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Crítica | A Bruxa de Blair

por Leonardo Campos
352 views (a partir de agosto de 2020)

Campanhas publicitárias arrasadoras quase sempre estiveram presentes no esquema industrial cinematográfico. Quem não se lembra “daqueles” filmes que tiveram acompanhamento publicitário mais interessante que a obra em si? A Bruxa de Blair não teve uma campanha arrasadora no que tange ao financiamento de bonés, camisas, comerciais em horários nobres, mas produziu um segmento diferenciado de divulgação numa época em que a internet ainda não estava tão democratizada.

Moral da história: foi sucesso de crítica e público e conquistou um lugar sofisticado na história do cinema contemporâneo, haja vista a necessidade humana de novidades constantes para aquecer uma sociedade imersa numa cultura da imagem à beira da saturação. Com roteiro e direção assinados por Daniel Myric e Eduardo Sanchez, a história é tão sedutora e perigosa quanto as sereias da Odisseia de Ulisses: Heather Donahue, Michael C. Williams e Joshua Leonard envolvem-se na produção de um documentário sobre a fábula da Bruxa de Blair. Eles viajam para Burkittsville para realizar entrevistas os com os moradores, pessoas que lhes contam a história de Rustin Parr, eremita responsável pelo sequestro de sete crianças na década de 1940.

Ao ser capturado pela polícia, o sequestrador que assassinou as crianças alegou que estava possuído pelo espírito de Elly Kedward, uma bruxa enforcada no século XVIII. Impressionados com os relatos, os estudantes decidem ir mais fundo na pesquisa e adentram na lendária floresta. Será neste espaço que as coisas começarão a dar errado. Confusões, sustos, sons estranhos e desavenças transformam a experiência investigativa no pior pesadelo de suas vidas.

O filme é considerado pelos historiadores do cinema recente como o precursor da popularização, na virada do século, do found foutage, um gênero que assim como todos os outros do esquema industrial de produção, exauriu-se diante de tantas produções, algumas elegantes e interessantes, outras presas aos ditames de fórmulas esquemáticas e oportunistas.

No que tange aos detalhes estruturais, A Bruxa de Blair não é tão arrebatador. A montagem cuidou da dinâmica, com apenas 81 minutos de filme, tendo na narrativa o essencial para que possamos compreender a história, além dos atores se entregarem da melhor maneira possível, no intuito de dar credibilidade ao filme, sem depender de sustos fáceis ou ferrões musicais para os seus desempenhos dramáticos, numa cenografia assustadora, cuidadosamente elaborada pelos envolvidos na produção.

Na época do seu lançamento em Cannes, a campanha de divulgação distribuiu cartazes com o rosto dos atores, dados como desaparecidos. Tal façanha midiática também foi aplicada ao site IMDB, que divulgou o desaparecimento do elenco durante a produção. A mãe de um dos envolvidos, inclusive, recebeu condolências pelo “suposto falecimento de sua filha viva”.

Como era de se esperar, A Bruxa de Blair ganhou uma continuação pouco tempo depois. Ter entrado para a seara dos 100 filmes americanos de maior sucesso financeiro de todos os tempos abriu espaço para uma possível franquia, mas a indústria não o aproveitou de forma ordinária, tal como Jogos Mortais, Colheita Maldita e outros filmes do gênero que ganharam continuações numerosas. Inicialmente interessante, a sequência se perde tal como os estudantes de cinema deste primeiro filme. A análise, entretanto, é assunto para outra crítica. Enquanto isso confira a origem de tudo e prepare-se para o terceiro filme, a estrear em breve nos cinemas.

A Bruxa de Blair ( The Blair Witch Projetc) – EUA, 1999 
Direção: Daniel Myrick e Eduardo Sanchéz
Roteiro: Daniel Myrick e Eduardo Sanchéz
Elenco: Heather Donahue, Joshua Leonard, Michael C. Williams, Sandra Sanchez, Jim King, Bob Griffin, Patricia Decou, Mark Mason
Duração: 81 min.

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13 comentários

João 6 de fevereiro de 2021 - 20:53

Confesso que estou até agora tentando compreender porque foi dado apenas uma nota 3 pra esse filme?

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Luiz Santiago 25 de fevereiro de 2021 - 23:51

Ué. É só ler o texto.

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João 26 de fevereiro de 2021 - 11:38

Mas eu li, não vi nada na crítica que justificou essa nota medíocre e injusta, não vi nenhuma crítica muito negativa no texto

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Luiz Santiago 26 de fevereiro de 2021 - 12:02

Aí já é um problema que compete unicamente a você. Opinião: cada um tem a sua.

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João 26 de fevereiro de 2021 - 12:03

Ok

Diogo Maia 3 de outubro de 2020 - 15:29

Creio que a maior parte da crítica negativa destinada ao filme se deve às inúmeras produções do estilo “found footage” que foram lançadas no cinema nos anos seguintes influenciadas por ele. Na minha opinião é uma das obras de horror mais interessantes das últimas décadas. Lembro me bem de quando lhe assisti pela primeira vez. Era garoto, provavelmente uns doze anos, e não havia acompanhado o hype na época (era praticamente impossível para uma criança ficar informada a respeito disso no Brasil, só lendo a Set, mas como não tinha grana, o jeito era tentar alguma notícia pelo Telecine, mas não era fácil). Pois bem, eis que num sábado de manhã eu liguei a TV e o filme estava começando e eu acreditei naquilo até os créditos finais, quando era informado que tudo não passava de ficção. Foi, de longe, a experiência mais assustadora que eu já tive vendo um filme, pois para mim tudo aquilo era real. Enfim, uma obra subestimada e atacada muito por conta dos seus frutos indesejados que infestaram os cinemas nos últimos anos.

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Janerson Krischke 18 de setembro de 2016 - 20:55

Sou amante de filmes de terror e possuo em minha lista pessoal clássicos absolutos como O Exorcista, O Iluminado, A Noite dos Mortos-Vivos, entre outros. Na década de 80 e 90 esse filão foi mais explorado e junto a bons filmes houveram outros totalmente descartáveis. Bem, quanto a mídia apontou seus holofotes para a Bruxa de Blair ao final do milênio passado, eu fui picado pela curiosidade e prontamente assisti o filme. E posso afirmar que minha decepção foi muito maior que meu interesse inicial. Em minha opinião trata-se de um filme chato, arrastado e superestimado e conseguiram a façanha de fazer algo ainda pior no ano seguinte ao criar A Bruxa de Blair, o Livro dos Sonhos. que num momento de masoquismo extremo resolvi assistir.

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Janerson Krischke 18 de setembro de 2016 - 20:55

Sou amante de filmes de terror e possuo em minha lista pessoal clássicos absolutos como O Exorcista, O Iluminado, A Noite dos Mortos-Vivos, entre outros. Na década de 80 e 90 esse filão foi mais explorado e junto a bons filmes houveram outros totalmente descartáveis. Bem, quanto a mídia apontou seus holofotes para a Bruxa de Blair ao final do milênio passado, eu fui picado pela curiosidade e prontamente assisti o filme. E posso afirmar que minha decepção foi muito maior que meu interesse inicial. Em minha opinião trata-se de um filme chato, arrastado e superestimado e conseguiram a façanha de fazer algo ainda pior no ano seguinte ao criar A Bruxa de Blair, o Livro dos Sonhos. que num momento de masoquismo extremo resolvi assistir.

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Claudinei Maciel 13 de setembro de 2016 - 19:59

Confesso que curti muito esse filme à época. Achei interessante e de uma ousadia muito legal.
Colecionava revistas de cinema, e, por causa disso, participei de um concurso da revista que pedia para criarmos uma história da bruxa. Me concentrei e enviei meu conto, tirando o terceiro lugar e tive direito a uma cópia VHS de “A Bruxa de Blair”.
Daí, a velha sorte me abraçou, a revista faliu e jamais vi meu prêmio… kkkkkk
Mesmo assim, alguns anos depois adquiri o filme, já em formato DVD, e desde então minha coleção ficou mais legal.
Eu gosto desse filme, achei a continuação uma abominação e por causa disso já renego qualquer outra parte que possa vir…
Mas achei interessantíssimo o que os diretores fizeram, o quanto a cidade se empenhou na brincadeira, e até hoje acho um belo tapa de pelica em grandes produções de hoje que gastam horrores para fazer umas obras meia-boca.
Pena que Daniel e Eduardo foram engolidos pelo sistema e nada mais de bom saiu da parceria e, tampouco, Hollywood aprendeu como fazer um filme lucrar com um pouco de neurônios ativos.

Responder
Claudinei Maciel 13 de setembro de 2016 - 19:59

Confesso que curti muito esse filme à época. Achei interessante e de uma ousadia muito legal.
Colecionava revistas de cinema, e, por causa disso, participei de um concurso da revista que pedia para criarmos uma história da bruxa. Me concentrei e enviei meu conto, tirando o terceiro lugar e tive direito a uma cópia VHS de “A Bruxa de Blair”.
Daí, a velha sorte me abraçou, a revista faliu e jamais vi meu prêmio… kkkkkk
Mesmo assim, alguns anos depois adquiri o filme, já em formato DVD, e desde então minha coleção ficou mais legal.
Eu gosto desse filme, achei a continuação uma abominação e por causa disso já renego qualquer outra parte que possa vir…
Mas achei interessantíssimo o que os diretores fizeram, o quanto a cidade se empenhou na brincadeira, e até hoje acho um belo tapa de pelica em grandes produções de hoje que gastam horrores para fazer umas obras meia-boca.
Pena que Daniel e Eduardo foram engolidos pelo sistema e nada mais de bom saiu da parceria e, tampouco, Hollywood aprendeu como fazer um filme lucrar com um pouco de neurônios ativos.

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JC 13 de setembro de 2016 - 19:43

Um dos meus filmes prediletos.
Se você entra na imersão do filme…saí tremendo dele.
Gosto de tudo nesse filme. Curiosamente…comprei o VHS há ANOS e nunca botei nem pra ver como é o menu…agora que o próximo vai estrear vou -rever.
Já o segundo filme…é considerado por mim, como um dos piores filmes já feitos no universo.

Responder
JC 13 de setembro de 2016 - 19:43

Um dos meus filmes prediletos.
Se você entra na imersão do filme…saí tremendo dele.
Gosto de tudo nesse filme. Curiosamente…comprei o VHS há ANOS e nunca botei nem pra ver como é o menu…agora que o próximo vai estrear vou -rever.
Já o segundo filme…é considerado por mim, como um dos piores filmes já feitos no universo.

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João 25 de fevereiro de 2021 - 23:51

Vhs não possuem menu.

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