Crítica | 52: Origem e Primeiras Aventuras da Batwoman

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A Batwoman é uma personagem da Era de Prata dos quadrinhos. Sua primeira aparição (como versão da Terra-1, a principal do pré-Crise — mas só para constar, havia uma Mulher-Morcego na Terra-2, que foi apresentada ao público em Brave and the Bold #182) aconteceu na revista Detective Comics #233, num roteiro confuso em termos de abordagem para a força, independência e habilidades da nova heroína em relação ao Batman. Mas já naquele momento era impossível negar: ela era sensacional. Em 1979, vinte e três anos depois de sua criação, a Batwoman foi morta, na revista Detective Comics #485. Sua versão pós-Crise só seria criada em 2006, ao longo da série 52.

Com grande cobertura da mídia e debates por todos os lados, a nova Morcegona foi imediatamente apresentada como um mulher lésbica, Katherine “Kate” Kane, herdeira milionária de uma família tradicional de Gotham City. O curioso é que as muitas falas em torno da escolha da DC, dos roteiristas e do Editor Executivo da casa, Dan DiDio, para apresentarem a nova Batwoman como lésbica foram quase totalmente positivas. Eu estava no segundo ano da faculdade na época e muitas das conversas com colegas que liam quadrinhos eram marcadas por uma frase comum que, à medida que as editoras foram inadvertidamente mudando sexualidade de diversos personagens ao longo dos anos, simplesmente desapareceu das bocas: “faz sentido“. Além disso, havia a questão canônica/cronológica da coisa, que trazia, de quebra, um aval editorial, por assim dizer.

A Morcegona da Era de Prata estava morta. A versão da Terra-2 foi apagada da existência em Crise nas Infinitas Terras. Uma nova Batwoman apareceria num momento em que Gotham precisasse e, diante de todo o contexto, faz sentido Kate Kane ser quem é, ter um caso antigo com Renée Montoya, ter essa personalidade aguerrida e, desde os primeiros momentos, apresentar uma bússola moral bastante intricada. Essa é uma das coisas que nos chamam a atenção na Semana Sete, quando ela aparece pela primeira vez como Kate, parte de um contato de Montoya para uma investigação que também envolvia O Questão. O texto é forte e permeado de duplos sentidos, mostrando com muita sagacidade a personalidade do ex-casal, juntando muito bem o conflito gerado pela investigação e a ascensão da nova vigilante.

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A primeira capa. A primeira aparição como Kate Kane. A primeira aparição como Batwoman.

A história de introdução acontece em três edições diferentes, compreendendo as crônicas das semanas 7, 9 e 11 da série. A partir desse ponto, temos o desenvolvimento das primeiras aventuras da Morcega como heroína, em paralelo à história de Renée Montoya (que pela primeira vez aparece como Questão na Semana Quarenta e Oito). No centro das atenções, a ação da Intergang, a procura por Bruno Manheim e a colocação de Kate Kane como o centro das atenções, procurada para cumprir uma profecia da Bíblia do Crime. Como de praxe, muitos artistas fazem parte do projeto, assumindo os desenhos ou a finalização em diferentes revistas, o que ajuda a nos conectar com os climas narrativos distintos sem parecer que há um buraco no roteiro. As elipses aqui são compreensíveis e funcionam bem dentro da proposta de andamento dos acontecimentos. O único problema é a recepção pessoal para cada arte, porque nem todas funcionam ou “fazem o nosso estilo“. Mas nada que torne a saga ruim.

Lidando com o submundo do submundo de Gotham e, desde cedo, colocada em um cenário absurdamente oposto à riqueza e tranquilidade à qual estava acostumada como socialite (imaginem uma Kardashian ainda mais rica, militarmente treinada e lésbica, enfrentando monstros, literalmente falando) a apresentação de Kate Kane é realmente maravilhosa. Depois das três semanas de apresentação, ela deixa de ter o maior destaque e passa a dividir os holofotes com Renee e Charles Victor Szasz, já com a doença bastante avançada. De questões amorosas bem tratadas até temas como lealdade aos amigos, encontro com outros heróis (impossível não vibrar com os primeiros contatos entre Batwoman e Asa Noturna) e os primeiros passos de uma heroína em meio ao caos, temos aqui uma excelente porta de entrada para mais um membro da Batfamília. E desta vez, uma poderosa e inesquecível ruiva.

52 – Week: 7, 9, 11, 28, 30, 33, 34, 36, 48 e 52 (EUA, agosto e setembro de 2006)
No Brasil: Panini Comics (2007 – 2008)
Roteiro:
 Geoff Johns, Grant Morrison, Greg Rucka, Mark Waid
Arte: Keith Giffen, Ken Lashley, Shawn Moll, Drew Johnson, Joe Bennett, Tom Derenick, Joe Prado, Jamal Igle, Darick Robertson
Arte-final: Marvin Mariano, Greg Parkin, Tom Nguyen, Marlo Alquiza, Jack Jadson, Ruy José, Rodney Ramos, Jay Leisten, Keith Champagne
Cores: Alex Sinclair, David Baron
Letras: Travis Lanham, Jared K. Fletcher, Nick J. Napolitano, Rob Leigh, Phil Balsman, Pat Brosseau
Capas: J.G. Jones, Alex Sinclair
Editoria: Jann Jones, Harvey Richards, Stephen Wacker, Jeanine Schaefer
24 páginas (cada edição)

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.