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Crítica | 007 – O Mundo Não é o Bastante

por Rafael W. Oliveira
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Há uma afirmação entre os fãs de 007 (e esta é praticamente unânime) de que a fase de Pierce Brosnan como o espião James Bond é, provavelmente, a pior da longa cinessérie. Excetuando o excelente 007 Contra GoldenEye, esta fase contemporânea de Bond foi marcada pelo exagero e por terríveis irregularidades no roteiro, e por mais que tais fatores fossem recorrentes em muitos filmes da série, aqui eles foram agravados de tal forma que escancaravam o desespero dos produtores em manter a série viva a qualquer custo. Isto porque ainda nem chegamos em Um Novo Dia Para Morrer.

Para o episódio em questão, O Mundo Não é o Bastante, tudo o que foi apontado no primeiro parágrafo ainda se aplica, só que em menor grau. Levemente superior a O Amanhã Nunca Morre, este 19° capítulo da franquia é mais enérgico, possui mais interatividade, apresenta um vilão clássico, mas, ainda assim, é carente em termos de inovação.

O diretor da vez é Michael Apted, que já havia feito alguns trabalhos interessantes como Coração de TrovãoBlink – Num Piscar de Olhos e Nell. Mesmo sem muita experiência no gênero, Apted se sai bem na construção das sequências de ação, empolgantes e muito bem realizadas, apesar do já comentado exagero que é ampliado de tal forma que chega a tornar certos momentos inesperadamente cômicos (como a descida de Bond por montanhas cobertas de gelo).

Apted faz o que pode, porém o roteiro de Neal Purvis, Robert Wade e Bruce Ferstein pouco contribui com sua extrema irregularidade. Nem digo isto pela trama batida ou as reviravoltas clichês e previsíveis, mas sim pela absoluta frieza de Bond neste episódio. Claro, esta sempre foi uma das principais marcas do clássico personagem, porém, aqui, ela causa certa estranheza ao tornar-se excessiva demais, chegando a gerar certa antipatia pelo personagem. Brosnan continua sendo um bom intérprete, porém faltou o tratamento adequado para tal posição do espião.

O Mundo Não é o Bastante, contudo, traz consigo algumas surpresas interessantes. Além da participação mais intensa da personagem M (vivida pela sempre competente Judi Dench), o antagonista Renard, interpretado com perfeita canastrice por Robert Carlyle, é digno de figurar no pódio dos melhores vilões da série com sua habilidade em tornar-se imune à dor. Sophie Marceau como Elektra King e Denise Richards como Christmas Jones são as Bond Girls da vez e, com suas belas presenças, conseguem iluminar a tela e inserir um fôlego a mais para o filme.

James Bond segue sendo o que é, um sujeito charmoso e calculista, que atira primeiro e pergunta depois, e de praxe sempre consegue fisgar alguma mocinha no final. Novamente, um episódio marcado pela falta de novidades, mas que ao menos consegue entreter sem ofender a inteligência do público.

007 –  O Mundo Não é o Bastante (The World Is Not Enough, EUA-Reino Unido – 1999)
Direção: Michael Apted
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade, Bruce Feirstein
Elenco: Pierce Brosnan, Sophie Marceau, Robert Carlyle, Denise Richards, Robbie Coltrane, Judi Dench, Desmond Llewelyn, John Cleese, Maria Grazia Cucinotta, Samantha Bond
Duração: 128 min.

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6 comentários

Matheus Oliveira 1 de abril de 2021 - 17:26

Pense num filme ruinzinho, roteiro podre, vilões ruins e com motivações toscas/clichês, cenas de ação pouco inspiradas, piadas sem timing. Filme bem ruim e esquecível. Eu sei que ele não é o pior da saga, tem alguns da era Moore que são bem piores, porém, aqueles para o bem ou para o mal, tinham momentos que ficavam na sua cabeça e esse daqui não tem nenhum.

Ps1: Vou me perder no personagem agora, tem uma coisa que me marcou no filme, achei extremamente absurdo o vilão ter tomado um tiro na cabeça e não ter morrido, mas na verdade, a bala tá lentamente se deslocando pelo seu cérebro e em x dias ele estará morto, entretanto, a medida em que a bala se desloca ela torna-o imune a dor e deixa-o mais forte. Cara, como assim?
Ps2: Vi que Desmond Llewelyn morreu no ano de lançamento do filme e sua cena de despedida é simples, porém tocante.

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planocritico 1 de abril de 2021 - 17:40

He, he. Não consigo achar tão ruim assim. É mediano para mim.

Abs,
Ritter.

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George 20 de fevereiro de 2021 - 00:54

Concordo com a crítica.

Pra mim ele um filme ótimo até a metade, exatamente após a cena do deserto. As cenas de ação estão muito empolgantes, temos uma maior participação da M, Sophie Marceu é uma das mais lindas e interessantes Bond Girls da saga (pra mim, só perde pra Eva Green), e a parte da síndrome de Estocolmo também era bem interessante, até porque não lembro de haver algo assim nos filmes anteriores.

Mas aí chega na metade e os produtores inventam de colocar a Denise Richards, que já não era lá essas coisas como atriz, em uma personagem muito sem graça. O pior era ela ficar repetindo o tempo inteiro que era formada em física nuclear, quase como se o filme estivesse desesperado pra convencer público de que ela era mesmo inteligente hahah. Já que era a despedida do Desmond Lewelyn poderiam ter colocado ele como um ajudante do Bond durante essa metade do filme, renderia umas cenas bem engraçadas e seria uma despedida bonita na minha opinião.

Também temos o vilão mal aproveitado e aquele excesso de CGI ruim até mesmo pra época.

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planocritico 20 de fevereiro de 2021 - 00:58

Essa Denise Richards pode ser linda, mas nossa, que péssima atriz e personagem pior ainda…

Abs,
Ritter.

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Marcellofn 15 de abril de 2020 - 07:39

Duas das mais lindas Bond girls da série

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planocritico 16 de abril de 2020 - 13:14

A competição é dura nesse quesito!

Abs,
Ritter.

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