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Crítica | A Feiticeira – 1X01: I, Darrin, Take This Witch, Samantha

por Ritter Fan
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Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 8
Número de episódios: 254
Período de exibição: 17 de setembro de 1964 a 25 de março de 1972
Há reboot? Não. Mas houve (1) um spin-off na forma de um longa animado batizado de Tabitha and Adam and the Clown Family, em 1972; (2) um spin-off na forma de série de TV batizada de Tabitha, que foi ao ar entre 1977 e 1978, com apenas 11 episódios (e dois pilotos, um deles em 1976) e (3) um longa-metragem live-actionA Feiticeira – lançado em 2005.

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Estreando com enorme sucesso de público em 1964 e mantendo-se entre as programações mais assistidas da televisão americana pelos três anos seguintes, somente começando a decair a partir da quarta temporada, A Feiticeira é uma das sitcoms mais reprisadas no mundo inteiro, até hoje volta e meia aparecendo na televisão aberta e a cabo de uma infinidade de países. E é possível que esse sucesso todo venha de sua ousadia em subverter o padrão da televisão da época de maneira inteligente e sutil, ajudando a quebrar um molde machista que até hoje vemos por aí em diversas produções.

A inesquecível Elizabeth Montgomery vive Samantha, uma bela mulher que se apaixona e casa com o publicitário Darrin Stephens (Dick York do começo até 1969 e Dick Sargent de 1969 até 1972) e vai morar na típica casa de subúrbio americana como a típica mulher recatada e do lar que ela deveria ser, cozinhando, lavando e passando roupa para seu trabalhador marido. Mas Samantha é tudo menos a típica alguma coisa, pois ela é, na verdade, uma bruxa que, normalmente com o sexy e inimitável mexidinha de nariz, usa sua magia para uma infinidade de coisas, mas sempre sob o olhar de reprovação do marido.

O primeiro episódio da longeva série é um primor de estabelecimento de premissa e, ainda que o lado mais diretamente subversivo só viesse ao longo das oito temporadas, já fica evidente que A Feiticeira não é exatamente aquela sitcom normal da década de 60. Para começar, há um tom sensual forte, com diálogos risqués, muitos beijos e insinuações de sexo, mesmo que York faça o típico marido bobalhão que mais parece um Jerry Lewis comportado. Além disso, Sam, apesar de demonstrar a Darrin intenção de ser a perfeita e obediente esposa, demonstra ao espectador que ela nunca será do jeito que a convenção da época esperava, algo que sua “limpeza de cozinha” nos segundos finais do capítulo inaugural já escancara. Existe, desde o início, um subtexto discreto que critica a sociedade que exige determinados comportamentos padrão de determinadas pessoas e grupos que, por seu turno, se veem forçadas a seguir esse padrão.

Mas é claro que a bruxa não é só a esposa passiva e está totalmente preparada para defender agressivamente seu território, seja contra a mãe abelhuda Endora (Agnes Moorehead, espetacular) que reprova seu casamento com um “mortal comum”, seja contra a “vilã” do episódio Sheila (Nancy Kovack), a rica ex-namorada de Darrin que convida o casal para um jantar chique com a clara intenção de humilhar Samantha. O que segue daí é diversão pura e do mais alto gabarito, com Montgomery esbanjando simpatia, beleza e, claro, toda a malícia de alguém que sabe que muito facilmente consegue virar o jogo apenas mexendo seu nariz.

Claro que I, Darrin, Take This Witch, Samantha é ainda um esboço do que a série viria a ser, especialmente porque o trabalho inicial do roteiro de Sol Saks, também criador da série inspirado pelo longa Casei-me com uma Feiticeira, de 1942, é lidar com o casamento dos dois, algo que vem por intermédio de uma montagem inicial com narração em off de José Ferrer que deixa a revelação sobre a verdadeira natureza de Samantha para o último segundo, além de apresentar a enxerida Endora e o simpático Darrin, com a rivalidade com Sheila mais parecendo algo pensando posteriormente para criar algum conflito familiar para o espectador. Mas o ritmo é bom, a abertura animada feita pela Hanna-Barbera é fenomenal e a música tema composta por Howard Greenfield e Jack Keller é imediatamente cativante, fazendo do piloto um pacote muito bem trabalhado que imediatamente enfeitiça o espectador.

A Feiticeira – 1X01: I, Darrin, Take This Witch, Samantha (Bewitched – 1X01: I, Darrin, Take This Witch, Samantha – EUA, 17 de setembro de 1964)
Direção: William Asher
Roteiro: Sol Saks
Elenco: Elizabeth Montgomery, Dick York, Agnes Moorehead, Nancy Kovack, José Ferrer
Duração: 26 min.

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