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Crítica | A… de Assassino

por Luiz Santiago
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Parte da graça dos muitos dramas policiais e das histórias do tipo “quem matou?” é justamente o processo de descoberta do assassino ou dos assassinos que estiveram nas sombras desde o começo — e claro, esse “nas sombras” é em relação às suas atitudes conhecidas pelo público, porque muitas vezes o assassino está o tempo inteiro na nossa frente e a gente não vê. Mas não é bem isso que temos aqui em A… de Assassino, um giallo da primeira fase do gênero, onde os diretores ainda ajustavam os caminhos para representar o horror, o sangue, o processo dos assassinatos e a investigação em um enredo de suspense. Nesse sentido, de reunir ingredientes que se tornariam clássicos do gênero, mas ainda sem a força e a desenvoltura no trato, o filme se parece bastante com outras produções de início do giallo no cinema, como A Hiena de Londres (1964), O Monstro de Veneza (1965) e Noites de Violência (1965).

Nessa história, posteriormente novelizada por Ernesto Gastaldi (que já tinha coescrito um giallo antes, Libido, no ano anterior), um magnata inescrupuloso e odiado morre, deixando todos os seus familiares muito felizes, embora nem todos demonstrem essa felicidade. O filme dá os seus primeiros passos procurando criar um ambiente frio, flertando com os clichês do terror (relâmpagos e trovões são usados em abundância, e a cena de abertura se passa à noite), cheio de indivíduos desconfiados e mesquinhos, capazes de qualquer coisa para conseguir colocar as mãos no dinheiro do falecido, especialmente após descobrirem o incomum testamento, um desafio para que os herdeiros escolhessem três, dentre eles, para irem ao escritório e receber a herança. Em outras palavras, parece que o falecido Sr. Prescott queria que todos se matassem.

Embora Angelo Dorigo  não seja um diretor de renome — sua filmografia é bem curta e ele só faria outro giallo na vida, Assassino Sem Rosto, seu último longa –, ele consegue uma boa exploração das camadas de mistério, tratando cada grande revelação como um ato parcialmente isolado, potencializando ao máximo a experiência do público diante de cada reviravolta. E reviravoltas é o que não faltam nesse filme. O texto leva muito a sério a ideia de que “todos são suspeitos” e, diante disso, procura punir todo mundo, tirando os concorrentes à herança do caminho até chegar à tríade final, os definitivos novos milionários da família Prescott. Sem arroubos morais e sem um tratamento vazio e condenatório para esta ou aquela atitude dos personagens, vemos as mortes se sucederem e, aos poucos, os depoimentos desaparecem… para darem lugar à plena ação, onde alguns jogam perigosamente e outros só tentam proteger suas vidas.

A demarcação bem isolada dos blocos dramáticos acaba diminuindo a sensação de unidade geral da obra, mesmo com a linha central obedecendo às revelações necessárias por trás de cada ato vil dos parentes do Sr. Prescott. É na costura dessa linha, na ligação entre os atos e na justificativa para cada reviravolta que o filme se perde um pouco, às vezes deixando de mostrar coisas essenciais, às vezes repetindo uma sequência de ações que pouco acrescentam ao conjunto — some-se a isso e a péssima atuação de parte do elenco, a vergonhosa cena no telhado da mansão ou a comemoração longa demais do jovem que, enfim, conseguirá colocar a mão em todo o dinheiro. O último dos Prescott. O vilão que foi vilão… sem querer. 

A… de Assassino  (A… Come Assassino) — Itália, 1966
Direção: Angelo Dorigo
Roteiro: Sergio Bazzini, Ernesto Gastaldi, Roberto Natale
Elenco: Sergio Ciani, Mary Arden, Ivano Davoli, Nana Aslanoglu, Charlie Charun, Giovanna Galletti, Gilberto Mazzi, Roland Redman, Giovanna Lenzi, Aldo Rendine, Franco Pesce, Ivano Staccioli
Duração: 76 min.

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