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Crítica | 12 Monkeys – 2ª Temporada

por Luiz Santiago
166 views (a partir de agosto de 2020)

12-monkeys-plano-critico

estrelas 4,5

O crescimento de qualidade em 12 Monkeys, de sua já boa primeira temporada para esta segunda, serviu como uma luva diante da complexidade máxima que os showrunners Terry Matalas e Travis Fickett projetaram para os viajantes e para as muitas (muitas mesmo!) viagens no tempo e paradoxos temporais aqui trabalhados. Em um comparativo rápido de identidades e semelhanças, a temporada inicial se ligava bastante ao filme de 1995, enquanto esta segunda temporada pende mais para o curta Le Jetée/A Pista, que foi a origem de tudo. É importante ressaltar que para criticar uma série desse tipo, fica quase impossível não dar spoilers, então, estão avisados que o texto a seguir trará detalhes bastante específicos da temporada passada e também desta temporada.

A saga mostrada em 2016 dá sequência aos eventos do episódio Arms of Mine (1X13), destacando de maneira bastante sintomática A Testemunha, personagem que será o ponto de fuga no complicado quadro de idas-e-vindas no tempo, cuja primeira grande crise tem suas sementes plantadas em Year of the Monkey (2X01). Alguns dos melhores destaques da 1ª Temporada, como a direção de arte, os figurinos e a direção de fotografia são percebidos já no início deste ano da série. A fotografia e a arte alcançam voos bem mais altos e propostas mais ousadas, visto que ao longo dos atuais 13 episódios teríamos estadias mais longas no passado (anos 50, principalmente). Em adição, percebemos um grande esforço do desenho de produção para contextualizar a década em todos os seus aspectos possíveis. O mesmo se vê nas passagens pelos anos 40, 60 e 70; nos episódios centrados em 2016 e 2044/45 ou nas breves sequências em 1917 (Jennifer em plena I Guerra Mundial, uma tragicomédia clássica!) e 2163 (MOTHER! MOTHER! MOTHER!), que mostram a qualidade da produção da série e a enorme atenção que a equipe deu aos detalhes estéticos.

Mesmo com uma audiência diminuindo de maneira perceptível, a emissora não deixou de investir, vide os efeitos especiais mais intricados e usados de maneira mais ampla nesta temporada, e o grande presente para todos nós, a renovação para um terceiro ano. Desfilam aqui temas humanistas e a reprodução, mesmo que em um “micro espaço”, de eventos históricos e geopolíticos de peso, como golpe hierárquico, extermínio de pessoas por divergências ideológicas, eugenia, messianismo, fanatismo ideológico (ou proto-religioso) e, em uma análise mais sociológica, a consequência do desprendimento dos personagens mediante suas raízes familiares, algo que os roteiros da temporada fazem questão de re-cultivar, primeiro em Ramse, depois em Katarina e, por fim, em Cole e Railly. Se antes, os dilemas morais nos eram colocados de forma mais genérica, como um “propósito de mundo”, agora eles estão ligados a pessoas amadas, pessoas que dão aos protagonistas um propósito maior e alguém para defender (até Deacon, meio deslocado no final da temporada passada, teve isso aqui, em sua paixão por Railly).

Em um enredo com o nível de deslocamento que esta série tem — afinal, a base de tudo é a viagem no tempo — impressiona demais a qualidade das relações pessoais construídas e as pistas deixadas ao longo dos capítulos (ou mesmo das temporadas, já que vimos coisas do ano anterior e deste ano). Existe uma dualidade entre bem e mal em cada episódio, mas nós entendemos, no final de tudo, que a série não pega essa visão binária das coisas e aplica às decisões tomadas pelos personagens. Ao contrário. Notem como há variações de respostas para o mesmo problema, cada um passando pelos critérios específicos de quem oferece a solução, e vejam como as missões para salvar o mundo ou salvar afetos se entrelaçam do meio da temporada para frente, denotando uma clara mudança de rumo do show em relação à sua fonte, momento em que tudo fica ainda melhor.

A identidade original da série foi gerada no momento em que o Exército dos 12 Macacos revelou-se apenas uma parte de algo muito maior. O elenco, mais uma vez, em grandes interpretações — Amanda Schull (Cass), de quem eu tinha ressalvas na temporada anterior, faz um ótimo trabalho este ano — é um dos responsáveis por isso, além da direção coesa que percebemos em todos os 13 episódios. Como este segundo ano foi basicamente das mulheres dominando todo o processo — Barbara Sukowa (Katarina) e Emily Hampshire (Jennifer) são os maiores destaques nesse time — fica plenamente fácil entender o por quê todo o processo termina com a apresentação de uma mãe, da qual todo o medo/esperança saiu e engajou o espaço de luta e tentativas de mudança da realidade. Aaron Stanford (Cole) continua sendo o maior destaque dentre os homens, embora Kirk Acevedo (Ramse) e Todd Stashwick (Deacon) o sigam de perto.

Não há nenhuma facilidade para o espectador de 12 Monkeys. É preciso ter muita atenção para não perder os detalhes ou confundir passado, presente e, agora, futuro. Como destaquei no início, as maiores semelhanças desse bloco final da série são com o curta La Jetée e se isso significa que, à parte o final, estamos nos aproximando de um esgotamento de tempo hábil para Cole. A série já provou que pode construir cosias novas e dar espaço, nesse mar de novidades, aos elementos mais importantes de suas fontes de inspiração. Esperamos que isso continue na 3ª Temporada, que de cara traz a grande pergunta sobre o que fazer, então, com A Testemunha e qual será o caminho de transição narrativa, agora que um outro tempo (o futuro do futuro) entrou no jogo. Se continuarem fazendo os nossos neurônios digladiarem-se ferozmente por uma resposta, não importando o que venha, já está bom demais.

12 Monkeys – 2ª Temporada (EUA, 2016)
Criadores: Terry Matalas, Travis Fickett (inspirado no roteiro de La Jetée, de Chris Marker e no roteiro de David Webb Peoples, de Os 12 Macacos).
Direção: David Grossman, Magnus Martens, David Grossman, Mairzee Almas, David Greene, Grant Harvey, Steven A. Adelson, Bill Eagles, Guy Norman Bee, Kevin Tancharoen
Roteiro: Terry Matalas, Travis Fickett, Sean Tretta, Michael Sussman, Richard Robbins, Kristen Reidel, Ian Sobel, Matt Morgan, Christopher Monfette, Oliver Grigsby
Elenco principal: Aaron Stanford, Amanda Schull, Kirk Acevedo, Barbara Sukowa, Demore Barnes, Emily Hampshire, Andrew Gillies, Noah Bean, Tom Noonan, Todd Stashwick, Murray Furrow, Alisen Down
Duração: 43 min. (em média, cada episódio)

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25 comentários

Clayton Lucena 5 de junho de 2017 - 16:12

Luiz, como esta?

Agora chega de Mulher-Maravilha hahahahahhahahah quero a crítica da 3ª temporada de 12 Monkeys pra ontem….(viaje no tempo para conseguir se possível)

Abraços.

Responder
Luiz Santiago 5 de junho de 2017 - 16:15

Eu fiquei PUTO quando soube que lançaram os 10 episódios na mesma semana! O povo tá achando que é Netflix, né? HAHHAHAHAHAHAHAHA
To no episódio 5 ainda e pelo andar da carruagem, só termino na próxima semana mesmo. Mas vai sair, com certeza!

Já viu todos?

Responder
Clayton Lucena 5 de junho de 2017 - 16:26

Eu fiquei sabendo quando atualizaram o aplicativo que organizo as séries… e pensei What???? que porra, 3 dias, 10 episódios??? (pensado pelo lado viagem no tempo achei uma puta sacada). A pessoa buga a mente e na sequência já entende, não fica remoendo aquele bug a semana toda. hahahahaha.

Estou no episódio 9 (assistindo agora, parei só pra vir aqui comentar) e já vou pro décimo na sequência….

Agora o que nos resta será aguardar a crítica para falarmos sobre.

Abraços.

Responder
Luiz Santiago 5 de junho de 2017 - 16:37

Pelo visto teremos muito o que falar. Não quero comentar minhas impressões até agora, vou deixar a coisa rolar e batemos papo na crítica!
Abração, parceiro!

Responder
Clayton Lucena 5 de junho de 2017 - 16:39

HAHAHAHAHAHAHAH muito mesmo, quando sair estarei aqui.

Abraços brother.

Clayton Lucena 25 de setembro de 2016 - 20:44

Demorou mas chegou da melhor forma possível!!! Que crítica maravilhosa Luiz, parabéns!!!!!!
Essa temporada foi muito foda, elevou o nível de uma forma absurda e conseguiu crescer ainda mais dentro da temporada a cada episódio e culminou naquela season finale frenética e cheia de reviravoltas e ainda com vários ganchos para a terceira temporada!!!!
Minha mente esta tentando entrar em ordem ainda acredita? Como essa série faz a gente pensar, se perder 1 segundo do episódio você pode se perder na série inteira!
A parte do figurino durante os anos 50 foi muito bom e a fotografia maravilhosa;
Sobre os personagens eu estou apaixonado pela Emily Hampshire que papel incrível ela esta fazendo, sem duvida a minha louca preferida HAHAHAHA! Katarina foi demais, Cole manteve os que já fazia na primeira temporada, a Cass realmente subiu de produção e foi uma surpresa e gostei do Ramse e principalmente do Deacon que teve mais destaque nessa segunda temporada!

E que a terceira temporada consiga andar com as suas próprias pernas e mantenha esse nível e que continue fazendo nossa mente entrar em pane em todos os episódios!

Abraços man!

Responder
Clayton Lucena 25 de setembro de 2016 - 20:44

Demorou mas chegou da melhor forma possível!!! Que crítica maravilhosa Luiz, parabéns!!!!!!
Essa temporada foi muito foda, elevou o nível de uma forma absurda e conseguiu crescer ainda mais dentro da temporada a cada episódio e culminou naquela season finale frenética e cheia de reviravoltas e ainda com vários ganchos para a terceira temporada!!!!
Minha mente esta tentando entrar em ordem ainda acredita? Como essa série faz a gente pensar, se perder 1 segundo do episódio você pode se perder na série inteira!
A parte do figurino durante os anos 50 foi muito bom e a fotografia maravilhosa;
Sobre os personagens eu estou apaixonado pela Emily Hampshire que papel incrível ela esta fazendo, sem duvida a minha louca preferida HAHAHAHA! Katarina foi demais, Cole manteve os que já fazia na primeira temporada, a Cass realmente subiu de produção e foi uma surpresa e gostei do Ramse e principalmente do Deacon que teve mais destaque nessa segunda temporada!

E que a terceira temporada consiga andar com as suas próprias pernas e mantenha esse nível e que continue fazendo nossa mente entrar em pane em todos os episódios!

Abraços man!

Responder
Luiz Santiago 25 de setembro de 2016 - 23:21

Cara, o que foi aquele final, pelo amor de Rá? Quando chegamos ali, toda a base da temporada começa a fazer sentido, e é simplesmente impossível não cair de joelhos diante dos roteiristas. Na temporada anterior eu vi um pouco de caos nos roteiros, se bem que depois daquele episódio “Shonin” tudo se ajeitou. Aqui, o caos foi perfeitamente ordenado. Claro que sempre há uma abertura não coberta pelos textos, mas para o baita drama que temos aqui… putz, nem vem ao caso!

Valeu por esperar! Mas enfim consegui ver e escrever!
Abração, man!

Responder
Luiz Santiago 25 de setembro de 2016 - 23:21

Cara, o que foi aquele final, pelo amor de Rá? Quando chegamos ali, toda a base da temporada começa a fazer sentido, e é simplesmente impossível não cair de joelhos diante dos roteiristas. Na temporada anterior eu vi um pouco de caos nos roteiros, se bem que depois daquele episódio “Shonin” tudo se ajeitou. Aqui, o caos foi perfeitamente ordenado. Claro que sempre há uma abertura não coberta pelos textos, mas para o baita drama que temos aqui… putz, nem vem ao caso!

Valeu por esperar! Mas enfim consegui ver e escrever!
Abração, man!

Responder
Clayton Lucena 25 de setembro de 2016 - 23:34

O final foi perfeito, não esperava nada daquilo que foi mostrado, como os roteiristas conseguiram arquitetar tudo aquilo, eu queria ver você fazendo a crítica por episódio só para ver o caos HAHAHAHAHAH brincadeira man. E parece que o Syfy acertou com essa série e eu estou feliz da vida por ter essa série como um das minha favoritas!
Agora vamos ver o que Timeless vai ter a nos oferecer semana que vem.
Falando em Syfy vc chegou a ver o trailer de Incorporated a série que vai ser produzida por Ben Affleck e Matt Damon?

Responder
Clayton Lucena 25 de setembro de 2016 - 23:34

O final foi perfeito, não esperava nada daquilo que foi mostrado, como os roteiristas conseguiram arquitetar tudo aquilo, eu queria ver você fazendo a crítica por episódio só para ver o caos HAHAHAHAHAH brincadeira man. E parece que o Syfy acertou com essa série e eu estou feliz da vida por ter essa série como um das minha favoritas!
Agora vamos ver o que Timeless vai ter a nos oferecer semana que vem.
Falando em Syfy vc chegou a ver o trailer de Incorporated a série que vai ser produzida por Ben Affleck e Matt Damon?

Responder
Luiz Santiago 26 de setembro de 2016 - 02:23

Mano, eu acho que se escrevesse sobre essa série semanalmente eu enlouqueceria. Sério. hahahahaha

Eu vi o trailer de Incorporated!!! Deu até um friozinho aqui! Estou no hype. Esse tema me interessa demais, cara.

Vem coisa boa de ficção científica aí!

Responder
Luiz Santiago 26 de setembro de 2016 - 02:23

Mano, eu acho que se escrevesse sobre essa série semanalmente eu enlouqueceria. Sério. hahahahaha

Eu vi o trailer de Incorporated!!! Deu até um friozinho aqui! Estou no hype. Esse tema me interessa demais, cara.

Vem coisa boa de ficção científica aí!

Responder
Clayton Lucena 26 de setembro de 2016 - 10:39

Pior que não tem nem como imaginar vc escrevendo semanalmente, vc ia ficar doido tipo a Jennifer será? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Esse ano esta bem bacana com relação a séries de Sci-Fi, Incorporated parece ser outra maravilha e a lista só aumenta depois bora abrir uma petição para o congresso fazer uma lei para o dia ter 30 horas se não vou ser obrigado a largar o emprego para só ver séries HAHAHAHAHA!

Abraços man!

Clayton Lucena 26 de setembro de 2016 - 10:39

Pior que não tem nem como imaginar vc escrevendo semanalmente, vc ia ficar doido tipo a Jennifer será? HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA

Esse ano esta bem bacana com relação a séries de Sci-Fi, Incorporated parece ser outra maravilha e a lista só aumenta depois bora abrir uma petição para o congresso fazer uma lei para o dia ter 30 horas se não vou ser obrigado a largar o emprego para só ver séries HAHAHAHAHA!

Abraços man!

Luiz Santiago 26 de setembro de 2016 - 13:55

Com certeza! Ia ser hilário eu chegando na escola e dando aula no melhor estilo Jennifer de ser. Se bem que eu não sou exatamente normal, então o coque não seria tãaaaoooo grande assim. hahahahahahhahahahhha

Pois é! São escolhas difíceis: o que ver, quando ver. Bora torcer pra que sejam boas essas que estão chegando!

Luiz Santiago 26 de setembro de 2016 - 13:55

Com certeza! Ia ser hilário eu chegando na escola e dando aula no melhor estilo Jennifer de ser. Se bem que eu não sou exatamente normal, então o coque não seria tãaaaoooo grande assim. hahahahahahhahahahhha

Pois é! São escolhas difíceis: o que ver, quando ver. Bora torcer pra que sejam boas essas que estão chegando!

Clayton Lucena 26 de setembro de 2016 - 14:11

HAHAHAHAHAHAHA ia ser uma aula e tanto!

Sim bora torcer! Quais das séries que iram voltar vc vai fazer a crítica por episódio? E vai pegar alguma nova?

Luiz Santiago 26 de setembro de 2016 - 14:25

Cara, minha certeza, certeza mesmo é Westworld Isso das séries novas. As outras, ainda não sei.

Luiz Santiago 26 de setembro de 2016 - 14:25

Cara, minha certeza, certeza mesmo é Westworld Isso das séries novas. As outras, ainda não sei.

Clayton Lucena 26 de setembro de 2016 - 16:35

Essa promete em, vc já viu o filme né?
Abandona Flash e LOT e pega Quarry para fazer por episódios.

Clayton Lucena 26 de setembro de 2016 - 16:35

Essa promete em, vc já viu o filme né?
Abandona Flash e LOT e pega Quarry para fazer por episódios.

Luiz Santiago 26 de setembro de 2016 - 18:48

Nem conhecia essa que vc falou! Vou dar uma olhada!

Clayton Lucena 26 de setembro de 2016 - 18:51

Se não me engano é do mesmo produtor de Banshee!

Clayton Lucena 26 de setembro de 2016 - 18:51

Se não me engano é do mesmo produtor de Banshee!

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