Crítica | A Centopeia Humana 3 (Sequência Final)

A Centopeia Humana 3 (Sequência Final)

Com a atitude mais vergonhosa que um diretor poderia ter, Tom Six tenta inflar o próprio ego com A Centopeia Humana 3. Com uma narrativa podre, repleta de piadas auto intituladas “politicamente incorretas” mas que não passam de uma falha de Six em tentar chamar a atenção, o diretor prova mais uma vez que não tem interesse em construir uma obra minimamente pensada: o importante é “causar”. O pior de tudo, é saber que no imaginário dele, tal plano é tão eficiente que a todo momento remete a um autoelogio dentro do filme. Na sequência final, Bill Boss (Dieter Laser, o médico maluco de A Centopeia Humana) e Dwight Butler (Laurence R. Harvey, o protagonista amante de centopeias do segundo filme) dirigem uma prisão conhecida por conter os prisioneiros mais agressivos. Com a iminente ameaça de agentes externos, que prometem fechar a instituição caso a situação não melhore, os dois concordam em tomar uma atitude extrema: traumatizar os prisioneiros em uma espécie de centopeia humana com o objetivo de que eles nunca mais cometam qualquer delito.

Tom Six não aprendeu com o segundo filme e repete o mesmo dilema: ser errado o suficiente para aparecer na mídia. E dessa vez conseguiu ser ainda pior, pois nada do roteiro contribui positivamente para a construção da linha narrativa. A Centopeia Humana 3 é literalmente um compilado de todas as piadas de mal grado que existem na sociedade, sem qualquer sentido ou motivos para estarem lá. Além de gerar um efeito nojento e repulsivo à trama, essa falta de inteligência conseguiu apagar a atuação dos protagonistas, que nos dois primeiros filmes foram destaques. Eles ficam escondidos sob o péssimo roteiro, que insiste em tratá-los como personagens sem qualquer tipo de caráter: Bill Boss passa a trama toda gritando piadas de cunho machista, enquanto Butler apenas repete a ideia de transformar os prisioneiros em uma centopeia humana. Infelizmente, esse politicamente incorreto que não é benéfico para ninguém novamente alcança seu objetivo. Tom Six mais uma vez consegue seus cinco minutos de fama.

Além disso, a terceira sequência carrega o fardo de um diretor desesperado em amaciar o próprio ego. Na obra, Centopeia Humana 1 e 2 são citados como brilhantíssimos filmes pelos protagonistas, servindo como base para a execução da centopeia humana na prisão. Ora, esse artifício nada mais é que um instrumento de Six em querer acreditar que seu projeto é algo eficiente e inovador (ideia que nem ele mesmo, no fim, parece acreditar). Pior ainda é que, além de estragar a própria imagem, pois ficou marcado como o diretor que não consegue pensar em algo decente e útil, conseguiu manusear os protagonistas para que fossem marionetes do seu ego elevado. É vergonhoso assistir dois grandes atores repetindo incansavelmente o quanto Tom Six é um homem prodígio. O cachê provavelmente foi bem alto para aceitarem algo tão humilhante.

Enfim, é inacreditável como uma trama assim é considerado cinema. Não há definição para o que é uma obra cinematográfica, entretanto um compilado de piadas mal gosto que não acrescentam em nada, somado à falta de competência de um diretor podre que procura cinco minutos de fama na mídia em troca de uma migalha de reconhecimento, já é motivo suficiente para questionarmos se Centopeia Humana 3 de fato é cinema. E caso for, com certeza é o pior que o cinema possa oferecer.

A Centopéia Humana 3 (The Human Centipede 3 (Final Sequence)) – EUA, 2015
Diretor: Tom Six
Roteiro: Tom Six
Elenco: Dieter Laser, Laurence R. Harvey, Eric Roberts, Robert LaSardo, Tommy ‘Tiny’ Lister, Jay Tavare, Clayton Rohner, Bree Olson, Akihiro Kitamura, Bill Hutchens, Carlos Ramirez, Hamzah Saman, Peter Blankenstein
Duração: 102 min.

FERNANDO ANNUNZIATA . . . Por meio de um sonho, fui convocado pessoalmente pela Marilyn Monroe a participar do mundo das críticas cinematográficas. Sem saber o que esse mundo me reservava, cavalguei com a Lady Godiva em busca do Lendário Livro de Verdades. Atravessamos Gotham, Hogwarts e Twin Peaks atrás do nosso objetivo. Com a revelação dentro de um baú feito de mármore a dois metros dos nossos olhos, nos deparamos com o melhor final possível: o Livro era um espelho. Agora sou o dono de todas as verdades e faço parte de um culto de bruxos chamado Plano Crítico. A única resposta que não tenho é se prefiro minha antiga vida, quando eu era um mortal estudante de Comunicação Social de 18 anos, ou a vida atual, na qual eu descobri a verdade sobre Bohemian Rhapsody.