Crítica | Vingadores: Os Heróis Mais Poderosos da Terra – Série Completa

estrelas 4,5

Cancelada intempestivamente pela Marvel ao final da segunda temporada, a série animada Vingadores – Os Heróis Mais Poderosos da Terra é uma daquelas preciosidades que conseguem agradar tanto crianças quanto adultos; tanto fãs dos quadrinhos, como gente que detesta HQs (e que, por isso, deveriam procurar um analista…). Espero, apenas, que a vindoura série substituta, Avengers Assemble, prometida para julho de 2013, mantenha a qualidade.

Para crianças, a série apresenta todos os heróis coloridos que os baixinhos querem ver. Não há nenhuma tentativa dos showrunners em criar algo sombrio, galgado na realidade ou pesado e violento, como é moda hoje em dia. É um desenho old school, para divertir mesmo de forma descompromissada se assim você quiser.

Mas só se você quiser. Para os mais velhos e adultos que não se vestirem com a fantasia de “adultos chatos que não podem ver desenhos em geral, especialmente de super-heróis”, há uma outra camada nessa proverbial cebola. É a camada da continuidade, que serve de fio narrativo do primeiro ao último episódio de cada temporada. Na primeira, esse fio, muito apropriadamente, é Loki, meio-irmão de Thor e deus das travessuras na mitologia nórdica. Ele não só, por suas ações, acaba forçando a reunião do Homem de Ferro, Homem Formiga, Vespa e Hulk (o Capitão América vem alguns episódios depois), como cria situações que, mesmo não presente o tempo todo, permite a ignição de diversas histórias interessantes que se mantêm até o final.

Além disso, há muita calma no desenho. Mas fique tranquilo, não é que não haja ação em cada curto episódio. Há muita. Apenas me refiro ao fato que os Vingadores não são reunidos assim do dia para a noite e o desenho mostra isso, introduzindo cada um dos heróis de maneira apropriada, a começar, claro, pelo Homem de Ferro, cuja fortuna permite o custeamento de um grupo dessa natureza e cujas ações em resposta aos ataques de Loki efetivamente levam à formação da equipe.

E, para os fãs dos quadrinhos que conhecem o grupo muito antes dele se tornar a vedete dos filmes de super-heróis, há muita coisa também para apreciar e tanto do lado clássico quanto do lado moderno. É que osshowrunners, para darem estofo à narrativa, realmente mergulharam profundamente na mitologia da equipe e conseguiram, de maneira magistral, graças à qualidade da maioria dos roteiros, extrair a essência dos arcos e eventos mais importantes envolvendo o supergrupo.

Sem complicar as histórias mais do que necessário, os roteiristas adaptaram desde a narrativa clássica da criação do supergrupo, com Loki dominando o Hulk, até sagas recentes como Invasão Secreta em que os Skrulls tentam dominar a Terra infiltrando-se entre os heróis e autoridades do mundo todo. No meio do caminho, eles introduzem novos heróis, como o Gavião Arqueiro, Viúva Negra, Pantera Negra, Miss Marvel, a versão original do Capitão Marvel, Falcão, Visão, além de participações esporádicas do Homem-Aranha, Quarteto Fantástico, Wolverine, Punho de Ferro, Luke Cage e até mesmo dos Guardiões da Galáxia. A galeria de vilões é igualmente respeitável, com grupos mais “idiotas” como a Sociedade da Serpente, passando pelas organizações criminosas I.M.A. e Hydra e culminando com uma galeria de “notáveis” que impressionariam qualquer um: Caveira Vermelha, Hulk Vermelho, Soldado Invernal, Aniquilador, Madame Hydra, Barão Von Strucker, MODOK, os Kree, Kang e até Galactus.

O melhor de tudo é que, apesar de manterem o tom leve de todas as histórias, os roteiristas conseguem respeitar as personalidades de cada herói, trabalhando dilemas éticos com a relutância de Hank Pym em se manter no grupo e seu distúrbio de múltipla personalidade (a entrada do Jaqueta Amarela foi, confesso, extremamente nostálgica para mim), a raiva incessante do Hulk e as dúvidas que o Homem de Ferro acaba tendo com sua liderança dos heróis. E os eventos são todos eles reunidos debaixo do manto de respeito ao que foi publicado, mas com a cabeça fresca, sem que décadas de continuidade confusa na Marvel afete de verdade o produto que vemos na telinha.

Mas claro, há coisa que incomodam. Primeiro, os roteiristas têm dificuldade em dar verdadeira relevância a alguns heróis, por mais que eles estejam presentes o tempo todo nas temporadas. Ao contrário da bem construída e relevante – e longa – linha narrativa que leva o Gavião Arqueiro e a Viúva Negra a se juntarem ao grupo, vemos Janet van Dyne, a Vespa, tendo unicamente a função de ser a “reclamona” do grupo, já que ela não serve para mais nada (além, é claro, de dar ferroadas nos vilões, que a ignoram completamente em batalhas). O mesmo vale para o Capitão América, que acaba sendo subutilizado.

Nick Fury, diretor da S.H.I.E.L.D., só aparece quando especificamente conveniente para resolver um problema sem solução. E pior, ele muda radicalmente de aparência, pois a Marvel deve ter achado que seus telespectadores são burros e não conseguiriam entender direito por que o Fury da série animada para TV é tão diferente do Fury do cinema. Assim, logo no começo, somos apresentados a um Fury que se parece com o original, mas que tem pele mais escura, demonstrando a hesitação da Marvel em escolher um ou outro e, com isso, criando uma espécie de amálgama. Mais para o meio, ele desaparece e volta como o Nick Fury do cinema, certamente em razão do sucesso de Vingadores no cinema. Isso distrai e pode chatear muitos fãs e criar estranhamento aos que não fazem ideia o que está acontecendo.

Algumas linhas narrativas épicas também foram reduzidas, muito em razão do cancelamento prematuro da série. Esse é o caso, por exemplo, do embate intergaláctico entre os Kree e Skrulls, tendo a Terra no meio e, de forma mais contundente, a resolução da situação com Galactus. Em 22 minutos, o grandalhão devorador de mundos chega, faz uma baderna mundial e é derrotado. Assim, sem mais nem menos, como se ele fosse mais um vilãozinho qualquer.

A animação em si não é, também, das mais primorosas. Mesmo assim, para uma série de TV desse naipe, ela é eficiente, certamente mais do que a maioria dos desenhos animados lançados diretos em vídeo da DC.

Mas, reclamações à parte, Vingadores é um deleite para todas as gerações. Avante!

RITTER FAN. . . . Aprendi a fazer cara feia com Marion Cobretti, a dar cano nas pessoas com John Matrix e me apaixonei por Stephanie Zinone, ainda que Emmeline Lestrange e Lisa tenham sido fortes concorrentes. Comecei a lutar inspirado em Daniel-San e a pilotar aviões de cabeça para baixo com Maverick. Vim pelado do futuro para matar Sarah Connor, alimento Gizmo religiosamente antes da meia-noite e volta e meia tenho que ir ao Bairro Proibido para livrá-lo de demônios. Sou ex-tira, ex-blade-runner, ex-assassino, mas, às vezes, volto às minhas antigas atividades, mando um "yippe ki-yay m@th&rf%ck&r" e pego a Ferrari do pai do Cameron ou o V8 Interceptor do louco do Max para dar uma volta por Ridgemont High com Jessica Rabbit.