Crítica | The Walking Dead: 3X01 – Seed

A tão esperada terceira temporada de The Walking Dead começou e já podemos perceber que os produtores resolveram cortar o supérfluo e trabalhar o essencial. Numa première poderosa, tivemos a apresentação do cenário principal deste ano (o presídio, um arco espetacular dos quadrinhos), a definição psicológica de algumas personagens para esta fase da série e a aposta em alguns recursos narrativos que se permanecerem podem realmente fazer com que essa temporada se torne um evento a ser aplaudido nessa Fall Season.

Seed. O título do episódio talvez nos dê algumas pistas para o que é pretendido neste terceiro ano de TWD, de forma verdadeira e de forma irônica. Por mais que nos traga ação de tirar o fôlego logo na primeira sequência, o episódio centra-se na observação da vida e sua oposição com a morte, nesse caso, com os zumbis. Não é à toa que a abertura surge da íris de um walker e em seguida vemos a ação do grupo de Rick “limpando” uma casa de ameaças. Há mais silêncio e mais ação. Sem diálogos explicativos e traminhas para encher linguiça, a temporalidade é melhor trabalhada, algo que só tem a acrescentar à série.

A chegada do grupo ao presídio conta com a ótima direção de Ernest Dickerson, que o tempo inteiro procura deixar em evidência a ameaça e o perigo que todos correm, não dando espaço para descanso ou ausentando os zumbis do foco da câmera. Até no único momento de paz do episódio, quando Maggie e Emily cantam The Parting Glass, podemos ver os walkers em profundidade de campo, como se nos lembrassem de que a canção é apenas uma fuga milimétrica de todo o horror em torno deles.

Além de acertar a mão na tomada do presídio, Dickerson dirige excelentes cenas no interior do prédio, lembrando-nos bastante um filme de terror, se levarmos em consideração toda a atmosfera em volta, fotografada e montada com perfeição. O interessante nesse ponto é que as diferenças em relação aos quadrinhos não afetam os fãs, simplesmente porque o trabalho de adaptação é bem feito, de modo que consegue guardar a essência de sua fonte e criar algo novo em cima disso. Espero fervorosamente que esse seja o caminho trilhado durante toda a temporada.

Uma das coisas que mais me incomodou na temporada passada foi a chatice de Carl, ou melhor, o modo como o roteiro da temporada fez com que ele ficasse chato. Neste episódio, a mudança de personalidade do garoto é clara. Não apenas porque o ator, Chandler Riggs, está crescendo, e se mostra fisicamente diferente, mas porque ele deixou de pentelhar e está agindo conforme pede a situação (tal como nos quadrinhos). T-Dog continua inútil para a trama geral (pelo menos por enquanto) e o marriage “fight” game entre Rick e Lori foi revertido: agora é ele quem faz o papel de “não me toque”. Nesse ponto reside uma falha que faz o casal destoar do que era – não se trata de uma mudança natural, como a de Carl, mas de uma metamorfose de comportamento – açucarando um pouco a história com a traminha familiar. Mas é como dizem, não se pode ter tudo…

Por fim, Michonne. Vivida pela bela e ótima atriz Danai Gurira, Michonne brilha em todas as cenas em que aparece. Estou profundamente feliz com a escolha da atriz para o papel e ainda mais por saber a importância que ela terá para a série daqui para frente. O duo que faz com Andrea (por enquanto, doente) é algo bom de se ver: duas super-mulheres sobrevivendo a um apocalipse zumbi. Simplesmente genial.

The Walking Dead volta em boa forma e consegue agradar muitos fãs. As reações ao episódio são as melhores possíveis. Se as sementes narrativas do que está por vir foram plantadas nesse episódio, os frutos dessa terceira temporada estarão entre os melhores dessa safra de 2012. Certamente, todos nós esperamos por isso.

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.