Crítica | The Walking Dead – 3X02: Sick

Bill Gierhart, o diretor desse episódio de The Walking Dead, não deve ter assistido nenhum outro capítulo da série e Nichole Beattie, a roteirista, achou que estava escrevendo um episódio da segunda temporada, onde quase nada fazia sentido e o caos narrativo parecia reinar. Podem haver outras explicações, mas elas devem ser tão estúpidas quanto essas. Sim, porque estupidez seria a palavra correta para designar a guinada que aconteceu neste segundo episódio de TWD, um verdadeiro balde de água fria na fervura da première deste ano.

Em primeiro lugar, é importante falarmos de continuidade. Ora, não é preciso uma definição professoral para se chegar a um entendimento básico do que significa esse recurso de roteiro e/ou montagem. No caso de séries de TV, a continuidade narrativa é algo extremamente importante. Ela pode existir de maneira estrutural, como nas sitcom (séries do tipo The Big Bang Theory), onde cada episódio conta uma história mais ou menos fechada, mas há sempre características, padrões e mudanças que se mantém durante toda a série. E há também a continuidade plenamente narrativa, aquela que acontece de episódio para episódio, a mais difícil e necessária de ser feita, senão a série perde o sentido. Bem, foi exatamente isso que diretor e roteirista ignoraram neste segundo episódio de TWD.

Enquanto em 3×01 – Seed tivemos em montagem paralela duas grandes frentes de ação, a tomada do presídio e o avanço de Michonne e Andrea pelas redondezas, nesse segundo episódio tivemos que suportar 43 minutos de acontecimentos dentro do presídio! Qualquer um que fizer um julgamento rápido verá que os temas do episódio anterior foram muito mais importantes do que este e tratados com mais rapidez, ou pelo menos com melhor abordagem do que neste capítulo. Desde quando a tomada da prisão é mais importante que o trato com os presos lá dentro? Logo, por quê foi possível mostrar histórias paralelas no primeiro episódio e não neste? A resposta é simples: roteiro mal escrito e direção canhestra.

Para piorar, Bill Gierhart achou que seria a coisa mais interessante do mundo colocar alguém observando Carol cortar a barriga de uma zumbi morta, treinando para o parto de Lori. A ideia não foi só absurda mas tremendamente mal feita. Em câmera subjetiva e com dois takes intercalados, percebemos que há alguém observando a cena. Quem é essa pessoa não importa. O que importa é que num episódio unicamente centrado dentro de um prédio a única cena fora dele (entendam bem o que quero dizer aqui) acontece em câmera subjetiva e não passa de 10 segundos na tela. Que tipo de diretor faria uma coisa dessas? Só o Sr. Bill Gierhart mesmo…

Há quem defenda o episódio, dizendo que era necessário fazer algo unicamente com esse grupo para inserir a turma de Woodbury no próximo. Bem, o fato de termos uma única trama sendo trabalhada em um episódio não é o problema em si. Só existe de fato um problema quando essa trama é absolutamente insignificante para que receba um episódio inteiro para ela! Eu nem queria trazer os quadrinhos à tona, mas é necessário citar que se tivessem tido a inteligência de adaptar algo mais próximo da história original e parassem de inventar coisinhas como o latino de olhar psicopata, as coisas poderiam ser diferentes e algo muito mais substancial poderia aparecer na tela.

De uma estreia de temporada brilhante, TWD passa para um episódio patético em sua concepção. Pelos teasers do terceiro episódio fica claro que não haverá uma repetição dessa bobagem, mas eu e meio mundo de espectadores esperamos que esta seja a única insanidade narrativa dessa terceira temporada. Que os deuses zumbis nos ouçam!

Até o próximo episódio!

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.