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Crítica | A Galera de Obelix (Asterix)

por Ritter Fan
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Nos longos cinco anos entre A Rosa e o Gládio (1991) e A Galera do Obelix (1996), respectivamente os 29º e 30º álbuns da série – o maior intervalo até então – o mundo não ficou completamente órfão de Asterix e Obelix já que, em 1993, um álbum especial compilando as histórias curtas dos gauleses foi publicado (Asterix e a Volta às Aulas, que receberá crítica oportunamente, já que ele foi republicado de maneira mais ampla e mais completa em 2003) e, em 1995, a animação Asterix Conquista a América, baseada em A Grande Travessia, chegou aos cinemas. No entanto, A Galera de Obelix, assim como a publicação anterior, marca o começo do fim da carreira de Albert Uderzo no comando de sua co-criação com René Goscinny, já que apenas mais dois outros álbuns originais de sua autoria seriam lançados.

Com isso, apesar da ausência de material novo, a fama de Asterix estava em alta e A Galera de Obelix teve enorme tiragem de 2,6 milhões de exemplares só na França, um aumento de mais ou menos 25% em relação ao anterior. E, felizmente, o álbum em quase nada lembra o fraquíssimo A Rosa e o Gládio, já que Uderzo retorna ao que domina, uma história simples, mas aconchegante, sem grandes arroubos criativos como o de seu parceiro, mas ainda assim agradável. Nela, o autor traz a resposta a uma pergunta que certamente muita gente já havia se feito: o que aconteceria se Obelix finalmente bebesse um pouco mais de poção mágica que Panoramix tanto nega a ele? Tudo bem que ele já havia bebido uma gota da poção em Asterix e Cleópatra, com resultados frustrantes para ele, mas, aqui, ele bebe outro caldeirão inteiro, transformando-se em granito.

Enquanto Asterix se desespera e Panoramix corre para fazer uma opção para reverter a tragédia, a história que serve de pano de fundo acontece. Nela, o escravo Espartakis (que, claro, tem a aparência de Kirk Douglas), juntamente com seus colegas escravos, rebelam-se e roubam a galera de Júlio César, remando até a Armórica para buscar proteção dos gauleses. Claro que, enfurecido, César manda o Almirante Consensus recuperar a embarcação a todo custo, sob pena de ele ser enviado para o Coliseu. O que decorre daí são duas linhas narrativas que não se entrosam muito bem, mas que funcionam razoavelmente se o leitor for capaz de perdoar Uderzo por sua falta de tato em trabalhar histórias convergentes. É quase como se houvesse dois álbuns em um só, essa é a grande verdade, uma com uma história inicialmente engraçada, mas que depois se perde e outra que não fede, nem cheira.

A que começa comicamente bem é justamente a de Obelix, pois, depois de virar granito, ele reverte para quando era criança, mas mantendo a mente adulta. Seu desespero é, portanto, ser pequeno, não ser mais forte e não conseguir comer mais três javalis assados, apenas um. O mini-Obelix é, sem dúvida alguma, um achado e uma ótima ideia de Uderzo que, porém, ele não sabe manejar muito bem ao levar a história para Atlântida, em uma trama que parece completamente tirada da cartola. Pelo menos a resolução dessa linha narrativa satisfaz.

Espartakis e seus amigos são como literais panos de fundo. Eles estão constantemente na história, mas sem uma função muito maior do que compor os quadros e volta e meia ter uma fala desimportante. Fica aquela impressão forte de que a existência dessa trama – que, com muito boa vontade, já para chamar de sub-trama – só se justifica para preencher o número de páginas regulamentar do álbum, já que a trama de Obelix poderia ser resolvida muito rapidamente.

O antepenúltimo álbum de Albert Uderzo tem o seu valor, especialmente depois do fraco A Rosa e o Gládio, mas definitivamente não está nem mesmo entre as melhores obras do autor como roteirista. O pequeno e enfezado Obelix diverte e traz algumas risadas, mas não muito mais do que isso.

A Galera de Obelix (La Galère d’Obélix, França – 1996)
Roteiro: Albert Uderzo (baseado em criação de René Goscinny e Albert Uderzo)
Arte: Albert Uderzo
Editora original: Les Éditions Albert René
Editora no Brasil: Editora Record
Páginas: 48

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