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Crítica | A Good Marriage (2014)

por Luiz Santiago
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A Good Marriage (2014), filme dirigido por Peter Askin e escrito por Stephen King (baseado em sua própria obra), adapta, com um certo grau de proximidade, o caso do Assassino BTK (Dennis Rader), preso nos Estados Unidos em 2005 e condenado à prisão perpétua, por 175 anos (cumprindo 10 penas consecutivas de prisão).

O roteiro acompanha o feliz casal Darcy (Joan Allen) e Bob Anderson (Anthony LaPaglia) que vivem uma vida-modelo, que construíram um bom patrimônio financeiro e criaram dois filhos, de quem são próximos e de quem recebem vivas e carinho… o típico “sonho familiar de margarina” temperado com o american way of life. Desde os primeiros minutos do filme a gente sabe que existe algo muito errado nessa relação e o foco do texto é nos mostrar essa derrocada da estrutura familiar e como os personagens irão enfrentar o fato de que um deles é um serial killer.

Tanto a pequena introdução sugestiva quanto a abertura festiva do filme são feitas aqui com um aceitável nível de competência, dando para o público uma visão bem positiva da família protagonista e partindo de um princípio feliz e quase imaculado para depois subverter a ordem das coisas e trazer a ameaça. O roteiro de Stephen King é correto nesse aspecto e a direção de Peter Askin é feliz em estabelecer algo e, ao mesmo tempo, sugerir outro através de olhares e algumas ações. Alguns trechos da trilha sonora também sugerem o perigo, mas de maneira rápida. As pequenas nuances neste ponto da história estão ligadas exclusivamente ao comportamento dessas pessoas e a forma como a montagem manipula um pouco o significado do que elas realmente são.

É justamente por ter um interessante início que o espectador começa a rir histericamente quando as coisas passam a dar errado. A pequena sequência que marca a partida dos filhos e de Bob é uma dos momentos mais bizarros que eu já vi no cinema. A fala do filho não tem timing, a atuação ali é totalmente fora de tom, sem graça, como se o ator (Theo Stockman) estivesse totalmente desconfortável no papel. É terrível. Nem os veteranos Joan Allen e Anthony LaPaglia conseguem salvar a sequência. E a partir daí a trama não melhora.

É verdade que o enredo diverte à medida que a identidade do assassino se apresenta e a esposa do “sonho americano” percebe que vive em um pesadelo. O problema é que a direção exagera até não poder mais naquilo que se exige dos atores, e trabalha certas deixas do roteiro de uma forma que nos deixa perguntando “Senhor… por quê?“. Aquelas cenas com o filme de terror passando na TV e a tardia e atropelada apresentação de Bob como o autor dos crimes são coisas que não atingem o objetivo de fortalecer o horror de uma forma bem integrada ao restante da trama.

A primeira delas se perde, porque Joan Allen já estava entregando uma performance de dor, horror e histeria que dava conta do problema. Não é exatamente algo maravilhoso, mas é bom o bastante para dar conta da situação. Já a exibição de Anthony LaPaglia em ação é patética. O roteiro manipula um elemento de circunstância atenuante que chega a ser de mal gosto, considerando que o personagem é baseado em um assassino real. Ele com os olhos marejados e depois com a história das vozes na cabeça (e como isso é tratado na obra) simplesmente não me desceu. Pelo menos um destino interessante foi dado ao personagem, no melhor estilo dos filmes de terror que amedronta, mas é simplório em todo o resto.

Na reta final, King tenta virar a chave para uma recuperação da personagem de Joan Allen mas é como se faltasse meio filme para dar suporte a esse novo status da personagem. A presença de Stephen Lang nesse ponto da obra é aleatória e só serve para ressaltar o tom de estranheza, com o autor tentando concluir algo, mas simplesmente abrindo mais janelas do que amarrando pontas. A Good Marriage tem bons momentos de tensão e a premissa para a obra é aterradora e bem interessante. O problema é que nem roteiro e nem direção conseguem manter seus trabalhos de forma a fazer essa premissa ser bem apreciada do início ao fim. E esse filme a gente já viu muitas outras vezes.

A Good Marriage (EUA, 2014)
Direção: Peter Askin
Roteiro: Stephen King (baseado em sua obra)
Elenco: Joan Allen, Anthony LaPaglia, Stephen Lang, Cara Buono, Kristen Connolly, Mike O’Malley, Theo Stockman, Will Rogers, Pun Bandhu, Terra Mackintosh, Robert Hogan, Sean Dugan, Danny Binstock, Kris Lundberg, Susan Blommaert
Duração: 102 min.

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2 comentários

Rafael Lima 17 de agosto de 2019 - 22:01

O King muito raramente é a melhor pessoa pra adaptar as próprias obras, ne? Embora eu ache que o roteiro aqui nem é mesmo o grande problema (ainda que não ajude muito). A direçao é bem falha, realmente tem várias passagens onde os atores parecem realmente desconfortáveis nos seus papéis, e o ritmo do filme é bem estranho, e não sabe lidar com as víradas de rumo da trama.

Não acho um filme horrível, mas é um filme que se esquece cinco minutos depois de se assistir. O que é um grande desperdício, pois acho a premissa fantástica.

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Acepipe Satã🐂GADO, O PARCIAL 17 de agosto de 2019 - 22:09

Cara, eu juro que eu gargalhei naquela cena que os filhos vão embora. As falas do Theo Stockman tão perdidas, ele faz uma cara horrível, tá completamente desconfortável, não dá. Eu ri que me acabei.

A premissa é mesmo fantástica, por isso que tem momentos aqui que a gente realmente aproveita. Mas pelo visto tu ainda acabou gostando mais do que eu hehehehehe

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