Crítica | 007 – Um Novo Dia Para Morrer

estrelas 2,5

Um Novo Dia Para Morrer é o último filme de Pierce Brosnan no papel de James Bond e não podemos dizer que foi uma bela despedida. Com quase todos os setores funcionando em qualidade média, o filme deixa algumas questões no ar e expõe elementos bastante ridículos para uma produção desse porte. Todavia, não se trata de uma obra execrável. Particularmente me diverti bastante durante a projeção e os erros aqui realizados nem se comparam aos de outra película da saga: 007 Contra o Foguete da Morte.

Com roteiro de Neal Purvis e Robert Wade, baseado nas personagens de Ian Fleming, Um Novo Dia Para Morrer aborda, de modo geral, uma história de traição e vingança. É claro que em torno desses motivos temos os recorrentes tipos excêntricos que o agente 007 tem a sorte de encontrar em suas atividades e isso inclui um norte-coreano com o rosto incrustado de diamantes e lentes azuis; um filho de um General que passa por uma dolorosa “limpeza genética” em Cuba e modifica totalmente a sua aparência; e uma agente traidora que em dado momento do filme desaparece, para voltar ameaçando Jinx Johnson, a parceira de Bond nessa aventura.

O roteiro transita entre o adequado e o confuso ao representar Bond em cidades diferentes ou em momentos distintos de sua investigação. Ao que parece, a história central recebeu uma atenção maior e os diálogos foram postos de lado. O roteiro se sustenta apenas porque segue a cartilha proposta, mas há bastante pobreza em seu conteúdo e confusão de sobra em determinadas situações. Aliás, vale citar que embora a coluna central da película consiga se apresentar de maneira relativamente satisfatória, falta motivação para a maioria dos personagens. O trabalho psicológico, ao menos dos protagonistas, ou é ínfimo ou inexistente.

Pierce Brosnan termina sua fase no papel do agente 007 apresentando-se razoavelmente, talvez um pouco blasé demais, mas mesmo assim, razoável. Embora seja muito bom ter a bela presença de Halle Berry na tela, sua participação é quase um enigma. As explicações para que ela também esteja investigando o mesmo caso que Bond são insatisfatórias e, embora a atriz não esteja terrível, com um acerto ou outro no roteiro, sua presença não faria falta. Já Rosamund Pike interpreta uma Miranda Frost que num momento salta às vistas como algo possivelmente interessante, noutro passa desapercebida ao espectador. Seu desaparecimento do roteiro já na reta final do filme e a sua volta repentina, na cena do avião, é uma das mais desagradáveis surpresas do filme e um dos furos mais evidentes do enredo. O mesmo se dá para o desfecho insosso, uma desaceleração quase mortal de ritmo que faz o filme morrer quase imediatamente, sem muito tempo para agonizar.

Lee Tamahori assina a direção dando indícios de que realmente iria fazer a obra funcionar, mas acaba não cumprindo o prometido. Chega a ser realmente frustrante que a base de tudo acabe nos efeitos especiais e visuais, comprometidos pela montagem de Andrew MacRitchie e Christian Wagner.

A passagem de uma trama centrada na Coreia do Norte para uma investigação de diamantes que, em algum momento do filme, parece ter relação com exploração de minas na África (que não voltam a ser citadas) converge finalmente para uma disputa entre comunismo e capitalismo, sendo o lado dos vermelhos, como não podia deixar de ser, megalomaníaco e assassino — representado por um jovem com claros problemas familiares (daddy issues em sua forma mais estranha). Entre escorpiões, torturas, Palácio de Gelo, norte-coreanos, satélite na órbita da Terra e diamantes, Um Novo Dia Para Morrer é um filme fraco, daquelas obras classificadas como medianas com muito esforço. O que muita gente vai lembrar do filme talvez seja a música tema, Die Another Day, cantada por Madonna. O restante parece escapar facilmente da memória do espectador, como é comum em filmes dessa estirpe.

007 – Um Novo Dia Para Morrer (Die Another Day, UK, EUA, 2002)
Direção: Lee Tamahori
Roteiro: Neal Purvis, Robert Wade
Elenco: Pierce Brosnan, Halle Berry, Toby Stephens, Rosamund Pike, Rick Yune, Judi Dench, John Cleese, Michael Madsen, Will Yun Lee, Kenneth Tsang, Emilio Echevarría, Mikhail Gorevoy, Lawrence Makoare, Colin Salmon, Samantha Bond
Duração: 133 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.