Crítica | A Hiena de Londres (La Jena di Londra)

Sob o pseudônimo de Henry Wilson, o diretor Gino Mangini escreveu e dirigiu este seu primeiro longa de ficção, A Hiena de Londres, um giallo que, em sua reta final, procura fechar a saga do assassino fazendo relações com O Médico e o Monstro, embora não consiga muita coisa com isso após a questionável qualidade do desenvolvimento do enredo.

A história começa com uma narração em off, dando-nos o tempo e o espaço da ação: Londres, 19 de dezembro de 1883. Um serial killer chamado Martin Bauer, conhecido como “A Hiena”, enfim foi capturado e será finalmente enforcado. Durante três anos “A Hiena” aterrorizou a cidade de Londres, cometendo uma série de estrangulamentos, especialmente de mulheres. Ainda na introdução, sabemos que a execução acontece, mas, pouco tempo depois, o corpo de Bauer desaparece de seu túmulo. Está criado então o núcleo em torno do qual todo o enredo irá se desenvolver.

O maior problema do roteiro deste filme é a gigantesca confusão entre os blocos narrativos. Se por um lado nós aproveitamos a linha do assassino (e é interessante por se tratar de um giallo das primeiras safras — embora seja muitíssimo inferior aos filmes fundadores do gênero, A Garota Que Sabia Demais e Seis Mulheres Para o Assassino), tendo a câmera mostrando apenas os pés do indivíduo caminhando em direção às vítimas e depois apenas mostrando parcialmente o corpo, não conseguimos mergulhar na obra através de suas outras camadas. As relações entre os personagens, suas intenções e os próprios indivíduos se confundem na história, demorando bem mais do que deveria para que o espectador consiga colocar cada um em seu lugar.

Para piorar a situação, há uma camada romântica misturada com intriga — que obviamente é afetada pelo suspense e pelo medo do que o assassino pode fazer com as mulheres — que não serve para nada além de gastar tempo. Assim, vemos o processo investigativo avançar, os assassinatos acontecerem, uma certa pontinha de sobrenatural marcar alguns momentos do filme (ao menos como sugestão), mas os personagens coadjuvantes e os assuntos paralelos que orbitam a trama central não ajudam em nada. Como o diretor não tem um apuro notável na maneira de guiar a obra (são poucos os planos realmente muito bons), o espectador fica apenas com um plot intrigante e querendo saber a identidade do assassino, tendo que aturar complementos narrativos alheios à história principal que inclusive afastam a ameaça em alguns momentos.

A forma como a explicação para todos os mistérios é dada tem de positivo apenas a sugestão do desespero por parte de um médico/cientista que fez um certo experimento e viu que tudo saiu muito errado. Por um breve momento a narração captura a essência de pavor e arrependimento contidas no ato final de O Médico e o Monstro, mas para que isso tivesse impacto na obra inteira, era preciso que o roteiro construísse a história diante dessa perspectiva, o que infelizmente não acontece.

Para quem tem interesse em ver todos os gialli já produzidos e principalmente conhecer os mais diferentes estilos que moldaram o gênero desde o seu início, A Hiena de Londres é uma obra essencial. Mas para além desse interesse histórico, não há praticamente mais nada para se aproveitar aqui.

A Hiena de Londres (La Jena di Londra) — Itália, 1964
Direção: Gino Mangini
Roteiro: Gino Mangini
Elenco: Giotto Tempestini, Diana Martín, Tony Kendall, Ilona Drash, Claude Dantes, Luciano Pigozzi, Giovanni Tomaino, Gino Rossi, Angelo Dessy, Gino Rumor, Attilio Dottesio, Mario Milita, Anita Todesco
Duração: 89 min.

LUIZ SANTIAGO (OFCS) . . . . Após recusar o ingresso em Hogwarts e ser portador do Incal, fui abduzido pela Presença. Fugi com a ajuda de Hari Seldon e me escondi primeiro em Twin Peaks, depois em Astro City. Acordei muitas manhãs com Dylan Dog e Druuna, almocei com Tom Strong e tive alguns jantares com Júlia Kendall. Em Edena, assisti aulas de Poirot e Holmes sobre técnicas de investigação. Conheci Constantine e Diana no mesmo período, e nos esbaldamos em Asgard. Trabalhei com o Dr. Manhattan e vi, no futuro, os horrores de Cthulhu. Hoje, costumo andar disfarçado de Mestre Jedi e traduzo línguas alienígenas para Torchwood e também para a Liga Extraordinária. Paralelamente, atuo como Sandman e, em anos bissextos, trabalho para a Agência Alfa. Nas horas vagas, espero a Enterprise abordar minha TARDIS, então poderei revelar a verdade a todos e fazer com que os humanos passem para o Arquivo da Felicidade, numa biblioteca de Westworld.