Artigo: Tão bom e tão ruim – O marketing de Prometheus
Tomei uma decisão: durante as três semanas que separam o lançamento de Prometheus (Idem, 2012) na Bélgica (30 de Maio) até o lançamento no Brasil (15 de Junho), farei o possível para não navegar em sites de cinema e/ou resenhas críticas. Isso porque, sem sombra de dúvidas, Prometheus é o lançamento que mais aguardo para esse ano, e não quero que minha experiência seja estragada graças aos constantes spoilers, que sempre acham uma maneira de chegar a mim.
Por outro lado, acho que não existe mais surpresa alguma no enredo de Prometheus. De acordo com os sites Cinema em Cena (www.cinemaemcena.com.br) e Trailer Addict (www.traileraddict.com), a campanha de marketing do novo filme de Ridley Scott já conta com 5 trailers, 7 comerciais de tevê, 2 clipes, 4 vídeos virais, 5 featurettes (que exploram o período de filmagem e escrita do projeto), mais de 20 fotos oficiais e 4 versões diferentes de cartazes. Isso sem contar entrevistas coletivas com elenco, roteiristas e diretores, além do site viral que explora a fictícia empresa Weyland Industries (http://www.weylandindustries.com/). Somando apenas o conteúdo dos vídeos, já temos cerca de 60% da trama revelada. Dessa forma, com tamanho excesso de informação, é quase impossível evitar que, mesmo contando ainda com cinco dias para a primeira estréia, o público já não conheça detalhes importantes da história.
Mas vamos dividir por etapas. No começo de sua campanha de marketing, a 20th Century Fox exibiu o primeiro trailer de Prometheus. Uma obra-prima de trailer, por sinal: imagens rápidas, contando com uma trilha sonora que empresta um ar de inquietude e urgência ao vídeo, durando parcos 1 minuto e 10 segundos, formando gradualmente o título da produção em frente às cenas. O vídeo também é eficiente ao ecoar com o primeiro trailer de Alien – O 8º Passageiro (Alien, 1979), indicando que a produção realmente é um prelúdio do segundo filme da carreira de Ridley Scott. É uma experiência rápida do que o filme deseja passar, e não um resumo da trama, como todos os trailers hoje em dia almejam ser.
Porém, esta pérola foi acompanhada por um dos mais novos tumores das campanhas publicitárias de Hollywood: o announcement teaser, uma espécie de teaser do trailer que ainda será lançado. Assim, esta primeira relação do marketing de Prometheus com o público torna-se um amálgama de tudo que existe de excelente e terrível na campanha – exposição desnecessária e ótimo material de divulgação.
Em seguida, o primeiro viral saiu: um discurso de Peter Weyland, dono da já citada fictícia Weyland Industries, na famosa feira de tecnologia TED, no ano de 2023, onde ele explica sua ganância e desejo de mudar o mundo, além de contar o mito do titã Prometeu que, ao que tudo indica, ecoará na trama da produção. Novamente, tudo que um viral deve ser estava lá: não exibe pontos cruciais do filme, aprofunda personagens, cria uma história de fundo para a trama principal e eleva interesse do público pela produção, através do mistério e curiosidade.
Nesse meio tempo, surgiu mais um trailer, especial para exibições em telas IMAX, também contando com imagens rápidas e uma trilha inquietante (além da frase-destaque “Prometheus has landed”). Não muito tempo depois, surgiu mais announcement teasers, dessa vez de um novo trailer, mais completo e que explica a história do filme, representando um dos primeiros erros de marketing. Primeiramente, announcement teaser é uma redundância e expõe mais do que o necessário de qualquer produção, prejudicando mais do que aguçando o interesse do público. Impor este abacaxi em apenas um trailer é algo reprovável. Impor em dois trailers é inadmissível. Para piorar a situação, o estúdio, provavelmente com medo que o público não entenda a proposta do filme, divulgou um trailer de 2 minutos e 30 segundos, exibindo muitos detalhes da trama, entregando ponto de partida, personagens e situações mais tensas.
A partir desse ponto, a campanha começou a desandar e, ao mesmo tempo, instigar. Primeiro, lançaram um novo viral de 30 segundos, apresentando o “nascimento” de um robô. Aliás, tenho algumas suspeitas sobre se esse foi realmente um viral ou o primeiro caso de announcement teaser de um vídeo do gênero. Foi um vídeo perturbador, supostamente usado no universo do filme para comercializar o robô David 8, interpretado por Michael Fassbender. De novo, a campanha acertou nos aspectos já comentados sobre como um viral deve ser feito. Foi então que começaram a divulgar os comerciais de tevê, quase um mês e meio antes da estréia, mostrando importantes informações a respeito da produção, como um possível envolvimento amoroso entre personagens e uma das principais criaturas em plena luz. Dois tropeços, expostos em cadeia nacional (ou, no caso, internacional).
Como se a trama já não estivesse excessivamente exposta, cobrindo ganchos, possíveis relacionamentos, antagonistas e muitos outros aspectos, o estúdio decide lançar outro trailer, sem announcement teasers dessa vez, exibindo novas criaturas, mais relacionamentos, uma situação possivelmente chocante para mulheres e o pior de tudo, o possível clímax da produção, durante seus intermináveis 3 minutos. Nunca, jamais, em hipótese alguma, entregue o clímax do seu filme em um trailer. Convenhamos, trailers são necessários, mas os segredos da produção, as reviravoltas e detalhes importantes deveriam ser mantidos a sete chaves. Apenas aqueles que tiveram o trabalho de se locomover até o cinema e pagar pelo ingresso deveriam ganhar o direito divino de saber os detalhes da trama.
Imagine dessa forma: como você se sentiria se, no trailer de O Sexto Sentido (The Sixth Sense, 1999), o estúdio incluísse a cena em que (SPOILER ALERT, para quem nasceu neste século e não gosta de ótimos filmes) Bruce Willis se lembra que é um vampiro disfarçado de psiquiatra para matar criancinhas? Não seria legal, não é? Adicione a este caso mais um feature de 1 minuto e 40 segundos, mostrando novas cenas (!), mais diálogos, novas situações, e ainda por cima tudo entrecortado por entrevistas com elenco e diretor. Mais expositivo do que isso, (SPOILER ALERT nível recém-nascidos, espero) só Jesus morrendo e ressuscitando no Novo Testamento.
Em contrapartida, divulgam mais um excelente viral, onde usaram o primeiro viral de David 8 como introdução, vendendo o robô, agora com mais informações quanto a suas utilidades e alcance emocional. Já por este vídeo, estou esperando uma ótima performance de Michael Fassbender.
Ufa! Finalmente, não há mais nenhum vídeo para discu… Ah é, temos mais quatro featurettes e quatro comerciais de tevê (dois “internacionais”, porque ninguém nos EUA tem acesso ao You Tube), cada um devidamente equipado com novas cenas, mais diálogos e novas situações.
Achou pouco? A 20th Century Fox não. O estúdio liberou um clipe de quase dois minutos, mostrando a chegada da nave Prometheus no planeta alienígena. Não, este clipe não apareceu na internet graças ao furto de alguém. A cena, com alguns poucos cortes, foi liberada pelo próprio estúdio. Um belo tiro no próprio pé. Mais recentemente um novo clipe, agora mais curto, foi lançado no talk-show norte-americano The Jay Leno Show, exibindo um conflito entre o robô David 8 (Michael Fassbender) e Meredith Vickers (Charlize Theron).
Em compensação, montaram mais um excelente viral, onde Elizabeth Shaw (Noomi Rapace) tenta entrar em contato com Peter Weyland através de uma mensagem em vídeo.
Obs: notem que o vídeo tem alguma relação com a empresa Yutani que, na série Alien, é fundida com a Weyland Enterprise.
www.PrometheusForum.net por PrometheusForum
Pois, já que a Fox não se importa, por que eu deveria? Vamos fazer um trato, querido leitor: eu vou descrever aqui o que penso ser toda a trama de Prometheus, e se você ler, assistir o filme, e perceber que eu cobri ao menos 80 minutos da produção, deposite metade do custo do ingresso na minha conta bancária. Tudo escrito a partir de notícias, vídeos e fotos divulgados na mídia. Afinal, se a Fox não se importa em mostrar todo o seu filme e não quer ganhar dinheiro, eu quero. Aqui vai.
SPOILER ALERT! SPOILER ALERT! SPOILER ALERT! SPOILER ALERT! SPOILER ALERT!
O filme começa em tempos antigos. Vemos uma cachoeira e uma nave pairando no céu, enquanto observa a sua criação, o homem, nascendo e tomando forma. Após isso pulamos para o futuro, como em 2001 – Uma Odisséia no Espaço, que Ridley Scott afirma pertencer ao mesmo nível de qualidade que Prometheus. Conhecemos o trabalho da arqueóloga Elizabeth Shaw e seu namorado Charlie, e os vemos descobrindo algo incrível. Eles conseguem aprovação e financiamento de Peter Weyland para fazerem a viagem de suas vidas, junto com uma equipe altamente treinada e equipamentos de ponta. Para isso, uma fusão entre a Weyland Enterprises e a Yutani foi necessária. Já perto de chegar ao distante planeta, os protagonistas são acordados pelo robô David 8, que não precisa do sono criogênico para viajar. O casal principal discute com Meredith Vickers, uma fria burocrata. Eles apresentam a teoria de que o planeta que irão visitar é habitado por alienígenas para a tripulação da nave. Eles também mencionam que os alienígenas podem ter criado toda a vida na Terra.
Eles descem no planeta e investigam um salão lotado de pequenos compartimentos cilíndricos. Um deles estoura e infecta boa parte da equipe, matando alguns e se fundindo a outros. Uma das fusões acontece com Charlie e outra com um dos tripulantes (o cara com cabelo estranho). Eles tentam voltar à nave, mas Meredith não permite que um dos infectados entre, incinerando-o. A estratégia não mata o tripulante, que agora está agindo como um super humano, com força sobrenatural. Eles conseguem matá-lo, mas não percebem que Charlie também está infectado. Charlie e Elizabeth transam sem camisinha e ela gesta alien em seu útero. Enquanto isso, Charlie começa a ser dominado pela nova criatura que infecta seu corpo, se transformando em um monstro. Ele mata a maioria dos tripulantes, mas Elizabeth o mata. Ela então faz um aborto improvisado com uma das máquinas de cirurgia da nave, e volta ao salão para pegar um novo espécime.
Neste meio tempo, é descoberto que existe uma outra forma de vida alienígena e inteligente naquele local. Os antigos deuses, que criaram a vida na Terra querem punir sua criação pelo roubo dos espécimes. Meredith avisa Janek, piloto da Prometheus, que os deuses vão matar a Terra, e que eles precisam matá-los primeiro. Meredith escapa da Prometheus antes que Janek possa bater o veículo contra a nave em forma de semicírculo dos Deuses. Prometheus bate na nave alienígena, as duas caem na superfície do planeta alienígena, Meredith e Elizabeth infectam os Deuses com um novo tipo de Alien, morrem no confronto e pronto. Fim.
SPOILER END! SPOILER END! SPOILER END! SPOILER END! SPOILER END!
E é isso. A Fox expôs quase todo o filme online, para quem quiser assistir. O que eu mais me pergunto é se algum site de notícias, sobre cinema, ainda publicará algum artigo ou vídeo afirmando que o interesse por Prometheus é grande porque ninguém sabe nada sobre ele. Será possível que o estúdio da raposa está tão preocupado que o público não entenda o que a produção quer oferecer, a ponto de espalhar novos vídeos todo dia? Não suspeito nada que, até eu terminar este texto, já tenham espalhado pelo menos mais um. Mais ainda, não me admiraria se toda trama fosse exposta e prejudicasse a experiência de assistir ao filme para muitas pessoas. E se a trama está totalmente exposta nos vídeos, o que me diz deste cartaz?

O mais interessante para mim é que ainda estou muito animado para conferir a produção. Sim, fico chateado e até perco muito da animação que me fez olhar para junho, há dois meses, e dizer que não podia estar mais longe. Mas ainda sinto vontade de assistir à grandiosidade temática e visual que Ridley Scott promete tanto. De preferência, em 3D (já que Ridley Scott está filmando desse modo, e não convertendo), na maior tela possível, e legendado. É, o texto aqui escrito parece indicar que estou indignado com a campanha. Estou, mas ainda quero muito conferir o resultado. Confuso, mas, ao menos, está de acordo com o título.
O diretor Joseph Khan [do medíocre Fúria Sobre Duas Rodas (Torque, 2004)] divulgou em sua conta no twitter uma frase interessante sobre o filme: “Se Prometheus fosse uma prostituta, ela teria feito sexo com você de graça, mas espera que você ainda pague por anal”. Pois é, pagarei pelo ingresso.
Mas temo que já gozei.
Atualização: enquanto estava escrevendo este artigo, na tarde e noite do dia 25 de Maio, o site Cinema em Cena publicou mais dois features de Prometheus. Para quem quiser, aqui está o link.
http://www.cinemaemcena.com.br/plus/modulos/noticias/ler.php?cdnoticia=44338
Não, não assisti. E não irei.
OBS: quero agradecer ao nosso Computer Doctor oficial, Tiago Costa, por este belo post. Sem ele me auxiliando, vocês só leriam o texto semana que vem. Com sorte. Obrigado, meu novo amante.
































Não sei se vale a pena comparar, mas passei por situação semelhante algumas semanas atrás. Contarei porque acho que o sentimento brochante é o mesmo.
Antes do lançamento do último videoclipe da Rihanna, foram postados vídeos de making of. Até aí, tudo bem, a diferença é que um dos making ofs mostrava a coreografia. Ainda queria ver o resultado final, mas senti que fiquei um pouco decepcionada quando o clipe realmente saiu. Revelou a maior surpresa da produção. Acabou com a “magia” da expectativa…
Já que tracei tantas comparações entre A Origem, filme que idolatro, com Prometheus, aqui vai mais uma, só que na contramão: enquanto o filme de Nolan confiou na inteligência do público, liberando trailers que nada diziam sobre sua trama, e teve o retorno esperado, receio que Prometheus e a Fox tenham medo da densidade de seu enredo e da reação que ele poderá causar no espectador. Daí o fato de tudo estar sendo tão mastigado, o que é uma pena, pois bastava olhar para trás e perceber que nós, cinéfilos, gostamos mesmo é de sermos desafiados.
Surper Curti! Não concordo também com essa mastigação toda,mas fazer o que? Vide “Dark knight rises” que de tão escondido nos trailers so aumentam a vontade do dia 20 de julho chegar!
Mal posso esperar pela estreia! http://goo.gl/NIcXL
Vou ir assistir o filme bêbado pra não lembrar de tudo que já vi D:
Caraca, o melhor post sobre o filme até agora. Mas , acredito que se liberam tanta coisa, é porque muito ainda vai acontecer. http://goo.gl/NIcXL
parabens ze, gostei
No comeco eu decidi assistir ao filme, mas na resisiti e li ospoiler, ai ja nao sei se assisto mais… kkkkkkkkkkkkkkkkk
arqueóloga Elizabeth Shaw ?..ela não era médica?..