Primeira Impressão: The Newsroom

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Posted 25 de junho de 2012 by José Aragão in Séries de TV
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Ao assistir ao piloto de The Newsroom, nova série do canal HBO, eu mal pude evitar a sensação de exaustão, uma vez que me senti como se tivesse acabado de correr uma maratona. Sim, estou mentalmente exausto, mas é tão bom me sentir assim de novo. Sentir que uma obra me obrigou a correr atrás e acompanhar o ritmo da narrativa. E fui muito bem gratificado pelo exercício.

Escrito por Aaron Sorkin, responsável por séries como The West Wing e a excelente Studio 60 on the Sunset Strip, o piloto tem todas as características da escrita do autor: diálogos afiados e inteligentes, disparados pelos intérpretes com velocidade invejável. E que diálogos! A primeira cena, por exemplo, onde o âncora do noticiário televisivo News Night, Will McAvoy (interpretado por um ótimo Jeff Daniels) está participando de um debate em uma universidade, acompanhado por dois outros profissionais. O debate gira em torno de, entre outros aspectos, como os EUA são o melhor país do mundo.

A resposta de Will, conhecido no universo da série por nunca tomar partido político ou ideológico, é um tapa na cara dos entusiasmados, ideológicos e perigosamente cegos universitários. E apenas em um discurso de entre dois a três minutos, Sorkin expõe não apenas dados relevantes sobre a posição da poderosa nação perante o mundo, como também exibe a personalidade furiosa e até esperançosa que Will tenta esconder a fim de manter sua audiência. Tudo isso embalado pela performance de Jeff Daniels, cujas repostas automáticas e tom de voz sereno escondiam o turbilhão de pensamentos e conflitos internos do personagem.

Velocidade, aliás, cai como uma luva no dia-a-dia da redação do noticiário televisivo. As informações voam e se você não puder acompanhar é possível sofrer uma queda dura. Em segundos, empregos e empregados são criados ou dispensados, matérias importantes são perdidas. E este é mais um excelente aspecto do roteiro de Sorkin.

Evitando informar a época em que o piloto se situa, o espectador automaticamente assume estar assistindo a algo situado no presente. Porém, apenas no momento em que a equipe de notícia recebe um alerta amarelo (indicando uma possível grande história), é que recebemos a informação de que a ação está se passando em 2010, mais precisamente em 20 de Abril. A notícia é o que ficou conhecido como a explosão na plataforma da British Petroleum Deepwater Horizon, no Golfo do México. O maior desastre ambiental dos EUA, e a equipe de News Night está decidindo se deve ou não transmitir o ocorrido, uma vez que, naquele momento, a notícia não parecia ter tamanha relevância.

Porém, Sorkin e o diretor Greg Mottola (que mantém visualmente o ritmo do texto, fazendo inúmeros cortes e movimentos de câmera, mas nunca perdendo do foco da cena) não mantém a ação apenas no viés jornalístico da redação. Há um embate moral relevante, representado pelo casal Will McAvoy e Mackenzie MacHale (Emily Mortimer). De um lado, temos Mackenzie, uma profissional jovem, mas experiente, argumentando que os noticiários norte-americanos estão estagnados. O público precisa de algo que os façam pensar e ela pode fazer isso com o News Night. Enquanto Will está confortável com o que conseguiu como âncora, argumentando que a audiência americana não quer um conflito e sim uma aceitação de seu ponto de vista político.

Ao final, Will aceita as mudanças e rejuvenescimento do material que Mackenzie propõe, criando um jornal mais interessante e relevante do que a audiência produziu. Não só isso, mas o embate também representa um ponto de vista de conflitos entre a ideologia da juventude e o pragmatismo da velhice. Não é à toa que Emily Mortimer parece muito mais jovem do que Jeff Daniels. E também não é à toa que Mackenzie seja uma personagem nascida nos EUA e criada no Reino Unido, dando início talvez a um interessante debate sobre a necessidade de não “estar” nos EUA para olhá-lo com bons olhos.

A produção conta também com uma direção de arte inteligente, que cria uma redação cuja tecnologia e espaços abertos, que entram em conflito com os cubículos individuais, tornam o ambiente dinâmico. E mesmo que a ênfase da análise tenha sido abordar a dinâmica entre apenas dois personagens, todo o elenco está afiadíssimo (pessoalmente, é um prazer enorme rever Sam Waterston tão bem após os anos que passou em Law & Order).

Funcionando mais como um média-metragem do que um piloto de série (a duração é de mais de uma hora), The Newsroom é engraçado, inteligente e energético, contendo uma visão ideológica e política que poucas outras obras audiovisuais contêm.

Espero que se mantenha assim por um bom tempo.

The Newsroom (EUA, 2012)
Direção:
Greg Mottola
Roteiro: Aaron Sorkin
Elenco: Jeff Daniels, Emily Mortimer, Sam Waterston, Alison Pill, Thomas Sadoski, John Gallaher Jr., Dev Patel



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About the Author

José Aragão

José Aragão, 23 anos, maceioense, futuro escravo branco (estudante de jornalismo) e cinéfilo com forte fetiche por filmes de terror. Está tentando fugir do concurso público por enquanto, mas sabe que logo logo, terá de correr atrás de um. Espera um dia conseguir um pagamento maior do que um salário mínimo escrevendo ou criando arte. Ah! E fez o curso de Crítica Cinematográfica de Pablo Villaça, onde apenas conseguiu tirar uma foto tremida com o ídolo.

One Comment


  1.  
    Lana

    Ótimo texto!! Nossa eu adoro séries que envolvem drama e comédia como The Newsroom, protagonizada pelo talentoso Jeff Daniels e com diálogos rápidos e geniais do premiado Aaron Sorkin. Estou ansiosa pela estréia.





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