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Crítica | A Grande Família – 1X01: Meu Marido Me Trata Como Se Eu Fosse Uma Geladeira

por Luiz Santiago
4976 views (a partir de agosto de 2020)
Bem-vindos ao Plano Piloto, coluna dedicada a abordar exclusivamente os pilotos de séries de TV.

Número de temporadas: 14
Número de episódios: 485
Período de exibição: 2001 – 2014
Há continuação ou reboot?: Não. Mas a série é um remake.

A Grande Família é provavelmente a série brasileira de maior impacto cultural e com maior amor dos espectadores em relação a um show verdadeiramente nacional. Tirando a Escolinha do Professor Raimundo, programa de estrutura diferente, mas com imensa presença no imaginário dos brasileiro, A Grande Família conseguiu uma grande repercussão e manteve uma alta popularidade ao longo dos seus 14 anos de existência e 485 episódios, exibidos entre 2001 e 2014.

Remake da série de mesmo nome exibida entre 1972 e 1975, pela Rede Globo, A Grande Família retrata o cotidiano dos Silva, uma família de classe média do Rio de Janeiro (a da série clássica morava em São Paulo) que recebe nos roteiros um tratamento que procura emular os muitos problemas que encontramos nos lares de todo o Brasil. A proposta da série, aliás, era justamente a de não apenas fazer uma comédia com situações entre familiares, mas direcionar o humor para um cenário típica e estereotipadamente brasileiro, com cada personagem dando vida a um arquétipo de indivíduos vistos nas casas de todo o país e enfrentando as mais diversas circunstâncias do dia a dia.

O núcleo principal do show — e que nos é apresentado bem claramente nesse episódio piloto — era formado por Nenê (Marieta Severo), a dona da casa; seu esposo Lineu (Marco Nanini); seus filhos Bebel (Guta Stresser) e Tuco (Lúcio Mauro Filho); seu pai Floriano ou Seu Flor (Rogério Cardoso); e seu genro Agostinho Carrara (Pedro Cardoso), o mais famoso e talvez mais querido personagem da série, que até hoje aparece como ícone de memes sobre moda — vale dizer que a equipe de figurinos simplesmente arrebentou nas escolhas para Agostinho –, opiniões sobre qualquer coisa e execução malandra do famoso “jeitinho brasileiro“, uma das características mais notáveis do personagem.

Nesse primeiro episódio do programa, Nenê vive uma crise de idade e faz de tudo para atrair a atenção de Lineu. Há uma relação simbólica entre ela e a geladeira quebrada que precisa ser trocada, e tudo é desencadeado por uma “revista de mulher pelada” que aparece nas mãos de Agostinho e Lineu, fazendo com que Nenê sinta a vontade de ser desejada, de ter o olhar e o carinho do marido depois de tanto tempo de casada. Vendo o episódio tantos anos depois, é interessante notar o risco de se trabalhar algo essencialmente romântico como um motivo de crise no casamento logo no capítulo de abertura do show, mas a coisa funciona muitíssimo bem. Costurada à tentativa de Agostinho em processar a empresa de uma construção que deixou cair uma pedra na cabeça de Seu Flor, a narrativa dá o devido espaço para que cada personagem consiga mostrar um pouco de si, inclusive Beiçola (Marcos Oliveira), que se tornaria recorrente no programa.

Falando um pouco da vida de casado de Lineu e Nenê, Meu Marido Me Trata Como Se Eu Fosse Uma Geladeira é um sólido episódio de apresentação, com todos os ingredientes que fariam de A Grande Família uma febre. Até a música de abertura, cantada por Dudu Nobre nas 12 primeiras temporadas (e regravada por Ivete Sangalo e Zeca Pagodinho na penúltima e última temporadas, respectivamente) acabou ganhando status de “hino” da família brasileira, com toda a sua união de minutos, suas bagunças, brigas, dificuldades financeiras e mais um montão de outras que conhecemos tão bem. Um capítulo inesquecível da televisão brasileira e uma das séries que definitivamente marcou Era.

A Grande Família – 1X01: Meu Marido Me Trata Como Se Eu Fosse Uma Geladeira (Brasil, 29 de março de 2001)
Direção: Mauro Mendonça Filho
Roteiro: Bernardo Guilherme, Marcelo Gonçalves
Elenco: Marco Nanini, Marieta Severo, Rogério Cardoso, Lúcio Mauro Filho, Guta Stresser, Pedro Cardoso, Marcos Oliveira
Duração: 30 min.

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10 comentários

Dude Love 24 de março de 2021 - 23:46

A Grande Família é tão importante, tão gigante, que eu acho até engraçado parar para pensar nela como uma série, com temporadas, e tudo mais (coisa que eu sei que ela obviamente é).
Pra mim ela acaba sendo uma parte da vida mesmo, era uma coisa que tava lá, e eu sabia que ia ver e me divertir.
No mais: Grande Família > Friends, eu ODEIO o Florianinho crescido, e Beiçola é o norman bates que o Brasil precisa

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Luiz Santiago 25 de março de 2021 - 03:20

A gente tem essa sensação mesmo. Parece que a gente fazia parte daquela família também! Era demais!

Beiçola é o norman bates que o Brasil precisa

AHUAHUAHAUHAUAHAUHAU EU TO BERRANDOOOOOOOOO

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JC 24 de março de 2021 - 22:16

Bicho, uma das séries que nem posso comentar nada se é boa ou ruim…isso fazia parte da minha vida.
Era toda quinta (certo?), acabar a novela para ver a Grande Família e ir dormir.
Assisti durante anos e anos a fio, não lembro quando parei, mas foi bem longe, acho que nem vi os ultimos.
Mas é algo simplesmente clássico pra minha memória! <3

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Luiz Santiago 24 de março de 2021 - 22:52

Também fez parte da minha vida nesse nível. Eu não perdia um episódio.

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Junito Hartley 23 de março de 2021 - 15:31

Melhor serie brasileira que ja houve, pena que a parte final ficou ruim demais.

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Luiz Santiago 23 de março de 2021 - 16:59

Acho que no final os atores nem queriam mais…

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José Victor Batista 23 de março de 2021 - 12:56

♪ Esta família é muito unida
E também muito ouriçada
Brigam por qualquer razão
Mas acabam pedindo perdão ♪

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Flavio Batista Dos Santos 22 de março de 2021 - 16:23

Muito carinho por essa serie! Rogerio Cardoso estava sensacional como seu Floriano.
Lembro q eu ficava mega bravo pq ele dormia no sofa da sala, achava um absurdo!
Chorei no episodio de despedida dele, depois q o ator faleceu.

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Luiz Santiago 22 de março de 2021 - 17:13

Nossa, esse episódio de despedida foi muito emocionante, PQP…

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Rodrigo Santos 22 de março de 2021 - 14:05

O maior sitcom brasileiro

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