe manteiga e deixe descansando, para absorção do sabor. Retire o estereótipo B da geladeira e frite-o por dois minutos de cada lado na frigideira, com duas colheres de chá de azeite. Em seguida, corte o estereótipo A em cubinhos e misture-o com o B em um liquidificador na função “pulsar”. O resultado você espalha em uma bandeja devidamente untada com margarina e coloque no forno por três horas. Pronto: você agora tem um delicioso prato para se refestelar.

Certo, não é mesmo?

Bom, pelo menos deve ser assim que os executivos da TV aberta americana (no caso, a NBC) acham que uma sitcom deve ser feita: sem imaginação e usando formas. Welcome to the Family é mais uma adição insossa a um sem-número de outras sitcoms que ficam flutuando por um tempo na programação sem que consigamos distinguir qual é qual.

O estereótipo A acima é a família Yoder, formada pelo pai fora de forma, Dan (Mike O’Malley), a mãe relaxada Caroline (Mary McCormack) e a filha burra e irresponsável Molly (Ella Ray Peck). Todos representam a família padrão americana de brancos.

O estereótipo B é a família Hernandez que, como o sobrenome deixa muito evidente, é formada de latinos. O pai, Miguel (Ricardo Chavira, egresso de Desperate Housewives, onde fazia exatamente o mesmo papel, só que com o nome de Carlos), é treinador de boxe. A mãe, Lisette (Justina Machado) é extremamente atenciosa. Aliás, ambos são muito preocupados e controladores do filho, Junior (Joey Haro), um excelente estudante, especialista em matemática, com um futuro brilhante pela frente, em Yale.

Como se não bastassem as duas famílias estereotipadas, o showrunner Mike Sikowitz ainda fez questão de criar famílias que fossem exatamente opostas em todo sentido. Original, não é mesmo?

O liquidificador, nessa história toda, é a gravidez de Molly, que é secretamente namorada de Junior, o que faz despencar os sonhos dos Hernandez de ver seu filho brilhar e os dos Yoder, que apenas querem se livrar da mala da filha e voltar ao “renascimento” da relação entre os pais. O resultado é uma rivalidade padrão, que nós sabemos que não vai durar muito sem que as piadas se repitam. E, dito e feito, nem bem os 22 minutos do primeiro episódio se passaram, e já começamos a ter aquela irritante sensação de dejà vu.

O roteiro, extremamente moralista e que não se arrisca com nada (o jovem casal prontamente aceita o nascituro, sem nem discutir eventual interrupção da gravidez),  tentando ser engraçado com o óbvio ululante (o pai esportista versus o pai couch potato, a filha burra e o filho genial e por aí vai). As atuações não são ruins, mas o roteiro é tão rasteiro que não permite qualquer voo de originalidade. Tudo funciona como um relógio, mas, infelizmente, sem qualquer noção de tempo para as piadas.

O prato servido por Mike Sikowitz é daqueles que são saborosos nas primeiras garfadas, até que percebemos que o sabor vem da receita requentada que, depois, apenas enche a barriga de besteira ao ponto de dar indigestão. Tem comida mais saborosa por aí.

Welcome to the Family – 1X01: Piloto (EUA, 2013)
Showrunner: Mike Sikowitz
Roteiro: Mike Sikowitz
Direção: Michael Engler
Elenco: Mike O’Malley, Ella Ray Peck, Mary McCormack, Ricardo Chavira, Justina Machado, Joey Haro
Duração: 22 min.

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.