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Crítica | A Casa do Dragão – 1X05: Iluminamos o Caminho

Casamento verde.

por Kevin Rick
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  • Há spoilers. Leiam, aqui, as críticas dos outros episódios da série, e, aqui, todo o nosso material de Game of Thrones.

Posso estar errado, mas Iluminamos o Caminho parece representar uma espécie de desfecho de capítulo na história da série, tanto em termos de fechamento da introdução narrativa para conhecermos os personagens e quais são seus objetivos, quanto como finalização do período de paz que prenuncia o início da famosa guerra civil dos Targaryens com a possível morte de Viserys no final do episódio. É provável que teremos um salto temporal semana que vem, com a mudança de atrizes para Rhaenyra e Alicent, assim como o efetivo início da guerra civil pela coroa.

O que Iluminamos o Caminho faz muito bem é terminar de pavimentar o caminho para os confrontos familiares e organizar as cartas e posições daqueles que querem o trono de ferro. A disputa pela sucessão da coroa está, agora, claramente dividida em três frentes: a herdeira oficial Rhaenyra, junto da Casa Velaryon; Alicent Hightower e seu filho Aegon, com auxílio popular; e Daemon correndo por fora como rei do Mar Estreito (ainda mantém esse título sem a ajuda da Casa Velaryon?) e legatário de Runestone. Será interessante notar como o roteiro e a direção da série lidam com uma possível mudança narrativa e visual, com mais batalhas e menos dramas de cortes, afinal, não tem como esses sucessores lutarem pela coroa morando sob o mesmo teto no palácio de Porto Real.

Por enquanto, porém, o seriado mantém a mesma linguagem de realeza, focando no cenário de casamento de conveniência política entre Rhaenyra e Laenor Velaryon. Em determinado momento do episódio, Laenor diz para sua noiva que dançar não é diferente de combate. Podemos ver essa lógica aplicada à ocasião matrimonial, se inspirando em obras sobre monarquia para nos brindar com uma festa passiva-agressiva, cheia de rumores, tensões, ameaças implícitas e aparições surpresas que transformam o cenário de celebração em um verdadeiro campo de batalha em que olhares carregados atacam, pequenos sussurros iniciam confrontos e uma escolha de figurino é uma declaração de guerra.

Como disse algumas vezes, eu amo esse lado palaciano do seriado, algo muito bem enfatizado pela direção teatral e de planos íntimos de Clare Kilner. A cineasta adora um foco em rostos quando temos uma chegada inesperada (tanto de Daemon quanto de Alicent), assim como shots da perspectiva dos personagens que estão investigando os acontecimentos do salão. Também gostei de como a diretora lidou com a briga no casamento, criando um senso de confusão e de mistério tanto para quem estava no local quanto para o telespectador, até que vemos Cole soltando sua raiva no amante de Laenor.

As ações impulsivas e exageradas de Cole são representativas de como a série lida com seus personagens, sempre com respostas emocionais e não racionais, algo que busca inspiração em tragédias românticas e familiares que acompanham obras sobre a realeza. Por exemplo, Cole, claro, mata por arranque e quase comete suicídio logo em seguida; Rhaenyra parece mais interessada em suas predileções sexuais e em ver o circo pegar fogo do que com a coroa em si (acredito que isso vai mudar quando ela notar sua posição vulnerável, assim como aconteceu com Alicent após a conversa com Otto); Viserys está sempre surpreso e sem ação com o comportamento daqueles a sua volta; Laenor perde seu amado; e Daemon se mostra um personagem cada vez mais unidimensional para um seriado que continua se distanciando de ambivalência com seus indivíduos.

Isso respinga no lado político da série, que continua fraco para mim. Alguns exemplos: Daemon assassina sua esposa e depois demanda sua herança, e Alicent conversa com seu pai e depois declara guerra à Rhaenyra e ao próprio rei, e por aí vai, como ocorreu com a “demissão” de Otto no episódio anterior após a conversa entre a princesa e o rei. São desdobramentos previsíveis, convenientes, rápidos e objetivos que ainda restringem o seriado de alçar excelência e extrair boas reviravoltas políticas.

No entanto, Iluminamos o Caminho é um episódio tão bem construído e contextualizado como o desfecho do ato de abertura da série que é difícil encontrar muitos criticismos até em suas tramas e situações mais óbvias. O “inverno está chegando” por muito tempo foi o ponto aguardado em GoT, enquanto aqui é o início da guerra civil. Aparentemente, acabamos de ver a calmaria antes da tempestade comprimida em cinco episódios, às vezes um pouco corrido, seguro e direto demais para meu gosto, mas com ótima organização para sinalizar os motivos do fim da paz na Dinastia Targaryen, algo representado pela melancolia de Viserys como um rei passivo e sem desafios, e sua derrocada em um casamento sangrento e cheio de ratos querendo a coroa.

A Casa do Dragão – 1X05: Iluminamos o Caminho (House of The Dragon – 1X05: We Light the Way) | EUA, 18 de setembro de 2022
Criação: 
Ryan J. Condal, George R. R. Martin
Direção: Clare Kilner
Roteiro: Ira Parker
Elenco: Paddy Considine, Matt Smith, Emma D’Arcy, Rhys Ifans, Steve Toussaint, Eve Best, Sonoya Mizuno, Fabien Frankel, Milly Alcock, Emily Carey, Graham McTavish
Duração: 63 min.

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