Home TV Crítica | Copper – 1X01: Surviving Death

Crítica | Copper – 1X01: Surviving Death

por Ritter Fan
3 views (a partir de agosto de 2020)

A BBC America era apenas um braço de sua matriz britânica nos Estados Unidos. Agora, porém, com sua primeira produção original, Copper, que estreou no último domingo, a empresa tenta galgar seus primeiros passos em novo e inexplorado território.

Normalmente, quando ouvimos falar no nome BBC, o ligamos a conteúdo de absoluta qualidade, como a recente e fantástica versão de Sherlock Holmes, batizada simplesmente de Sherlock, o excelente e imortal clássico Doctor Who e seus spin-offs, bastiões da comédia britânica como Yes, Minister e Fawlty Towers e várias outras séries igualmente imperdíveis.

Era de se esperar, então, que, no ingresso da produtora britânica em território americano, a oferta fosse irretocável. No entanto, Copper, pelo menos em seu primeiro episódio (de um total de dez), desaponta.

Mas, antes de tratar dos pontos negativos, há que se fazer justiça e chamar atenção ao que a série oferece de bom. E o primeiro aspecto que merece destaque é a reconstrução de época. Passada na Nova Iorque do ano de 1864, portanto, em plena Guerra Civil americana e logo depois dos chamados draft riots, que foram os graves tumultos causados após a libertação dos escravos pelo então Presidente Lincoln por aqueles que queriam a manutenção da escravatura. Dizem que esses tumultos foram fomentados pelos imigrantes irlandeses do bairro Five Points (exatamente onde se passa o filme), que não queriam enfrentar a “concorrência” dos afro-americanos recém-libertados. Lembram-se de Gangues de Nova Iorque, filme de Scorsese, de 2002? Pois bem, a série se passa exatamente no mesmo local e mais ou menos na mesma época.

E o trabalho de caracterização da época em termos de cenários e figurinos é de tirar o chapéu. Retratando Five Points com um caótico e apertado local, muito semelhante à uma favela, os showrunners Tom Fontana (de parte da série Os Bórgias) e Will Rokos (de Southland) conseguem, de forma muito eficiente, passar a claustrofobia e o perigo latente da região, assim como transmitir o clima de tensão. Os figurinos, fiéis à época até os detalhes das estranhas barbas dos personagens, são como devem ser em um trabalho desse tipo: vividos, sujos e amarrotados, mesmo quando vemos a aristocracia.

No meio disso tudo, somos apresentados ao Detetive Kevin Corcoran (Tom Weston-Jones), imigrante irlandês e herói de guerra, que tenta impor – atirando primeiro e perguntando depois – a paz na região. Em princípio, a história seria apenas mais uma de “polícia e ladrão”, mas a época em que se passa e, principalmente, os métodos de Corcoran, criam um conjunto muito interessante e chamativo. E o estopim dramático da série é o assassinato de uma menina com ligação – ainda que tênue – ao personagem principal. Vemos, de maneira tosca e simplista, o início das técnicas de análise de cena do crime (C.S.I.) e certo arrojo na utilização de determinados personagens. Por exemplo, o próprio Corcoran é um sujeito que dificilmente gostamos à primeira vista, não só pela forma como ele é caracterizado, mas, também, pela forma como ele nos é apresentado, em meio a uma tentativa de assalto a um banco. O mesmo vale para o médico legista não oficial que Corcoran usa, o Doutor Matthew Freeman (Ato Essandoh), que o atende com muita má vontade e nunca realmente se comunica com o espectador.

No entanto, depois da cena de abertura com o já mencionado assalto ao banco em que Corcoran, seus assistentes e a menina (que viria a ser uma vítima) são apresentados, a falta de empatia de Tom Weston-Jones começa a incomodar demais. Sua impassividade corporal nas mais diferentes cenas leva a crer que, talvez, ele não seja o melhor ator para a série e isso pode ser muito problemático se a situação não mudar. O mesmo vale para os asseclas de Corcoran, que acabam sendo quase que um personagem só dividido em dois ao ponto de ser difícil identificar quem é quem em determinadas cenas, apesar de suas evidentes diferenças físicas.

O problema com a caracterização, porém, talvez venha mais da quantidade de atributos ligados à Corcoran do que do ator em si. Afinal de contas, além de veterano de guerra e irlandês, o detetive usa técnicas não aprovadas oficialmente e assume sua autoria, foi um pugilista de renome, sua esposa desapareceu e sua filha pequena morreu. Tudo isso é jogado em nossos colos em parcos 45 minutos, juntamente com a trama de assassinato que coloca a aristocracia da 5ª Avenida em choque com a classe proletária do pobre bairro de Five Points.

A quantidade de informações por minuto e a predileção por algumas cenas de ação e por outras típicas – e, portanto, clichês – de séries policiais atuais, também impede qualquer tentativa de desenvolvimento dos personagens e da história, que fica confinada demais a um evento e sua um tanto inacreditável – e muito facilitada – resolução.

Apesar de Copper, pelo menos em seu primeiro episódio, passar longe de séries como Deadwood, pode ter potencial, pois a BBC America optou por uma estrutura de arco para a temporada e não de um caso por episódio. Isso deve evitar a repetição de situações à exaustão e um maior desenvolvimento da trama iniciada com o primeiro episódio, com um bom recheio de instigantes situações envolvendo imigração, tensão social e intolerância.

É esperar para ver.

Copper: 1×01 – Surviving Death (Estados Unidos, 2012)
Direção: Jeff Woolnough
Roteiro:  Tom Fontana, Will Rokos, Kyle Bradstreet, Kevin Deiboldt
Elenco: Tom Weston-Jones, Kevin Ryan, Ato Essandoh, Frank Potente, Kiara Glasco, Anastasia Griffith, Kyle Schmid, Dylan Taylor, Lachlan Murdoch, Tessa Thompson, Joanne Boland, Matthew Deslippe, Tany Fischer, Aaron Poole

Você Também pode curtir

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Presumimos que esteja de acordo com a prática, mas você poderá eleger não permitir esse uso. Aceito Leia Mais