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Crítica | A 5ª Onda

por Luiz Santiago
288 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 2

Adaptação de um livro que faz com os aliens o que Crepúsculo fez com os vampiros, A 5ª Onda estabelece uma invasão ao planeta Terra feita de uma forma mais sistemática do que aquelas a que estamos acostumados. A trama tem como fio da meada a família Sullivan, especialmente os filhos Cassie e Sam a quem vemos passar por diversos problemas tentando se proteger dos alienígenas malvados que querem a Terra, usando, para isso, “ondas” de tragédias cujo objetivo é eliminar a espécie humana.

Algumas semelhanças com Jogos Vorazes se mostram claras na adaptação, mas não existe de fato uma sociedade organizada, um conflito fortemente estabelecido e um trabalho coerente de construção narrativa. A passagem da vida normal para a vida de perseguição e fuga se dá por um flashback pouco orgânico e curto, onde os roteiristas tentam ao máximo mostrar uma face dócil, unida e amorosa dos personagens a fim de ativarem um contraste que virá apenas parcialmente no futuro e de forma um pouco mais efetiva nos coadjuvantes.

Cassie, interpretada por Chloë Grace Moretz, tem uma mudança de tom em sua personalidade de um momento para outro, mas não em uma linha de contraste pelo amadurecimento (endurecimento) de sua persona mas sim pelo choque. A atriz não está ruim no papel, mas o roteiro não lhe dá a oportunidade de avançar além do básico clichê ou do repetitivamente impressionada com toda a situação. É evidente que essa postura condiz com a situação do mundo à beira da extinção humana, mas o fato do enredo se estacionar em um único caminho para cada bloco de personagens acaba tornando tudo chateante a ponto de chegar um momento em que o romance e a linha das emoções à flor da pele tomam corpo e dominam a história, piorando o que já não estava bom.

Entre efeitos visuais mais ou menos aceitáveis para a destruição do mundo via “causas provocadas” e uma exploração até interessante do espaço externo percorrido por Cassie, o espectador é jogado para um funil narrativo, onde todos os soldados-crianças e emoções diversas se encontram. Alguns desses elementos são realmente bons, como o jogo astuto dos alienígenas para enganar os humanos e usá-los como arma para destruírem a si mesmos (inspiração em Eles Vivem), partindo de uma “iniciativa crianças-vingadoras”.

Abrem-se aqui as portas para questionamentos de lógica do texto, como o fato dos aliens, com toda a sua tecnologia, precisarem fazer com que o planeta e as nossas fraquezas biológicas matem os mais fracos nas primeiras “ondas” e os humanos matem a si mesmos na quinta onda. Se o livro explora isso de alguma forma, o roteiro sequer sugere uma explicação. Em um momento, Ben Parish conversa com o Coronel Vosch a respeito desse domínio, mas daquele diálogo, onde surge uma crítica ao processo de colonização e extermínio de povos ao longo de nossa História, nada pode ser tomado como justificativa, explicação ou motivação dos “Outros” para o seu modus operandi. Nem a forma mais preguiçosa de explicar, como dizer que era apenas “algo cultural” o roteiro se permite falar. E tudo é dado apenas como fato consumado.

Nada melhora quando o romance entre Cassie e Evan surge na tela. Essa pate do longa só ganha um ponto bom e assistível na primeira missão das crianças e na revelação de quem são os “Outros”. Desse momento em diante, a caminhada pra o desfecho do filme é percorrida sempre entre esses dois grupos de ação, um interessante e mais ou menos bem executado e outro ruim, desnecessário e mal executado. Curiosamente, é no desfecho da fita que a trilha sonora é melhor utilizada e a perseguição ganha um nível intenso e chamativo, muito melhor do que o miolo insosso da película.

A premissa de A 5ª Onda se torna interessante à medida que entendemos o verdadeiro propósito dos invasores e imaginamos algo que o filme não mostra: a real luta entre humanos e alienígenas. Infelizmente, isto só será visto em uma [possível] sequência. Para a nossa tristeza.

A 5ª Onda (The 5th Wave) — EUA, 2016
Direção: J Blakeson
Roteiro: Susannah Grant, Akiva Goldsman, Jeff Pinkner (baseado na orba de Rick Yancey).
Elenco: Chloë Grace Moretz, Matthew Zuk, Gabriela Lopez, Bailey Anne Borders, Nick Robinson, Ron Livingston, Maggie Siff, Zackary Arthur, Parker Wierling, Madison Staines, Tony Revolori, Liev Schreiber, Maria Bello, Alex Roe
Duração: 112 min.

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24 comentários

Alain Oliveira 10 de abril de 2016 - 23:18

Assisti o filme hoje e infelizmente não posso desvê-lo. Horroroso!

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Luiz Santiago 11 de abril de 2016 - 10:52

Pois é, fiquei nessa coisa de desver, mas não deu. Que filme ruim!

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Luiz Santiago 11 de abril de 2016 - 10:52

Pois é, fiquei nessa coisa de desver, mas não deu. Que filme ruim!

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Felipe 26 de janeiro de 2016 - 04:28

Mas que filme decepcionante! Assisti o trailer e apesar de ter ressalvas com filmes adolescentes, fiquei até interessado em “A 5° Onda”, a premissa era boa, Moretz é uma atriz promissora e estava achando até estranho que ela ainda não tivesse uma saga pra chamar de sua… Infelizmente ela teve.
O filme além de extremamente previsível, resolveu reunir t-o-d-o-s os clichês de filmes do gênero e colocar em um só. Temos o garoto tirando camisa pra nada, um trio amoroso desinteressante, uma criança pedinho um urso quando a morte estava próxima, a irmã desesperada pra salvar o irmão se achando a heroína/dona do mundo, uma garota ‘badass’ problemática (a única boa personagem do filme), enfim… O material completo pro desastre. No início do filme ele parecia até interessante, tinha gostado da forma como as coisas iam sendo jogadas rápidas aos telespectadores, sem muito nhem nhem nehm, mas depois de trinta minutos o filmes começa a dar voltas e voltas e depois de quase duas horas de filme saímos da sessão sabendo somente a premissa, só. A definição pra esse filme é frustração. Poderia ter sido bem melhor, e se os livros forem perto do que o filme é, queimem todos.
P.s: estava com dois amigos, um casal de namorados, assistindo. A menina amou e o menino não. Temos um novo crepúsculo haha.

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Luiz Santiago 27 de janeiro de 2016 - 06:27

Temos um novo Crepúsculo. Esta foi exatamente a sensação que eu tive quando o menino apareceu tomando banho no rio, lago, sei lá o que era aquilo. A colocação daquele romance bizarro no meio de tudo estragou o que já estava estragado. Não tem salvação.

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Augusto Campos 25 de janeiro de 2016 - 20:33

Pior filme do ano, e o ano começou agora , mas é tudo muito mal feito e atores péssimos. Até gosto da atriz Chiloë,mas até ela está ruim.

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Luiz Santiago 25 de janeiro de 2016 - 22:50

Eu achei a Chloë Grace Moretz aceitável dentro da proposta furreca do filme. Pelo menos a maior parte do tempo. É como eu falei no texto, ela assume a persona “espantada” e fica lá. Faltou desenvolvimento, com certeza… Gostaria de saber se o filme funcionou para o público adolescente…

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jcesarfe 25 de janeiro de 2016 - 13:09

O filme é muito sem graça (pior que muita gente gostou).
A ideia original parece ser muito boa, mas é o maior desperdício que eu já vi, tudo é desnecessário, onde deve ser rápido ele fica lento, onde deve ser lento ele fica rápido, fora as atuações deploráveis e a idiotice do urso é o fim da picada (pior é que eu tenho certeza que a garota perde o urso na floresta e depois misticamente ela aparece com ele, uma prova de que o urso é o vilão).

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Luiz Santiago 25 de janeiro de 2016 - 16:30

“uma prova de que o urso é o vilão”. HAHAHAHAHAHA, melhor comentário!

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Junito Hartley 25 de janeiro de 2016 - 12:00

Esse filme me deu vontade varias vezes de sair da sala do cinema no meio do filme, so fiquei pra dar sentido no meu dinheiro gasto, que filme lixoso! tomara que nao tenha uma continuaçao dessa bomba, vc ainda deu 2 estrelas, eu nao dava nenhuma.

Os outros usam nas 4 ondas meios bem poderosos pra aniquilar a raça humana, ai no que seria meio mais foda de usar na 5 onda os caras me colocam crianças pra matar os restos de humanos, SERIO ISSO?! se os aliens dominavam o exercito nao seria mais facil eles matar os humanos?

PS: Porque so os carros, caminhoes e avioes do exercito funcionavam??????

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Luiz Santiago 25 de janeiro de 2016 - 12:22

Esse negócio de colocar as crianças para matar o restante da humanidade me fez rir muito no cinema. Coisa mais estúpida do mundo!

Ah, os carros e os aviões do Exército funcionavam porque eles não eram humanos, eram os “Outros”. A primeira vez que eles apareceram eu fiquei: WHAT??? Mas depois entendi. Mesmo assim, é horroroso.

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Augusto Campos 25 de janeiro de 2016 - 20:30

O filme é ruim mesmo, mas somente eles funcionava ( spoiler) porque eles eram o Et.

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Henrique Valle 25 de janeiro de 2016 - 10:05

Mesmo com as críticas negativas, esse review fez eu me interessar pela história. Rola uma crítica do livro?

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Luiz Santiago 25 de janeiro de 2016 - 10:44

As ideias em si até que são legais, mas elas partem de princípios descaradamente externos a “A 5ª Onda”. Normalmente a gente lida muito com isso no mundo das artes, mas nesse caso, é uma cara da pau do tamanho do universo.

E sobre o livro, a não ser que outro colunista aqui queira. Mas eu não pretendo fazer do livro não… 🙁

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Helder Zemo 25 de janeiro de 2016 - 08:47

Uma palavra pra esse filme: Genérico, conceitos reciclados de outras series e filmes melhores sem apresentar algo novo…

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Luiz Santiago 25 de janeiro de 2016 - 10:42

Exato! E o pior de tudo é que algumas pessoas tem recebido com um bizarro ânimo, como se fosse a coisa mais original e inteligente do mundo.

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Leo Moura 24 de janeiro de 2016 - 14:14

Vamos ver se vai ter uma bilheteria rentável para consequentemente ter Mar Infinito.

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Luiz Santiago 24 de janeiro de 2016 - 14:16

Se continuarem, espero firmemente que se foquem em uma linha narrativa e fiquem nela, sem distrações desnecessárias… Você viu esse? Gostou?

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Leo Moura 24 de janeiro de 2016 - 21:34

Luiz pra ser bem sincero, não gostei não. Eu li o livro e achei a proposta bem interessante e até achava original, até eu ler sua crítica e você mencionar “Eles Vivem”, não é todo ruim mas no decorrer começa ter aquele ar de crepúsculo e pra mim já não dava mais rs.

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Luiz Santiago 25 de janeiro de 2016 - 04:47

Então pensamos o mesmo a respeito. Aquela parte do romance foi simplesmente patética… E colocada em um momento que jamais cabia, não fazia sentido algum!

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Helder Zemo 25 de janeiro de 2016 - 08:46

é, 10 milhoes na estreia nos EUA não foi muita coisa, entao…

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Luiz Santiago 25 de janeiro de 2016 - 10:49

10 milhões? Então o filme já se pagou. O orçamento foi mais ou menos em torno desse valor. Acho que se der nem que seja um leve lucro, a Columbia até arrisque um segundo filme… aff…

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Helder Zemo 25 de janeiro de 2016 - 11:29

o orçamento é 80 milhoes, vai ter que ralar pra pelo menos se pagar nos Eua e fazer o mesmo valor internacionamente, dificil e espero que isso nao ocorra kkkk

Responder
Luiz Santiago 25 de janeiro de 2016 - 12:20

Ah, então é 80??? Aí é tranquilo. É bom mesmo que perca para não ter que aturarmos mais dessa baboseira no cinema…

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