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Crítica | Chicago Med: Atendimento de Emergência – 10ª Temporada

Temporada traz breve retorno de personagens, situações caóticas na emergência e greve de enfermeiras.

por Leonardo Campos
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A décima temporada de Chicago Med: Atendimento de Emergência, drama médico criado por Dick Wolf, teve sua estreia em 2024 e concluiu em maio de 2025, sendo já renovada para uma 11ª temporada. Nessa temporada, o elenco é enriquecido pela introdução do Dr. John Frost (Darren Barnet), um pediatra que se destaca por sua abordagem calma e envolvente com as crianças. Além dele, a Dra. Caitlin Lenox (Sarah Ramos) traz uma perspectiva mais inovadora, empregando métodos não convencionais que geram conflitos com o Dr. Archer (Steven Weber). O hospital, Gaffney Chicago Medical Center, também se vê em meio a uma crise real, enfrentando a possibilidade de fechamento de outro hospital, o que provoca um aumento significativo na demanda de pacientes e cria um ambiente caótico na emergência.

Com o aumento do fluxo de trabalho, os personagens da série precisam lidar com novos desafios tanto em suas vidas profissionais quanto pessoais. A interação entre os médicos se intensifica, abrindo espaço para dramas e, potencialmente, novos romances, algo que é comum em dramas médicos. Esses relacionamentos podem complicar ainda mais as dinâmicas já tensas no hospital, especialmente em tempos de crise. A combinação de novos personagens, alta carga de pacientes e dilemas emocionais promete manter o público envolvido, enquanto os médicos do Gaffney Chicago Medical Center lutam para equilibrar suas responsabilidades profissionais com as questões pessoais que emergem no calor do momento.

Ao longo desta temporada, diversos eventos marcantes ocorrem, intensificando a pressão sobre a equipe do hospital. Em um momento dramático, um navio de passageiros sofre um acidente, levando a um influxo inesperado de pacientes no pronto-socorro, que se vê sobrecarregado. A equipe médica, já enfrentando crises diárias, precisa lidar também com novos funcionários ousados que tentam assumir o controle da situação, gerando tensão e desafios adicionais. Paralelamente, o caos do Halloween se apodera do departamento de emergência, trazendo um cenário ainda mais caótico, à medida que os médicos tentam prestar atendimento em meio à celebração.

Além das situações de emergência, há momentos profundamente pessoais e emocionais. Um dos médicos oferece apoio a uma mulher grávida que tem um filho autista, demonstrando a importância da empatia nas relações médico-paciente. Em outro episódio, um médico ajuda uma jovem religiosa que enfrenta uma gravidez ectópica, destacando as intervenções delicadas que a equipe precisa realizar. Por sua vez, a segurança da diretora do hospital, Goodwin, é reforçada após ameaças online de um ex-funcionário, refletindo a tensão externa que afeta o ambiente interno do hospital. Em outra cena angustiante, um personagem luta para resgatar uma mulher e sua filha presas em um poço abandonado, exemplificando os desafios e a coragem necessários nas situações mais críticas da profissão. Esses eventos não apenas elevam a tensão, mas também aprofundam o caráter dos médicos, mostrando sua dedicação e resiliência em face da adversidade, mas como toda produção que se estende demais, o drama médico começou a perder aquela fagulha de diferencial e está reciclando suas próprias ideias anteriores.

Um dos pontos altos foi marcada pela dramática greve das enfermeiras, que colocou a diretora Sharon Goodwin em uma posição extremamente complicada. A greve, motivada por uma série de insatisfações, apresentou um potencial dramático significativo, especialmente à medida que as enfermeiras decidiram “adoecer” em massa, abandonando suas funções durante os turnos. Essa tática radical criou um clima de crise, onde Sharon teve que negociar entre o conselho do hospital, que clamava por demissões imediatas, e as enfermeiras, que enfrentavam hostilidade mas eram fundamentais para o funcionamento da instituição. Essa situação já delicada foi exacerbada por desafios pessoais que Sharon enfrentava, como um perseguidor e problemas em seu relacionamento devido a segredos, tornando sua posição ainda mais precária.

No episódio intitulado “Invisible Hand”, a pressão sobre Sharon culminou em um momento decisivo. Ao se deparar com a ameaça do conselho de substituir as enfermeiras, ela tomou uma atitude drástica ao afirmar que também pediria demissão caso as demissões ocorressem. Com essa declaração, Sharon reafirmou a importância das enfermeiras, chamando-as de “o sangue vital do hospital” e colocando sua carreira em risco para defender a equipe. Essa ação crucial não só destacou sua lealdade, mas também aumentou a tensão com o conselho, especialmente com Miranda, que desconsiderou a seriedade da ameaça. Embora a resolução do conflito tenha sido rápida e criticada por muitos fãs por não explorar adequadamente a profundidade do tema, o momento em que Sharon se posicionou ao lado das enfermeiras serviu como um ponto alto da temporada, abrindo novas possibilidades para o desenvolvimento da narrativa e dos relacionamentos entre os personagens.

Dez anos após sua estreia, Chicago Med enfrentou desafios significativos com a saída de atores do elenco original, resultando em uma série de despedidas emocionantes ao longo das temporadas. Neste cenário complicado, apenas três atores do elenco original permanecem na trama: S. Epatha Merkerson, Oliver Platt e Marlyne Barrett. Para preencher as lacunas deixadas por essas saídas, a série incorporou dois novos reforços. A mudança não se limita apenas ao elenco, já que um novo showrunner, Allen MacDonald, assumiu a liderança criativa da décima temporada. Com uma sólida experiência em outras produções hospitalares, como ER: Plantão Médico, MacDonald traz uma rica bagagem ao projeto, tendo desempenhado funções desde assistente até roteirista em sua carreira inicial, permitindo-lhe compreender profundamente o processo criativo.

A situação do elenco se tornou crítica em 2024, com os contratos dos três remanescentes chegando ao fim, o que gerou ainda mais urgência nas negociações. Nos últimos anos, a série já perdeu quatro atores originais, incluindo Yaya DaCosta, Torrey DeVitto, Nick Gehlfuss e Brian Tee, além de Dominic Rains, que deixou a produção após cinco temporadas. Com o temor de uma saída em massa, os produtores tiveram que agir rapidamente para garantir a continuidade do trio principal: Merkerson, que interpreta Sharon Goodwin, administradora-chefe do hospital; Platt, no papel do Dr. Daniel Charles, chefe da psiquiatria; e Barrett, que dá vida à enfermeira Maggie Lockwood no departamento de emergência. Graças a negociações bem-sucedidas, o casting básico se manteve, dando aos fãs da série um alívio em meio à transição e mudanças no elenco, enquanto a série continua sua trajetória no difícil mundo dos dramas médicos.

O showrunner Allen MacDonald compartilhou ideias, durante entrevistas, sobre a preparação do arco principal da décima temporada, destacando o tema central que permeia os novos episódios: a solidão e a luta para combatê-la. Em sua declaração, MacDonald reconheceu que, embora o conceito possa parecer deprimente à primeira vista, sua interpretação é, na verdade, cheia de esperança e emoção. O Dr. Daniel Charles, vivido por Oliver Platt, será um dos protagonistas dessa narrativa, enfrentando sua própria batalha contra a solidão ao longo da temporada. A abordagem do tema permitirá que os personagens explorem questões profundas sobre como lidar com a solidão e a importância de permitir que os outros se aproximem em momentos de vulnerabilidade e dor. Com essa premissa, a temporada promete proporcionar um olhar íntimo e reflexivo sobre a experiência humana e as complexas relações interpessoais dentro do ambiente hospitalar. MacDonald enfatizou que o foco na solidão se tornará mais único e ressonante ao ser explorado através das jornadas individuais dos personagens, entregando assim uma temporada que não só abordará as dificuldades relacionadas à solidão, mas também celebrará a esperança e a conexão humana em tempos desafiadores.

Essa estratégia proporcionou momentos de intensa emoção e relevância emocional, aumentando o impacto da narrativa dentro da série, mesmo que escolhas ousadas tenham que ser tomadas para que o drama médico não sofra a mesma maldição do tedioso caminho adotado pela atualmente constrangedora Grey’s Anatomy.

Chicago Med: Atendimento de Emergência – 10ª Temporada (Chicago Med, Estados Unidos/2024-2025)Criação: Matt Olmstead, Dick Wolf, Allen MacDonald Direção: VáriosRoteiro: VáriosElenco: S. Epatha Merkerson, Oliver Platt, Guy Lockard, Jessy Schram, Steven Weber, Marlyne Barrett, Luke MitchellDuração: 43 min. (Cada episódio – 22 episódios no total)

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