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Crítica | Continuum – 1X02: Fast Times

por Luiz Santiago
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Uma sensível queda aconteceu de A Stitch in Time para esse segundo episódio de Continuum. Se na abertura da série lidamos com um organismo complexo e muitíssimo vivo, aqui temos um episódio de visível preparação para o futuro, o que não deixa de ser interessante, mas que não causou tanto impacto quanto o anterior. A inserção do drama sentimental veio com força inesperada e o roteiro do criador da série, Simon Barry, juntamente com Jeff King (de White Collar) conseguiu trabalhar a contento a ação e o toque melodramático materno que atingiu Kiera Cameron. O meu primeiro temor aparece aqui, e espero que a história do tempo e a crítica política e social não sejam postas de lado para que as questões familiares venham à tona e transformem Continuum em uma novela de qualidade visual interessante.

A manutenção de uma sequência lógica no presente foi mixada a sequências que ainda não sabemos se estão situadas no passado ou no futuro (possível ou real), elementos que realmente seguraram o episódio. Aqui, o diretor Jon Cassar foi incisivo nas filmagens de perseguição e tiroteios, além das cenas de investigação policial. O tom urbano que acabou dominando o episódio acomodou a visão do público com a estada dos “terroristas” e de Kiera em 2012, e de maneira muito sábia nos trouxe o momento em que ela se torna uma protetora, em um ano anterior a 2076. Essas viagens no tempo estão se tornando cada vez mais interessantes, e espero que sejam profundamente exploradas nos próximos episódios.

Por falar em interessantes viagens no tempo, tivemos aqui a tentativa do grupo de “terroristas” de voltar para o futuro, mas não para o ano de onde vieram e sim de 2071, cerca de 6 anos antes do ponto de partida da série! Segundo o engenheiro Lucas, esse era “o ano onde eles deveriam estar”. A dança do tempo está se estruturando na série. Até agora, temos a seguinte organização:

2076 – Os “terroristas” atacam a sede do governo corporativo, matando também centenas de inocentes. Por esse atentado, são condenados à morte.

2077 (ou 2078?) – Os “terroristas” entram em uma sala para serem executados. Mas ao fazer uso de um dispositivo, voltam no tempo e trazem, por acidente, a protetora (policial) Kiera Cameron.

2012 – Ano de chegada do grupo. Eles tentam voltar no tempo, mas Kellog não concorda em ir, e resolve lutar contra o governo começando uma vida de cidadão comum.

2071 – Ano em que eles deveriam ter chegado, segundo o engenheiro Lucas.

Para dois episódios, convenhamos que é um interessante e promissor arcabouço de possibilidades. Quanto a isso, destaco dois fatos: a estada de Kellog longe do grupo original e o misterioso padrasto de Alec. Parece que o primeiro vai servir como elemento surpresa no final da temporada, tendo já arquitetado algum plano para minar o poder das corporações e mudar os rumos do governo. No segundo caso, tenho um pressentimento de que alguma coisa nos reserva esse cara. O mais interessante é que, sabendo quem é Alec no futuro, não dá para imaginar o que pode ser feito. Só espero que não seja algo nem perto do mimimi de perda total de pesquisas e tecnologia, como aconteceu com o gênio incompreendido de Terra Nova.

Não digo que a incursão de um ponto sentimental (e materno) no episódio diminuiu sua qualidade. Ao contrário, vejo que o diretor e o roteiro conseguiram lidar bem com as duas coisas, mesmo tendo uma sensível queda em relação ao Piloto. Tratando-se de um episódio de estruturas, como deverá ser o próximo episódio também, não era de se esperar que fosse diferente. Mas é preciso ficar atento, pois o tempo foge, e perdê-lo pode significar uma terrível tragédia no futuro ou um grande desperdício do passado.

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