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Crítica: 007 Contra o Satânico Dr. No

por Ritter Fan
438 views (a partir de agosto de 2020)

1962: nove anos da primeira publicação de Ian Fleming com o personagem James Bond, mais conhecido como 007; quatro anos depois da publicação do livro Dr. No, o sétimo da série e dois anos antes do falecimento do autor por complicações causadas por um ataque cardíaco. Assim nasceu a franquia mais duradoura do cinema, com 22 filmes canônicos até agora, com mais um a ser lançado em novembro desse ano e dois filmes não-canônicos. Trata-se da segunda franquia de maior faturamento da indústria do entretenimento, atrás, apenas, da série Harry Potter (em termos absolutos, não por filme e sem contar com merchandising, obviamente).

Dr. No representa um começo acanhado mas certeiro para a longeva saga do superespião britânico.

Acanhado, pois os elementos que acabamos nos acostumando a ver em filmes posteriores, como gadgets sensacionais e cenas de ação de tirar o fôlego, não estão presentes aqui. Ausente está, também, qualquer semblante de uma trama muito mirabolante. É, pura e simplesmente, um plano de dominação mundial que 007 tem que impedir. Mas não se desesperem! As chamadas Bond Girls, o charme do espião e a fleuma com que ele trata tudo e todos estão presentes de forma abundante, incluindo seu Martini shaken, not stirred.

Diferente do que talvez imaginemos, 007 Contra o Satânico Dr. No (não dá para não rir com esse título exagerado em português, não é mesmo?) não é uma história de origem. 007 já é um espião formado e experiente, havendo até mesmo menções a situações anteriores vividas por ele que, porém, nunca são mostradas ou mesmo aprofundadas. A primeira vez que o vemos (vivido por Sean Connery, então com 32 anos), ele está sentado em uma mesa de baccarat (na versão Chemin de Fer mais precisamente) ganhando todas as jogadas e sendo paquerado pela primeiríssima Bond Girl, Sylvia Trench (Eunice Gayson em uma ponta). Fica latente a habilidade do diretor Terence Young em transmitir, nessa curta cena, todas as características essenciais de James Bond. Descobrimos que ele é frio e seguro de si pela forma com que joga, fala e segura seu cigarro. Percebemos a inteligência do personagem e sua capacidade de conquista.

Obviamente que Sean Connery contribuiu muito para a construção do personagem, ainda que não tenha sido a primeira escolha nem de Ian Fleming nem do produtor Albert R. Broccoli. O 007 de Connery, ainda que em Dr. No sua atuação seja mais esmaecida, atravessou o tempo talvez como o mais reconhecível e inesquecível de todos.

Sobre a trama, não há muito que falar. James Bond é enviado à Jamaica para investigar os desaparecimentos de John Strangways (Tim Moxon) e de sua secretária, ambos agentes do MI6. Ajudado pelo agente da CIA, Felix Leiter (Jack Lord), Bond logo começa a desconfiar que há algo errado em uma ilha de propriedade de um recluso chinês conhecido como Dr. No.

A primeira metade do filme, que foi feito com baixíssimo orçamento, como fica evidente em várias cenas, é todo dedicado à investigação de Bond, mas a trama é tão simplória que fica dolorosamente evidente para onde o espião deve ir logo aos primeiros 15 minutos de projeção. No entanto, só na segunda metade do filme é que ele parte para Crab Key e, então, vemos a ação se desenrolar, ainda que lentamente.

E a cadência do roteiro (feito a seis mãos) é outro detalhe que acaba não funcionando satisfatoriamente em Dr. No. A história não tem substância para sustentar os 110 minutos de projeção, o que levou à um vai e vem dos atores que não impulsiona efetivamente a trama. Não que as cenas sejam completamente inúteis, mas o senso de urgência e perigo que sentimos nos primeiros minutos do filme acabam sendo diluídos com diversas tentativas de assassinato do espião, ao ponto de até o roteiro brincar com essa situação mais para a frente.

Tanto o próprio Dr. No (Joseph Wiseman, um ator de feições ocidentais fazendo um oriental, algo comum na época) quanto a inesquecível Honey Ryder (Ursula Andress) só entram efetivamente no filme faltando 40 minutos para ele acabar, o que impede um desenvolvimento melhor desses personagens (mas que entrada Andress tem!). É bem verdade que vilões e mulheres na franquia de 007 tendem a ser unidimensionais, mas, aqui, esse “defeito” acaba sendo exacerbado.

Mas, no balanço final, 007 Contra o Satânico Dr. No é uma ótima introdução ao universo de Ian Fleming e um bom divertimento. A franquia do espião, porém, depois do sucesso do primeiro filme, rapidamente chegou a produzir excelentes filmes, que serão comentados aqui no Plano Crítico nos próximos meses.

007 Contra o Satânico Dr. No (Dr. No, Inglaterra, 1962)
Direção: Terence Young
Roteiro: Richard Maibaum, Johanna Harwood e Berkely Mather
Elenco: Sean Connery, Ursula Andress, Joseph Wiseman, Jack Lord, Bernard Lee, Anthony Dawson, Zena Marshall, John Kitzmiller, Eunice Gayson, Lois Maxwell, Peter Burton, Louis Blaazer e Tim Moxon
Duração: 110 min.

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11 comentários

tadeucesarcostadosreis 14 de fevereiro de 2020 - 20:56

Muito bom filme que prova que mesmo com orçamento limitado ainda se pode dar bons resultados.A cena da Ursula saindo mar é ótima mas a melhor pra mim foi a do Bond matando um agente inimigo de forma bem fria que mostra como esse serviço dele é pesado mesmo que ele seja o mocinho da história.

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tadeucesarcostadosreis 8 de fevereiro de 2020 - 20:41

Esse filme é muito bom mesmo apesar dos efeitos precários.De certa forma o caráter de Bond foi lapidado aqui de forma exemplar com seu charme íngles e frieza diante do perigo.A cena da aparição da Ursula foi muito bom mas pra mim a melhor cena ainda foi James matando um agente inimigo a sangue frio.Essa cena mostrou bem como esse tipo de serviço é sujo mesmo que 007 seja o mocinho da história.

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tadeucesarcostadosreis 4 de fevereiro de 2020 - 11:21

Esse filme é muito bom mesmo embora não seja dos melhores da série.A cena da Úrsula saindo do mar foi muito boa mas pra mim a melhor ainda foi a cena em que Bond mata a sangue frio um agente inimigo que tentou mata-lo.Essa cena mostra bem como esse serviço de espião funciona.

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tadeucesarcostadosreis 2 de fevereiro de 2020 - 12:31

Eu gosto bastante desse filme embora não seja um dos melhores.Muita gente fala da cena da Úrsula saindo do mar sendo antológica e ela realmente é boa mas pra mim a melhor foi Bond eliminando um agente inimigo que tentou mata-lo de surpresa porque ele o eliminou friamente e ainda atirou nele no chão pra ter certeza da morte.Isso mostrou de forma eficiente como um agente assim trabalha.

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planocritico 17 de fevereiro de 2020 - 15:42

Também gosto bastante!

Abs,
Ritter.

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Isaura Luiza Paramysio 24 de julho de 2019 - 22:59

Este é o típico filme ruim qie nós releva tudo e gosta

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planocritico 25 de julho de 2019 - 05:56

Isso!

Abs,
Ritter.

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Raimundo Balby 15 de outubro de 2012 - 11:22

A cena da bond-girl Ursula Andress saindo das águas num bikini é antológica, insuperável. A estonteante Halle Berry repetiu a clássica cena em “007 Um Novo Dia para Morrer”(2002). Perdeu feio.

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Ritter Fan 15 de outubro de 2012 - 14:11

Não tem como discordar de sua afirmação! Melhor introdução de uma Bond Girl na série.

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José Francisco 30 de setembro de 2012 - 13:20

Há tempos que assisti a esse filme e quase não me recordava mais de alguns detalhes. Suas críticas me fizeram recordar de um doce tempo, em que minhas únicas preocupações eram me deliciar com algum filme do espião inglês!

Obrigado.

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ivan junior 17 de agosto de 2012 - 16:59

O bacana dos produtores da saga de James Bond é vermos, nos próprios filmes, a evolução da produção da série que influenciou o jeito de fazer filmes de ação a partir deste filme. E o mais bacana ainda é a maneira como os produtores tratam esta obra, ou seja, como um clássico. Eles não tem a mania insana de George Lucas de alterar o filme original apenas para deixá-lo “moderno”. Isto é ridículo, pois ao assistirmos as novas versões de Star Wars (dos 3 primeiros filmes) o brilho da produção original se perdeu completamente. Para mim que assistiu aos tres primeiros Star Wars no cinema e os assiste hoje é desalentador a tal ponto de não mais interessar-me neste saga. O que não ocorre co 007, pois temos a oportunidade de vermos um Cassino Royale, com Daniel Craig, e vermos os primeiros feitos com Sean Connery e fazermos uma comparação saudável da visão que os produtores tinham nos anos 60 e a que eles tem hoje em dia. Para que gosta de cinema é espetacular, pois nota-se pela evolução do personagem no cinema acompanhando a época em que ele se encontrava. Dr. No hoje é até simplorio se compararmos com as tramas atuais dos filmes de 007, mas ainda mantêm o frescor e a sensação de cinema bem feito, diferentemente de Star Wars.

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