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Crítica | A História de Stephen Hawking

por Gisele Santos
2 views (a partir de agosto de 2020)

estrelas 3

A Teoria de Tudo, longa que conta a vida do físico Stephen Hawking, chega aos cinemas brasileiros no próximo final de semana. Mas esse não é o primeiro longa que acompanha a trajetória de vida deste cosmólogo que deu uma lição de vida para todo o mundo e ainda conseguiu criar e provar teorias incríveis acerca do universo.

Em 2004, a BBC produziu para a televisão A História de Stephen Hawking, telefilme de 90 minutos que também mostra as dificuldades e descobertas desta personalidade. O protagonista era alguém bem desconhecido na época, um jovem talento, promissor e que no longa mostra que ainda ouviríamos muito seu nome por aí: Benedict Cumberbatch.

Isso mesmo, antes de dar vida a Sherlock Holmes e também a outro cientista (Alan Turing em O Jogo da Imitação, onde bem concorre ao Oscar como Melhor Ator), Benedict interpretou Hawking e inclusive foi indicado ao Bafta de Melhor Ator por seu desempenho.

O filme mostra a vida do cientista a partir dos 21 anos, quando ele era um estudante de Cambridge e está apaixonado por Jane, que viria a ser sua futura esposa anos mais tarde. É nesta época que ele é diagnosticado com ELA (Esclerose Lateral Amiotrófica), na época também conhecida como Doença do Neurônio Motor, doença degenerativa que tem como principal sequela o atrofiamento dos músculos e a limitação dos movimentos. O longa é muito realista quando mostra o início do problema, e principalmente, os primeiros anos de vida de Hawking com a doença. Os médicos lhe davam apenas dois anos de vida, mas o físico mostrou ao mundo que é possível sim, fazer o impossível. Em meio a tudo isso, o cosmólogo inicia sua tese sobre a criação do universo que o faria mundialmente conhecido.

Talvez o maior defeito do telefilme seja fazer esse recorte da vida de Stephen Hawking. Centrar os 90 minutos apenas na criação de sua teoria torna a experiência um tanto maçante, ainda mais com explicações físicas um tanto complicadas para o espectador comum, como eu, por exemplo. O filme poderia ter explorado mais a vida do físico fora do ambiente acadêmico, tornando-o um pouco mais humano e menos uma máquina genial de criar teorias que explicariam a origem de todo o universo. Quando o filme deixa o estudo acadêmico um pouco de lado e mostra a vida pessoal do personagem narrativa a cresce e flui de forma harmônica.

Cumberbatch já mostrava que seria um grande nome da televisão e cinema britânico. Com uma interpretação contida, mas não menos impressionante do que a de Eddie Redmayne no filme que concorre ao Oscar deste ano, o ator dá um toque de doçura ao personagem, tão mergulhado em números e livros. No filme da BBC a história termina antes de Hawking sofrer com a decadência física que o tornaria um cadeirante e faria com que ele pudesse se comunicar apenas por um programa de computador.

A história de vida de Stephen Hawking, que agora em 2015 completou 73 anos, já daria um filme incrível mesmo que ele não tivesse sido um físico brilhante que contribuiu para a ciência mundial com todas as suas teorias de criação do espaço e buracos negros. O cinema é um ótimo veículo para contar a vida de superação de pessoas com doenças incuráveis, como a dele, que dão uma lição de vida e nos levam às lágrimas. A BBC, inglesa como é, conseguiu montar um filme didático, sem cair no sentimentalismo e fazendo um recorte de uma parte da vida de Hawking que viria a mudar a história da humanidade. Se você é fã do físico e está curioso para assistir A Teoria de Tudo, este telefilme pode ser um bom início para esta jornada. Uma espécie de aquecimento. Recomendo!

Deixo aqui uma frase que me impactou muito e reflete bem a essência que o longa retrata em seus 90 minutos: “Somos muito, muito pequenos. Mas somos profundamente capazes de coisas muito, muito grandes.”

A História de Stephen Hawking (Hawking, Reino Unido – 2004)
Diretor:
 Philip Martin
Roteiro: Peter Moffat
Elenco: Benedict Cumberbatch, Michael Brandon, Lisa Dillon, Adam Godley
Duração: 90 minutos

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