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Crítica | 007 Contra o Homem Com a Pistola de Ouro

por Ritter Fan
376 views (a partir de agosto de 2020)

Depois de um começo fraco, em Com 007 Viva e Deixe Morrer, Roger Moore acaba acertando em cheio em 007 Contra o Homem com a Pistola de Ouro, graças, em grande parte, a um roteiro enxuto de Richard Maibaum, já veterano na franquia (escreveu seis roteiros antes desse) e Tom Mankiewicz, também conhecedor do universo “bondiano” (escreveu dois roteiros). Ajudou, também, o carisma da oposição ao espião: seu rival e, ao mesmo tempo admirador, é Scaramanga, vivido por ninguém menos do que o vampiresco Christopher Lee (para os mais novos, ele fez Saruman na saga O Senhor dos Anéis).

Apesar do exotismo dos lugares escolhidos para essa trama, como Hong Kong, Macau e Tailândia, o que realmente chama a atenção é a forma intimista e menor que o roteiro tem. E isso não é ruim, muito ao contrário. Saem as grandes tramas mirabolantes e entra uma história investigativa muito bem construída, ainda que com um clímax que acaba desapontando.

James Bond (Moore) é chamado por M (Bernard Lee) em seu gabinete, pois o MI-6 recebeu uma bala dourada com o codinome 007 nela. A conclusão imediata é que Scaramanga (Lee), um famoso assassino que é quase uma lenda já que só se sabe que ele usa uma pistola de ouro e que cobra um milhão de dólares por serviço, quer matar o espião britânico. M manda Bond ou pedir demissão (afinal, um espião caçado não serve para nada, não é?) ou tirar umas férias. Isso só faz com que ele, claro, decida ir atrás de Scaramanga para resolver o problema de uma vez por todas. Há ainda a questão da recuperação de uma aparato de energia solar chamado Solex, mas isso é amarrado à trama principal ao ponto de ela tornar-se quase insignificante no filme.

Bond, em sua investigação – orgânica e bem inserida no filme – começa com a bala, passa por Moneypenny (Lois Maxwell), vai a Beirute para retirar uma bala de ouro do umbigo de uma dançarina e, depois, para Macau para conversar com um fabricante de armamentos. E a trama evolui ainda mais, com Bond conhecendo Andrea Anders (a bela Maud Adams, que voltaria no papel principal feminino em Octopussy) e seguindo para a ilha secreta de Scaramanga.

A única extravagância do filme – mas benigna – é a base secreta britânica dentro do Queen Elizabeth afundado na baía de Hong Kong. O navio, adernado, permite o engenhoso uso de cenários práticos todos na diagonal que, apesar de estranhos à primeira vista, são tecnicamente brilhantes e isso sem contar com o paralelismo que cria com o “parque de diversões” de Scaramanga que abre e fecha o filme.

Sem muito espaço para brincadeiras, Moore faz um James Bond mais sério e determinado, lembrando às vezes Sean Connery. É claro que seu lado mais cômico chega a transparecer em alguns momentos, mas não é nada que descaracterize o personagem.

Guy Hamilton, na direção de seu quarto e último 007, volta à forma que mostrou em Goldfinger. É curioso notar que os dois melhores filmes de Hamilton na série tem ouro como pano de fundo e os dois vilões carregam pistolas do vil metal (sim, reparem bem que Goldfinger usa um revólver dourado). Com uma câmera econômica, bem posicionada e com uma edição enxuta e eficiente, evitando cenas desnecessariamente longas, Hamilton entrega uma fita bem ajustada. Não que não haja escorregões aqui e ali, como na cena de perseguição de barco e carro que tem até a volta do indigesto xerife J.W. Pepper (Clifton James), que aparecera em Com 007 Viva e Deixe Morrer e o uso de alguns efeitos sonoros dignos de filme dos Trapalhões. Outro problema do filme é o embate final entre Bond e Scaramanga. Os dois, em tese, são os melhores assassinos do mundo, mas tudo se dá em um cenário que lembra brinquedos da Disney World e acaba muito rápido, sem qualquer senso de perigo efetivo para Bond. Maibaum poderia ter trabalhado em um roteiro mais cativante nesse ponto, mesmo que, para isso, tivesse que pegar emprestado elementos já utilizados em filmes anteriores, como as eletrizantes lutas finais em 007 Contra Goldfinger ou 007 Contra a Chantagem Atômica. Mesmo assim, há elegância no final mais simples e realista.

A trilha sonora clássica de Monty Norman (o tema de Bond), com arranjo novamente de John Barry pontua o filme com exatidão, mas sem originalidade, sendo uma das mais fracas trilhas compostas por Barry. E a música de abertura (com o mesmo título do filme, como de costume) não é particularmente interessante, mas vale comentar que ela foi objeto de muita indignação quando lançada em vista de seu inegável conteúdo sexual. A letra contém passagens como “ele tem uma arma poderosa”, “amor é preciso sempre quando ele é contratado” e, a melhor de todas, mas que só funciona bem em inglês: “seu olhar pode estar sobre você ou sobre mim, em quem ele vai atirar” (ou, na gíria, traduzindo o who will he bang, “com quem ele vai transar”).

007 Contra o Homem Com a Pistola de Ouro é um divertimento só, que merece estar entre os melhores exemplares da saga de James Bond.

007 Contra o Homem Com a Pistola de Ouro (The Man With the Golden Gun, Inglaterra, 1974)
Direção: Guy Hamilton
Roteiro: Richard Maibaum, Tom Mankiewicz
Elenco: Roger Moore, Christopher Lee, Britt Ekland, Maud Adams, Hervé Villechaize, Clifton James, Richard Loo, Soo-Tek Oh, Marc Lawrence, Bernard Lee, Lois Maxwell,  Marne Maitland, Desmond Llewelyn, James Cossins, Yao Lin Chen, Carmen Du Sautoy, Gerald James
Duração: 125 min.

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20 comentários

Renato França 28 de fevereiro de 2021 - 21:02

Eu acho a melhor canção tema por um filme de 007

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planocritico 28 de fevereiro de 2021 - 21:03

Acho legal, mas é mais engraçada do que boa.

Abs,
Ritter.

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Rene Had 24 de agosto de 2019 - 10:28

Nossa quanto bobagem nessa crítica. O bond acaba acertando em cheio nessa história? Nossa esse filme está entre os 4 piores da série. Um roteiro arrastado e chato, um final cocô. E ainda você diz que Espião que me amava não entra num top 10. Cara na boa, você não manja nada de 007. Deu uma viajada legal heim.

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planocritico 24 de agosto de 2019 - 14:10

É o que a “maioria” diz?

– Ritter.

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Black Mask 25 de março de 2018 - 14:58

De todos os 007 que vi até agora (11 filmes, por enquanto) esse é o piorzinho… Pouca ação, bondgirls não muito bonitas, enredo desinteressante e passagens que de tão caricatas beiram o ridículo, como James Bond lutando karatê com uns genéricos do Bruce Lee (dá vontade de vomitar ao lembrar dessa cena!). As únicas coisas que se salvam é o vilão (muito bem interpretado por Christopher Lee) e Roger Moore com sua presença e carisma únicos, que fazem dele um dos melhores intérpretes de James Bond, ficando atrás apenas de Connery e Brosnan (isso na minha opinião, é claro).

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planocritico 26 de março de 2018 - 15:56

Já eu acho esse o melhor filme com Roger Moore que, para mim, é o pior 007 até agora.

Abs,
Ritter.

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Heleno Junior 8 de novembro de 2014 - 13:49

Sem querer cortar o barato,mas a grande maioria mesmo dos fãs,considera esse um dos piores títulos do 007,e um dos piores da passagem do Moore.A trama é desinteressante,a produção ficou muito abaixo do nível da série,a canção-tema é péssima,as locações,que sempre foram um destaque,não impressionam,o excesso de humor,(Bond comete trapalhadas dignas do Renato Aragão) destoa por completo.As duas Bondgirls não são assim tão bonitas,a agente Goodnight é tão dispensável ao filme quanto o chatíssimo bobalhão,Xerife Pepper.A única coisa aqui que se salva é o vilão,o memorável Scaramanga. Há uma escassez de cenas de ação mais empolgantes,salvo a cena em que Bond cruza uma ponte dando um giro de 360 graus em pleno ar com o carango.Na época,o filme foi um belo fracasso de crítica,e instaurou uma crise na franquia,agravada ainda mais com a saída do produtor Harry Saltzman.

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planocritico 8 de novembro de 2014 - 20:01

Entendo, meu caro @disqus_v6qJSN4Sbn:disqus. Mas eu não levo em consideração “a grande maioria dos fãs” em minhas análises. Eu tento, sempre que possível, ir pelo lado técnico. Afinal, a grande maioria dos fãs e altas bilheterias são responsáveis por atrocidades como a franquia Transformers. Fã e dinheiro não fazem um filme bom. Na verdade, na maioria das vezes é justamente o contrário.

Esse filme é o melhor de Roger Moore para mim. Tem um tom sério, uma trama bem bolada e uma narrativa fluida, engajante. Acho que funcionou bem, muito diferente de outros filmes de Moore.

Abs, Ritter.

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Marcos Evangelista 12 de março de 2015 - 16:37

Como você falou,trata-se de sua opinião.Mas concordo com o Heleno,esse filme estrelado pelo Moore só não é pior que o seu último filme como 007.A história é fraca além da conta,dos personagens só se salva mesmo o Scaramanga,que a bem da verdade,promete muito e cumpre pouco,não realiza nada que o credencie ao “maior assassino do mundo”.Foi uma das produções mais pobres com o 007,imperdoável,visto que depois,ele estrelaria filmes bem mais caprichados,como O Espião Que me Amava e O Foguete da Morte.A seriedade que você menciona,se perde em cenas como o ridículo embate entre Bond e uns lutadores de karatê e as trapalhadas da Goodnight.Como fã do 007,também sou da opinião que se trata de um dos piores filmes com o herói.Mas é sua opinião,pessoalmente eu gosto muito do Foguete da Morte,que a maioria detesta

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planocritico 12 de março de 2015 - 21:11

@disqus_mbfJ3bZNWM:disqus, considerando o monte de filme ruim do 007 estrelado por Roger Moore, achei esse acima da média. Nenhuma maravilha, mas decididamente bom. Foguete da Morte eu não gosto não…

Abs,
Ritter.

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Rene Had 27 de outubro de 2015 - 16:06

Concordo Ritter, é um bom filme e que deixou sua marca na história do cinema.

planocritico 28 de outubro de 2015 - 00:08

Praticamente o único filme do 007 estrelando Moore que presta.

Abs,
Ritter.

Rene Had 27 de outubro de 2015 - 16:05

Eu discordo de você caro Heleno. OO7 contra a pistola de ouro é divertido sim e é como Plano crítico comentou, bilheteria não quer dizer sinônimo de qualidade, vide Blade Runner que foi um fracasso de bilheteria em 1982 e hoje é considerado um clássico do cinema e um dos melhores filmes de ficção do cinema. Mas voltando ao filme tudo é muito divertido, o vilão interpretado de forma eficiente por Christopher Lee está perfeito como também a participação do ator que fez Tatu no seriado “A ilha da fantasia”. As cenas de ação são eficientes e o filme ficou marcado pela cena do carro e o salto que foi numa única tentativa e que impressiona até hoje. Claro que não é melhor filme da franquia mas está bem longe de ser ruim. Esse filme marcou a infância de muita gente e pode ser considerado um clássico da franquia. Com relação as bondgirl, ambas as suecas são lindíssimas.

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planocritico 28 de outubro de 2015 - 00:09

É um filme mais intimista, bem diferente dos outros “Bonds” e isso certamente deve ter afastado muita gente que esperava “mais do mesmo”.

Abs,
Ritter.

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Gabriel Da Silva Carvalho 30 de outubro de 2016 - 02:51

Eu acho a GoodNight… Mais inteligente que uma pedra, e também não curto muito o Xerife Pepper (não curto nada, para falar a verdade), mas falar que o filme é um dos piores? Acho um exagero, eu vi e aprovei o resultado, apesar de não admirar muito o o Roger Moore no papel de Bond (Ele é como o Big Brother, muitos odeiam com todas as forças possíveis da humanidade, mas outros o amam e não me pergunte como…)

Responder
Heleno Junior 28 de agosto de 2019 - 18:54

Entre em qualquer grupo ou comunidade on line dedicada ao 007 e peça a opinião a respeito desse filme.

Responder
Gabriel Da Silva Carvalho 30 de outubro de 2016 - 02:51

Eu acho a GoodNight… Mais inteligente que uma pedra, e também não curto muito o Xerife Pepper (não curto nada, para falar a verdade), mas falar que o filme é um dos piores? Acho um exagero, eu vi e aprovei o resultado, apesar de não admirar muito o o Roger Moore no papel de Bond (Ele é como o Big Brother, muitos odeiam com todas as forças possíveis da humanidade, mas outros o amam e não me pergunte como…)

Responder
Rene Had 24 de agosto de 2019 - 10:28

Pois é. Esse Ritter fan não manja nada e ainda se acha o entendedor.

Responder
Heleno Junior 28 de agosto de 2019 - 18:54

Você entende?

Responder
Rene Had 29 de agosto de 2019 - 12:46

Sim. Com certeza

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