Crítica | 1303 – Apartamento do Mal

A relação de amor e ódio entre mãe e filha é o ponto de partida desta refilmagem estadunidense do homônimo Apartamento 1303, lançado em 2007 no Japão, com desempenho razoável. Os desdobramentos de uma história envolta numa redoma de dor e vingança parte de Tóquio, com desenvolvimento em Detroit, tendo como direcionamento, a mesma estrutura narrativa da produção que lhe serve de espelho. É a conflituosa coexistência num ambiente familiar que se transforma numa maldição sem precedentes, capaz de ceifar não apenas as pessoas diretamente envolvidas, mas qualquer um que adentre este território perigoso, isto é, o apartamento 1303.

Na trama, acompanhamos o drama de Lara (Mischa Barton), jovem que perdeu a sua irmã por causa de um suposto suicídio que não traz exatidão em suas explicações. Antes de sua saga em busca de respostas, testemunhamos a alegria da irmã Janet (Julianne Michelle), demasiadamente satisfeita após encontrar um apartamento dos sonhos, por um preço muito abaixo da média, tendo como vantagem ser um empreendimento situado no Lake View Residence. Além de ter motivos para se alegrar diante da liberdade que a moradia nova lhe concede, a moça também pode se gabar de viver longe dos problemas domésticos.

Tal como saberemos logo de início, as duas filhas precisam lidar com Maddie Slate (Rebecca De Mornay), a mãe alcoólatra que no passo, ganhou bastante dinheiro com a carreira de cantora, mas que agora, amarga o ostracismo. Assim, Janet liga para a irmã, conta as novidades, exibe uma intensidade na voz, mas logo em seus primeiros momentos como moradora, semelhante ao que ocorre na versão japonesa, a jovem comete suicídio e se joga do 13º andar, cenas conduzidas pela trilha sonora de David e Yoann Bernagoult. Sem muitas suposições, pois a versão estadunidense segue a cartilha da explicação esmiuçada dos fatos, podemos também imaginar que Janet tenha sido empurrada da varanda para encontrar a morte.

Sob a direção e roteiro de Michael Taverna, Apartamento 1303 vai se dedicar ao processo de investigação de Lara, desesperada para entender o que houve com a irmã e ainda encontrar paciência e força para lidar com a debilitada mãe dentro de casa. A sua opção não é das mais coerentes, mas ela vai para o tal apartamento entender melhor tudo que aconteceu, afinal, a versão policial não contempla algumas incongruências que Lara decide desvendar. Como já podemos imaginar desde o começo, a saga dela não será da mais fáceis. As informações são entregues aos poucos, mas tudo bem detalhado, sem espaço para subjetividade.

Sabemos que Janet conheceu Emily (Madison McAleer), ex-vizinha que alega ser aterrorizante a história anterior de Jennifer (Kathleen Mackey), uma garota que assassinou a sua mãe e depois se jogou da varanda. Com alguns breves reajustes na ideia do japonês Kei Ôishi, somos mergulhados nessa redoma de incertezas e aparições fantasmagóricas, concebidas pelos efeitos visuais da equipe de Bejoy Arputharaj, adequados para o nível do roteiro, dos desempenhos dramáticos, curioso por não adentrar no clichê das entidades com longos cabelos negros na cara. Na direção de fotografia, Paul M. Sommers concebe o seu trabalho de circular pelos espaços apertados do apartamento, estruturados pelo design de produção de Louis-René Landry.

Lançado em 2012, Apartamento 1303 é uma mescla de drama com altas doses de terror sobrenatural, mixados ao longo de seus longos 101 minutos, extensão desnecessária para uma história que se resolveria com menos tempo de duração. O preço para morar é baixo, mas o horror é alto. Cheia de mistérios em busca de resolução, a narrativa ainda retrata um zelador com insinuações sexuais abjetas e uma menina sinistra de nove anos que aparece constantemente para dizer que sabe o que aconteceu com as moradoras anteriores. O público e a crítica não foram nada piedosos com Apartamento 1303, mas confesso que achei a refilmagem inofensiva e que funciona como entretenimento ligeiro, principalmente quando comparado aos demais exemplares inspirados na tradição de horror oriental produzidos até então.

1303 – O Apartamento do Mal (Apartment 1303 3D) — EUA, 2012
Direção: Michael Taverna
Roteiro: Michael Taverna
Elenco: Mischa Barton, Julianne Michelle, Rebecca De Mornay, Corey Sevier, Madison McAleer, Gordon Masten, Grace Savage
Duração: 100 min.

LEONARDO CAMPOS . . . . Tudo começou numa tempestuosa Sexta-feira 13, no começo dos anos 1990. Fui seduzido pelas narrativas que apresentavam o medo como prato principal, para logo depois, conhecer outros gêneros e me apaixonar pelas reflexões críticas. No carnaval de 2001, deixei de curtir a folia para me aventurar na história de amor do musical Moulin Rouge, descobri Tudo sobre minha mãe e, concomitantemente, a relação com o cinema.