Crítica | The Walking Dead – 3X03: Walk With Me

Vejam só quem apareceu para o café!

Dependendo de qual lado do muro você esteja, em Walk With Me, a exclamação acima pode ter um significado diferente, cada um deles dotado de surpresa. Por um lado, Andrea e Michonne são levadas para o povoado de Woodbury, e não poderiam estar mais espantadas com o que tudo aquilo significa – embora Michonne não seja muito de demonstrar qualquer sentimento, permanecendo apática e desconfiada de tudo e de todos em tempo integral. Já Andrea faz a personagem social e brinda à Civilização com o Governador, questiona o funcionamento do povoado, sonda possibilidades. A dualidade entre ela e sua parceira é algo dramaticamente bom de ser visto, embora eu tema pelo tratamento que os roteiristas darão a Michonne daqui para frente.

Por outro lado, o Governador e Merle são (re)apresentados ao público, praticamente fechando o ciclo de novos protagonistas dessa temporada – pelo menos tendo os quadrinhos como base, embora uma ou outra possa aparecer na série, visto que a adaptação não segue os quadrinhos à risca. Os dois são personagens ambíguos, de caráter dúbio e postura que não inspira muita confiança. Embora sejam bem representados, é importante dizer que David Morrissey se destaca, encarnando um Governador muito interessante e psicologicamente instigante, dentro daquilo que os produtores definiram o que seria o Governador na série. E explico.

Nos quadrinhos, o Governador é visivelmente repelente. É aquele tipo de pessoa que classificamos como “nojenta” só de olhar. As suas características morais e éticas são apenas a confirmação do que ele aparenta ser. Todavia, os produtores de TWD acreditaram que seria mais interessante para a série apresentar um governador limpo, um líder bem asseado. A escolha certamente veio com a intenção de aumentar o choque a partir do momento que surgirem as verdadeiras características do homem, aquela coisa do “eu não esperava isso!”, é já vemos tal caminho sendo trilhado ao final desse episódio, aliás, o motivo para o abrupto cliffhanger que nos empurra para o 4º capítulo. Eu ainda me divirto imaginando Tom Savini ou John Hawkes no papel, mas dentro dessa reformulação da personagem para caber melhor à série, David Morrissey caiu como uma luva e interpreta muito bem o seu papel.

Com toda história centrada em Woodbury, tivemos aqui um melhor desenvolvimento narrativo que o do episódio passado, justamente porque as sequências aqui apresentadas fazem total sentido para a trama, seja para a cadeia de eventos, seja para a apresentação e construção psicológica das novas personagens. Agora com todos os pontos mostrados, resta a volta de episódios com o nível de qualidade igual ou superior à estreia dessa temporada. Não falo de semanas com maior ação ou narrativas paralelas, mas de desenvolvimento corrente da trama, não apenas apresentações, como é comum acontecer a cada ano em séries desse porte.

Senti falta de uma maior presença da fotografia e da direção de arte aqui. Embora a maravilhosa ambientação do “quarto de entretenimento” do Governador seja um exemplo a ser citado e aplaudido, não vemos nada de extraordinário da equipe técnica na maior parte do capítulo. Já o pessoal de maquiagem continua com suas ótimas caracterizações dos zumbis, dando verdadeiras identidades a eles, algo realmente muito bom de se ver.

Pelo que pude entender do teaser ao final do episódio, na semana que vem teremos uma história focada no presídio. Pelo menos é o que me pareceu. Será que vão fazer o joguinho de “um episódio para cada ambiente” até que tudo se junte?

É o que veremos.

Até a próxima semana!

LUIZ SANTIAGO. . . .Depois de recusar o ingresso em Hogwarts, fui abduzido pelo Universo Ultimate. Lá, tive ajuda do pessoal do Greendale Community College para desenvolver técnicas avançadas de um monte de coisas. No mesmo período, conheci o Dr. Manhattan e vi, no futuro, Ozymandias ser difamado com a publicação do diário de Rorschach. Hoje costumo andar disfarçado de professor, mas na verdade sou um agente de Torchwood, esperando a TARDIS chegar na minha sala de operações a qualquer momento.