Home FilmesCríticas Crítica | A Escavação (2021)

Crítica | A Escavação (2021)

por Roberto Honorato
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Na Inglaterra de 1939, no limiar da Segunda Guerra Mundial, o arqueólogo amador Basil Brown foi contratado para examinar uma área em Sutton Hoo, localizada perto do condado de Suffolk, onde encontrou um dos tesouros mais importantes da história, um grande barco funerário muito bem preservado, principalmente quando consideramos que ele pode ser rastreado para uma Europa da Idade Média, que até o momento era uma área quase carente de mais informações para os historiadores. Com a descoberta de prataria e outros acessórios de enorme valor, o trabalho tomou outra dimensão, com museus e outras entidades governamentais começaram a se envolver cada vez mais na escavação, mas mais uma vez deixando de lado os créditos para Brown. 

É essa descoberta fascinante que serve de premissa para o longa A Escavação, de Simon Stone, mas com a tomada de algumas liberdades criativas e um foco maior na relação de respeito entre Basil Brown, interpretado por Ralph Fiennes mais contido do que o normal, e a sua contratante, a viúva Edith Pretty (Carey Mulligan, sempre ótima), proprietária do terreno. A interação inicial entre os dois parece seguir um caminho mais resistente, mas não demora para que Pretty veja em Brown mais do que apenas um de seus funcionários, mas um amigo que compartilha a paixão pela descoberta e a importância da autonomia e compromisso com o que faz.

Mas o que antes se apresentou como uma premissa objetiva e proposta aparentemente clara de um drama histórico focado em duas personagens interessantes, logo toma um rumo completamente diferente quando o enredo decide introduzir novos personagens, os escavadores contratados para auxiliar Basil e tomar conta do projeto. De início, contribuem para um ritmo mais dinâmico e um tom mais leve e bem humorado, mas é nesse ponto da trama em que Brown e Pretty são deixados de lado por um tempo, quase negligenciados até certo ponto, para que um segundo drama tome uma posição proeminente, dessa vez protagonizado por Lily James, que interpreta a jovem pesquisadora Margaret Guido, mais conhecida como Peggy Piggott.

A relação de Piggott com seu marido é confusa até para a própria personagem, o que a faz questionar se não deveria investir sua atenção em um dos membros da escavação, o fotógrafo Rory Lomax (personagem completamente ficcional, parte de uma das liberdades do longa), interpretado por Johnny Flynn. A escolha de construir um romance apenas na segunda metade da rodagem do longa acaba desviando de forma brusca o drama anteriormente estabelecido pelos protagonistas originais, e o filme parece ter pressa para narrar alguns eventos, mas poderia ter dedicado mais tempo para outros, como uma melhor contextualização da escavação e um olhar menos superficial de personagens que tomam uma postura mais antagônica, ou até mesmo a guerra como pano de fundo, que poderia receber mais espaço para destacar o peso dos minutos finais da obra. 

É essa falta de foco o maior desafio do longa, que por um lado traz um ótimo elenco e a bela direção de arte de Mike Eley, por vezes parecendo interessado em construir algo nos moldes de Terrence Malick, mas como tudo nesse filme, sem se comprometer completamente, o que vai na contramão de tudo que Basil Brown nos apresenta. Mesmo com diversos pontos positivos, A Escavação não se dedica o suficiente a apenas uma de suas propostas, o que acaba tirando um pouco do peso de todas. 

A Escavação  (The Dig) – Inglaterra, 2021
Direção: Simon Stone
Roteiro: Moira Buffini (baseado no romance de John Preston)
Elenco: Ralph Fiennes, Danny Webb, Carey Mulligan, Stephen Worrall, Archie Barnes, Lily James, Robert Wilfort, James Dryden, Joe Hurst, Paul Ready, Peter McDonald, Christopher Godwin, Ellie Piercy, Johnny Flyyn, Jack Bennett
Duração: 112 min.

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