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Crítica | 6 Dias

por Guilherme Coral
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Uma das maiores dificuldades de se realizar um filme sobre situação de reféns é saber manter o ritmo de maneira que a narrativa não seja assolada pela extrema lentidão. Além disso, é preciso levar em conta outras obras de destaque, com a mesma premissa, que vieram antes, como Um Dia de Cão – afinal, criar uma quase cópia de produção anterior pode afastar parte dos espectadores. 6 Dias, distribuído pela Netflix, nos traz mais uma dessas situações, baseando-se no cerco da embaixada Iraniana, em Londres, em maio de 1980.

Um dos grandes problemas da obra é o fato do roteiro não se decidir exatamente em quem focar. O texto de Glenn Standring busca oferecer uma visão mais geral, mostrando inúmeros personagens que representam os pontos-chave dessa história. Dito isso, somos apresentados a Rusty Firmin (Jamie Bell), um soldado parte da força-tarefa responsável por invadir o prédio da embaixada, caso as negociações não dessem certo; Max Vernon (Mark Strong), o principal negociador e, por fim, Kate Adie (Abbie Cornish), a repórter da BBC, quem cobriu o evento. Esse “troca-troca” acaba prejudicando a profundidade da obra, mantendo os indivíduos retratados no raso, sem qualquer construção durante a projeção – a própria repórter soa como protagonista de cenas fillers, que não impactam a trama em absolutamente nada, tirando espaço da interessante relação entre Max e os terroristas.

Tal aspecto chega até a ser tristemente irônico, afinal, são justamente as conversas entre o negociador e os responsáveis pelo crime que constituem os momentos mais imersivos do longa-metragem, resgatando constantemente a tensão, que é quebrada pelos trechos envolvendo a BBC ou os soldados. Por outro lado, as sequências que mostram o treinamento da força-tarefa traz um elemento de novidade à obra, já que dificilmente vemos filmes que dão importância ao lado mais “bruto” dessas situações. Além disso, a oposição entre Rusty e Max oferece um relance do que o filem poderia ter sido, caso soubesse aproveitar todos os seus elementos.

Em geral pela ausência de novidade, pela mesmice na qual somos deixados por grande parte da projeção, 6 Dias acaba nos cansando, a tal ponto que nem mesmo as já citadas negociações conseguem nos manter engajados. Essa questão apenas piora conforme nos aproximamos do fim – o diretor, Toa Fraser, demonstra que não sabe dirigir sequências de ação, ao menos não nessa sua obra, trazendo um clímax extremamente confuso, que perde o espectador por completo, a tal ponto que não fazemos ideia do que está acontecendo, ou se alguém morreu ou não. Para piorar, grande parte da tensão já foi eliminada, afinal as cartelas que aparecem em tela, explicitando a passagem dos dias, deixa bem claro que estamos próximos do fim, tirando qualquer possível surpresa.

Similarmente, constantes textos em tela, revelando o nome e profissão dos personagens, perigosamente beira a linguagem documental, não combinando com a obra, além de distanciar o espectador da narrativa. Para piorar, o excesso de informações oferecido, prejudica nosso entendimento nos minutos iniciais – seria mais elegante e funcional se tais informações fossem oferecidas através de diálogos durante a projeção.

Tais deslizes, portanto, prejudicam consideravelmente a obra, por mais que ela consiga, durante sua maior parte, nos entreter minimamente. Trata-se de um filme falho com pouco desenvolvimento de personagens e falta do necessário foco para uma boa imersão. Com algumas alterações no roteiro e uma direção mais precisa, teríamos uma obra muito superior, que faria jus a esse importante acontecimento durante o governo de Margaret Thatcher.

6 Dias (6 Days) — Reino Unido/ Nova Zelândia, 2017
Direção:
 Toa Fraser
Roteiro: Glenn Standring
Elenco: Jamie Bell, Mark Strong, Abbie Cornish, Martin Shaw, Ben Turner, Emun Elliott, Aymen Hamdouchi, Ronan Vibert, Tim Downie
Duração: 94 min.

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2 comentários

Daniel Maia 28 de maio de 2018 - 09:46

Eu até que gostei do filme. Concordo com os argumentos do Guilherme, mas creio que o filme pelo menos conseguiu me manter tenso e entretido durante vários momentos. A atuação do Mark Strong estava ótima e realmente merecia profundidade. A repórter, que no final é exaltada como tendo grande importância, pareceu apenas narrar os eventos, talvez sendo a personagem mais fraca. O Jamie Bell estava até bem. Consegui perceber a ansiedade dele, a angústia, a vontade de resolver, o peso da responsabilidade. Enfim, o filme poderia ser melhor? Poderia. Todavia, hoje em dia me sinto contente se não sentir que meu tempo foi perdido.

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Maitê 5 de novembro de 2017 - 21:29

Fico impressionada com a falta de sorte o ator Jamie Bell (meu querido e amado Billy Elliot) na escolha dos roteiros de seus filmes e/ou diretores. A carreira dele mais parece um daqueles filmes sobre “a volta-dos-que-não-foram”. Uma pena.

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