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Crítica | 007 – O Espião Que Me Amava

por Ritter Fan
268 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3,5

Décimo filme canônico na franquia 007, a mais longeva do cinema, e terceiro estrelando Roger Moore no papel do charmoso e mortal espião, 007 – O Espião que Me Amava até que não é um filme desprezível como a maioria dos filmes de Moore como James Bond. Introduzindo um carismático capanga de vilão, o gigante com mandíbulas metálicas perfeitamente batizado de Jaws (Richard Kiel), a fita consegue equilibrar o Bond irritantemente engraçadinho de Moore com uma saudável dose de aventura camp.

Lewis Gilbert, que já dirigira uma aventura do espião (Com 007 Só Se Vive Duas Vezes), volta nessa fita, dirigindo um roteiro do então já veterano na franquia Richard Maibaum com o então novato Christopher Wood em uma história repleta de set pieces muito interessantes como Atlantis, o esconderijo submarino do vilão Karl Stromberg (Curd Jürgens) que parece algo saído do desenho dos Superamigos, o navio tanque Liparus, que captura submarinos e templos egípcios. São esses elementos que ajudam a narrativa e conseguem desviar um pouco a atenção do espectador do Bond de Moore (acho que já deu para notar que eu não sou lá muito amigo dessa versão de James Bond, não é mesmo?). Uma curiosidade interessante é que ninguém menos do que o mestre Stanley Kubrick prestou serviços de consultoria sobre a iluminação que seria usada nas sequências envolvendo o navio-tanque Liparus. Chique, não?

No início, passado no Egito, primeiro aos pés das grandes pirâmides e, depois, em um templo, James Bond enfrenta Jaws e se envolve com a major russa Anya Amasova (Barbara Bach). O grande problema é que na cena dos créditos, passada nos Alpes suíços e com uma muito bem coreografada e fotografada perseguição de esqui, Bond matara o marido de Anya e essa dinâmica de amor e ódio acaba permeando toda a fita, trazendo uma camada extra de complexidade à relação de Bond com sua Bond Girl.

Sendo despachado para investigar o desparecimento de submarinos pelo MI-6, Bond viaja o mundo usando seu famoso Lotus Esprit branco, presente de um relutante Q (Desmond Llewelyn), que se transforma em um submarino ao apertar de um botão. Aqui, novamente a fotografia de Claude Renoir funciona maravilhosamente bem, com cenas submarinas muito eficientes e bem integradas à narrativa.

No entanto, quando Bond e Amasova finalmente chegam na base de Stromberg, a ação, que deveria alcançar seu ponto alto, sofre de uma crise interminável de soluços. Gilbert insiste em estender as sequências o máximo possível, trazendo encontros e reencontros entre mocinhos e vilões confinados em Atlantis. É Stromberg de um lado. Jaws de outro. E Bond e Amasova quicando de um lugar para o outro sem muito o que fazer. Claro, pode-se dizer facilmente que é um clímax típico de filmes de James Bond, exagerado e explosivo, mas uma montagem mais enxuta e um roteiro mais seco (apesar de toda a água em volta) teria feito maravilhas a esse filme. Ah, e é claro que um Bond menos bobalhão teria funcionado melhor, mas reclamar disso é dar murro em ponta de prego.

O Espião que Me Amava diverte e surpreende com sua grandiosidade e detalhismo, além de um uso eficiente de miniaturas e efeitos práticos. Alguns retoques aqui e ali e a troca de Roger Moore por praticamente qualquer outro ator da época, teria feito esse filme ser uma inesquecível aventura.

007 – O Espião Que Me Amava (The Spy Who Loved Me, Reino Unido – 1977)
Direção: Lewis Gilbert
Roteiro: Richard Maibaum, Christopher Wood (baseado em obra de Ian Fleming)
Elenco: Roger Moore, Curd Jürgens, Richard Kiel, Desmond Llewelyn, Barbara Bach, Caroline Munro, Walter Gotell, Bernard Lee
Duração: 125 min.

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21 comentários

tadeucesarcostadosreis 28 de janeiro de 2020 - 23:10

Um dos melhores da serie na minha opinião.Tem bastante ação,vilões carismáticos e ótimas locações.No caso de Moore sou dividido porque o considero um bom ator mas tem vezes mesmo que ele exagera na comédia.

Responder
planocritico 12 de fevereiro de 2020 - 16:21

É bom sim, mas não considero um dos melhores da franquia não.

Abs,
Ritter.

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Rene Had 23 de agosto de 2019 - 11:30

Mas Ritter eu vou discordar demais de vc dessa vez, adoro suas críticas mas aqui você viajou demais. O espião que me amava é considerado um dos melhores filmes da franquia e o melhor da fase Roger Morre. E eu acho Roger Moore um ótimo Bond.

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planocritico 23 de agosto de 2019 - 11:39

He, he. Melhor da fase Roger Moore não é lá nenhum elogio…

E sim, o filme é bom como minha avaliação indica. Mas ele está LONGE de ser um dos melhores da franquia. A não ser que você esteja dizendo que ele é um dos 20 melhores da franquia. Aí realmente é… Mas não chega no meu top 10 de jeito nenhum.

Abs,
Ritter.

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Rene Had 23 de agosto de 2019 - 13:24

Ah chega no top 10 sim. Olha a avaliação dele.no Rotten Tomatoes. O filme é eletrizante e Roger Moore é melhor depois do Sean Conversar

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planocritico 23 de agosto de 2019 - 14:34

Não consigo achar isso tudo, especialmente perto de vários filmaços da franquia.

Sobre Moore ser o segundo melhor, pois é, também não acho. Ele é facilmente (facilmente mesmo) o pior Bond para mim.

Abs,
Ritter.

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Rene Had 23 de agosto de 2019 - 14:42

Para vc é pior mas para maioria das pessoas e dos críticos não. Noto que algo pessoal seu com o ator. Mas o cara é bom e o Espião que me amava é um filmaço. Um dica: coloca no Google, quais são os 10 melhores filmes de franquia 007. O espião que me amava esta em todas as listas.

planocritico 23 de agosto de 2019 - 14:50

Cara, sem querer ser chato, eu odeio “maioria”. A ditadura da maioria é irritante e, pessoalmente, insignificante. Como eu já disse, o filme é bom, mas não está no meu top 10 e Moore é o pior Bond na minha lista. A maioria – que é o mesmo “grupo” que dá notas histéricas para qualquer lixo lá no IMDb -, não serve de parâmetro para absolutamente nada.

Abs,
Ritter.

Rene Had 23 de agosto de 2019 - 15:56

Pois é, as vezes até os críticos falam bobagem.

planocritico 29 de julho de 2018 - 13:57

He, he. Eu não suporto o Roger Moore como 007, mas esse filme aí até que é bom mesmo!

Abs,
Ritter.

Responder
Anônimo 26 de julho de 2018 - 13:29
Responder
Gabriel Da Silva Carvalho 30 de outubro de 2016 - 02:29

Você odeia mesmo o Roger Moore, hein? Tudo bem, é um dos que eu menos aprecio também. O meu favorito (depois de Daniel Craig), foi Timothy Dalton, acho bem chato mesmo “Tim” só ter feito dois filmes por causa da confusão maluca que ocorreu nos estúdios, eu juro que eu queria que aquele filme que ele ia fazer tivesse saído. A minha lista de bonds favoritos pode ser classificada assim:

1= Daniel Craig
2= Timothy Dalton
3= Sean Connery
4= Pierce Brosnan
5= George Laz (sim… Ele mesmo…)
6= Roger Moore

Já deu pra ver que eu curto um Bond bem sério né?

Responder
planocritico 30 de outubro de 2016 - 14:25

@gabrieldasilvacarvalho:disqus , sempre achei Roger Moore um ator fraco, seja como James Bond, seja em qualquer outro papel. Ele não consegue se desfazer de uma camada irritante de “comicidade” em tudo que ele faz, mesmo quando o papel não pede isso…

E os filmes de James Bond dele, para mim, ficam todos embolados como os piores de toda a franquia, com apenas O Homem da Pistola de Ouro se sobressaindo.

Minha ordem de Bonds é assim:

1. Sean Connery (acho ele imbatível)
2. George Lazenby (viu? gosto mais dele ainda do que você!)
3. Daniel Craig
4. Timothy Dalton
5. Pierce Brosnan
.
.
.
.
.
.
28 – Roger Moore

Abs,
Ritter.

Responder
Rodrigo Escobar 20 de março de 2019 - 00:41

007 Somente Para Seus Olhos não se salva tbm?

Responder
planocritico 20 de março de 2019 - 14:25

É o segundo melhor com o Roger Moore.

Abs,
Ritter.

Responder
planocritico 30 de outubro de 2016 - 14:25

@gabrieldasilvacarvalho:disqus , sempre achei Roger Moore um ator fraco, seja como James Bond, seja em qualquer outro papel. Ele não consegue se desfazer de uma camada irritante de “comicidade” em tudo que ele faz, mesmo quando o papel não pede isso…

E os filmes de James Bond dele, para mim, ficam todos embolados como os piores de toda a franquia, com apenas O Homem da Pistola de Ouro se sobressaindo.

Minha ordem de Bonds é assim:

1. Sean Connery (acho ele imbatível)
2. George Lazenby (viu? gosto mais dele ainda do que você!)
3. Daniel Craig
4. Timothy Dalton
5. Pierce Brosnan
.
.
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28 – Roger Moore

Abs,
Ritter.

Responder
Gabriel Da Silva Carvalho 30 de outubro de 2016 - 02:29

Você odeia mesmo o Roger Moore, hein? Tudo bem, é um dos que eu menos aprecio também. O meu favorito (depois de Daniel Craig), foi Timothy Dalton, acho bem chato mesmo “Tim” só ter feito dois filmes por causa da confusão maluca que ocorreu nos estúdios, eu juro que eu queria que aquele filme que ele ia fazer tivesse saído. A minha lista de bonds favoritos pode ser classificada assim:

1= Daniel Craig
2= Timothy Dalton
3= Sean Connery
4= Pierce Brosnan
5= George Laz (sim… Ele mesmo…)
6= Roger Moore

Já deu pra ver que eu curto um Bond bem sério né?

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arnaud 8 de agosto de 2014 - 10:09

O critico é obviamente um fã de Sean Connery então é a famosa “viúva sem defunto” que deve preferir qualquer filme contanto que tenha o Bond “original”. Quer vê-lo defender “Nunca mais outra vez” cópia descarada e ruím de “Chantagem Atômica”

“O espião que me amava” filme é um dos melhores da franquia e Moore acrescentou humor na medida certa ao personagem o que fez que não virasse um simples cópia de Connery. Bond continuava um assassino frio só que com expressão de “menino levado” a elegância e a fleuma inglesa continuavam lá intactas. Jaws é vilão que no faz relembrar que Bond não é invencível no combate corpo a corpo ,a última vez tinha sido em Goldfinger, e que para se sair bem ele deveria usar a inteligência. O exagero sempre foi marca da série vide Goldfinger e Chantagem Atômica, para sua época foram filmes exagerados.Ele,o critico, esqueceu do Fort Knox, da base dentro do vulcão, o chapeu do Odd job, a batalha sub aquática, Bond vira ninja em duas semanas…

Tchau.

Responder
planocritico 8 de agosto de 2014 - 13:01

Não, não sou fã de Sean Connery. Eu só acho Roger Moore absolutamente insuportável. Afinal, gosto de Lazenby, Dalton e o atual. Realmente, só não gosto de Moore. E O Espião que me Amava é até bom, um dos melhores de Moore, como deixei claro no texto. E você pode ler as críticas de todos os filmes de 007 bem aqui: https://www.planocritico.com/especial-007-50-anos-do-espiao-mais-famoso-do-cinema/

Abs, Ritter.

Responder
Heleno Junior 13 de fevereiro de 2014 - 13:58

Opiniões são opiniões.Os fãs da franquia,colocam esse filme na briga de melhores da série.Moore,mesmo com toda a antipatia do cidadão que realizou a crítica,é um dos intérpretes mais queridos e carismáticos da trajetória do personagem.É fato que ele não foi o mais perfeito,não demonstrava uma vontade maior nas cenas de ação,pulava fora de qualquer sequência que exigisse um risco maior.Mas foi o mais humorado e cafajeste 007 da história.O filme conta com uma das mais famosas cenas de abertura,quando Bond despenca de um penhasco,utilizando um pára-quedas com as cores da bandeira da Inglaterra.A cena entrou pro livro dos recordes na época e causou alvoroço entre a platéia britânica,pelo patriotismo.A música-tema é uma das mais famosas da franquia e tornou-se um hit de grande sucesso na época.O capanga Jaws,até hoje é um ícone da galeria de vilões,tanto que,foi um dos poucos a não ser eliminados por Bond.A cenografia do filme continua perfeita.As cenas de ação figuram entre as melhores.A Bondgirl,uma das mais memoráveis.As locações na Suíça,Egito e Itália são perfeitas.A sequência de perseguição ao Lotus é uma das mais referenciadas na história do 007.O filme esteve até à frente do seu tempo,pois,na época não haviam jet esquis,e Bond foi o primeiro a pilotar um.Divergência de opiniões à parte,embora alguns não aceitem,trata-se de um dos melhores filmes do 007.

Responder
planocritico 13 de fevereiro de 2014 - 14:09

Heleno Junior, obrigado pelo comentário. O design de produção desse filme é realmente muito bom, como mencionei na crítica e Jaws é um personagem inegavelmente interessante (menos quando ele vem para o Rio de Janeiro depois, para morder os cabos do bondinho do Pão de Açúcar). No entanto – e aí entra o lado subjetivo mesmo – eu absolutamente detesto Roger Moore como Bond. Ele é muito blasé e não é um bom ator para mim, nem mesmo fazendo piadas. É de longe o pior de todos os atores que já encarnaram o personagem na série oficial.

Valeu e volte sempre. Aliás, já reparou que temos as críticas de todos os filmes do 007 no site?. Aqui ó: https://www.planocritico.com/especial-007-50-anos-do-espiao-mais-famoso-do-cinema/ – Abs, Ritter.

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