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Crítica | 30 Dias de Noite 2 – Dias Sombrios

por Leonardo Campos
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Quando lançado em 2007, 30 Dias de Noite se apresentou como uma adequada adaptação de um material gráfico de Bem Templesmith. Os efeitos visuais deslumbrantes, os perigos diante do estabelecimento de um mês nas trevas e outras peculiaridades adicionadas ao desejo de sangue das criaturas da noite tornaram o filme, ao meu ver, numa bem-sucedida transformação de formatos, narrativa com desenvolvimento razoável de alguns personagens que poderiam ter sido melhor trabalhados, mas ainda assim, o resultado final é acima da média. Diante do sucesso, o inevitável: uma continuação, menos interessante e com adicionais narrativos que não melhoram o seu desenvolvimento genérico. Sob a direção de Ben Ketai, 30 Dias de Noite 2 – Dias Sombrios é frágil ao retomar a protagonista Stella Oleman (Kiele Sanchez), agora uma investigadora da ação vampírica fora das dimensões da gélida região do Alasca que se mantém na escuridão por longos dias durante o inverno. A sua tese, geralmente comprovada em eventos, é comprovar a existência de vampiros na sociedade, escondidos nas sombras e prontos para atacar.

Stella se tornou um tipo de guerreira em busca de vingança. Mais adiante saberemos que as suas necessidades dramáticas vão um pouquinho além dessas motivações mais triviais. Ao longo de seus 92 minutos, temos muitas cenas de luta amplamente coreografadas, membros decepados, sangue em profusão e a presença de vampiros que caçam em bandos, tais como animais selvagens, cruéis em suas ações ao estraçalhar as vítimas como num crime de ódio. Para devorar as energias de suas vítimas, elas precisam estar ainda quentes, por sinal, fisicamente e alegoricamente carregadas de vitalidade para saciar as tais criaturas da noite. O enredo tem o seu início um ano após os acontecimentos de 30 Dias de Noite e nos mostra Stella num evento em Los Angeles, cidade que agora é o espaço para seu logradouro. O uso de luz com intensidade solar causa polêmica em suas interações, pois há sempre um vampiro no auditório para ser aniquilado pela agora caçadora. Ela atrai tanto a atenção destes monstros quanto o grupo de caçadores motivados, cada um por seu drama específico, a varrer a raça destas criaturas do planeta.

Para contar a sua história, o cineasta Ben Ketai gerenciou a direção de fotografia de Eric Maddison, setor sem a capacidade de ousar como o antecessor, atento apenas aos desenvolvimento burocrático do trabalho com contraste entre luz e sombra, criação de imagens que tiveram algumas adições dos efeitos visuais de Daniel Land, também óbvios demais e voltados ao sangue em CGI e aos demais elementos próprios da mitologia vampírica, somados ao desenvolvimento da maquiagem de Todd Masters, caprichada no sangue e na violência, mas também pouco intensos quando nos damos conta da história razoável que nos é contada. Os figurinos de Angelina Kekich dão conta do recado, da mesma forma que o adequado design de produção de Geoff Wallace, eficiente nas cenas preambulares no hotel, nas imediações por onde os vampiros circulam. Sem o intenso estabelecimento de uma trilha sonora mais imersiva, desta vez, Andres Boulton cumpre a missão de acompanhar os personagens em suas trajetórias de retaliação e aniquilação dos monstros sugadores de sangue, mas entrega uma textura também burocrática, sem momentos musicais memoráveis. Há, como é de se esperar desde o trailer, uma queda na qualidade estética.

E, como já mencionado, nos atributos dramáticos também. A sagaz investigação de Stella promove a ira dos vampiros, acuados com a forma como as ações da heroína tem atrapalhado as suas respectivas rotinas de caça. Isso desperta Lilith (Mia Kirshner), uma vampira que possui grande rede de seguidores e atrai também as atenções do policial Norris (Troy Ruptash), individuo que sofre de uma condição de saúde raríssima e depende da imortalidade para se manter. Ele é parte de uma das subtramas interessantes, mas que se tornam dispersivas em 30 Dias de Noite 2, haja vista a forma desleixada que é trabalhada durante o desenvolvimento do roteiro. Logo em sua abertura, o filme retoma um trecho do antecessor para amarrar a sua sequência, momento que reaparece no desfecho, quando a heroína consegue dar o nó no arco de sua trajetória. Ela é acompanhada pelo grupo formado por Todd (Harold Perrineau), Paul (Rhys Cairo), Amber (Diora Baird) e Dane (Ben Cotton), cada um com a sua necessidade dramática para temer e odiar os vampiros, unidade na qual ela se integra para levar diante os seus planos de vingança.

Diagnóstico? 30 Dias de Noite 2 – Dias Sombrios: uma comprovada continuação inferior ao seu antecessor, mas que funciona isoladamente e possui atrativos enquanto material para consumo genérico de entretenimento.

30 Dias de Noite 2: Dias Sombrios (30 Daysof Night: DarkDays/Estados Unidos, 2010)
Direção: Ben Ketai
Roteiro: Steve Niles, Ben Ketai, Steve Niles, Ben Templesmith
Elenco: Kiele Sanchez, Rhys Coiro, Diora Baird, Harold Perrineau, Mia Kirshner, Troy Ruptash, Ben Cotton, Katie Keating, Katharine Isabelle, James Pizzinato, Peter Hall, Stephen Huszar, Marco Soriano, Jackson Berlin, John DeSantis, Euvie Ivanova, Stacey Roy, Jody Thompson, Sarah-Jane Redmond, Richard Stroh, Donovan Cerminara
Duração: 92 min

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