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Crítica | A Alcateia (2015)

Uma história de cães selvagens: horror ecológico + confinamento = puro horror.

por Leonardo Campos
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Em outras reflexões sobre filmes voltados ao eixo narrativo do subgênero horror ecológico, mencionei que a realidade pode ser muito mais assustadora que a ficção. Apesar da intensidade dos níveis de horror no desenvolvimento de A Alcateia, no território australiano, situações como as apresentadas pelo filme não são exatamente rotineiras, mas já aconteceram algumas vezes e deixaram as pessoas arrepiadas ao saber de tal possibilidade de contato entre humanos e animais selvagens. No caso das vítimas, quando sobrevivem, ficam aos frangalhos, fisicamente e psicologicamente, tal como no recente ataque de um dingo, cão selvagem que atacou um bebê enquanto os pais dormiam numa vã, durante uma viagem. O bicho mordeu o pescoço e o crânio e deixou várias marcas, num final ao menos otimista, diferente do polêmico caso de 1980, inspirador para o filme Um Grito no Escuro, protagonizado por Meryl Streep e Sam Neill. Quem lembra?

A trama, lançada é 1983, inspirou-se na história de uma mãe que ficou presa por 3 anos, até ter a sua sentença revogada. Ela foi acusada de ter assassinado a filha recém-nascida, mas vestígio da roupa da criança, encontrados algum tempo depois nas imediações de várias tocas de cães selvagens, permitiu que a polícia muda-se os rumos da saga desta mulher sofrida. A mesma sensação de horror da vida real permitiu que o cineasta Nick Robertson gerenciasse o clima de horror constante em A Alcateia, produção realizada com base no roteiro de Evan Randall Green, texto dramático construído com base em situações reais ocorridas na Austrália recentemente, divulgada nos meios de comunicação, algo que nos causa arrepios só de pensar. Numa mescla de horror ecológico com narrativa de confinamento, acompanhamos ao longo de seus 90 minutos, a trajetória de uma família que precisa sobreviver diante do inesperado ataque de cães selvagens.

Numa fazenda isolada da região, um fazendeiro e sua família são colocados à prova depois que uma comemoração não sai tão feliz quanto o esperado e o ataque das mencionadas criaturas selvagens mantêm os personagens confinados, sem saber se haverá possibilidade de sobreviver diante de situação tão adversa. Uma matilha de cães ferozes e com alto potencial assassino começa a caça-los impiedosamente, dando “nome e sobrenome” e deixando um rastro de pavor nunca esquecido pelos acuados desta noite de horror fatídica. Na trama, Adam (Jack Campbell) precisa lidar com estas criaturas de tamanho além do normal, além de ter que segurar as emoções depois que a sua esposa, Carla (Anna Lise Phillips), gerenciadora dos negócios da família, informa que as coisas não estão nada bem e que o empreendimento veterinário adentrou em falência. Arrasados, eles se unem em prol da crise e numa noite de jantar em casa, com os filhos, resolvem relaxar diante da crise, sem saber que algo muito pior e mortal os espera do lado de fora, presença selvagem que além de farejá-los, pretender retirá-los de casa para a “ceia canina”.

Lançado em 2015, o nome original de A Alcateia lembra A Longa Noite de Terror, clássico do horror ecológico de 1977, mas não há conexão alguma, apenas similaridade dos títulos e do argumento, isto é, a presença de cães transformados em criaturas assassinas e perigosas. Sem telefone, energia elétrica e privados de outras necessidades, os membros da família Wilson sofrem os diabos e batalham até o fim, num final menos pessimista do que o esperado, mas um trajeto que não deixa de ter os seus jorros de sangue. Para fazer o filme funcionar bem, o design de som supervisionado por Paul Pirola cumpre bem a sua função ao espalhar sonoridades inquietantes ao longo do filme, num acompanhamento eficaz da trilha sonora, composta por Tom Schutzinger, acompanhamentos para as imagens da direção de fotografia assinada por Benjamin Shirley, escurecida em alguns trechos, mas banhada por luz nos momentos certos. Ademais, na supervisão dos efeitos visuais, Mark Holman Harris faz uso da tecnologia digital, mas não afunda o filme em cães bizarros erguidos por CGI em excesso, o que torna A Alcateia mais interessante, realista e assustador.

A Alcateia — (The Pack– Austrália, 2015)
Direção: Nick Robertson
Roteiro: Evan Randall Green
Elenco: Jack Campbell, Anna Lise Phillips, Kieran Thomas McNamara, Hamish Phillips, Devon Amber, Dianna Buckland
Duração: 90 min.

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